cinco anos!

Já aqui partilhei o quanto aprecio um belo prado, seja pela liberdade que concedem à sua própria natureza, seja por acompanharem naturalmente o ritmo das estações do ano e, especialmente, por serem espaços abertos e repletos de possibilidades. Talvez por isso, neste dia em que faz precisamente cinco anos que publiquei o primeiro post no Discretamente, apetece-me divagar sobre a natureza de um prado e com ele fazer uma analogia.

O sentimento que me invadia no dia 28 de Abril de 2016, era algo semelhante à sensação de ter um pequeno terreno pela frente mas não saber se seria bom ou se nele cresceria algo. E especialmente questionava-me se ele seria o lugar mais propício ao desenvolvimento da minha vontade de partilha criativa.

O tempo foi passando, as estações do ano e a vida acontecendo, as emoções e sensações brotando….assim como o prazer e a alegria de ver nascer “naquele terreno” um pouco de tudo. Assim, ao longo destes cinco anos e muito para além do que eu alguma vez possa ter imaginado, brotaram 625 posts que incluíram centenas de textos, 145 poemas, 160 desenhos, assim como muitas centenas de fotografias, tudo de autoria própria.

Se estou grata por ter dado a mim própria a oportunidade de avançar com o objectivo de superar muitas inseguranças e intranquilidades criativas, estou ainda mais grata por ter uma filha que me ajudou na construção do blog e ensinou a lidar com a plataforma WordPress. Estou igualmente agradecida a todos os que me têm acompanhado, comentado, incentivado e que, de certa forma, já fazem parte da minha “outra família”. A todos discretamente agradeço.

Por fim, que a vida me permita continuar a apreciar e a “regar” com alegria este prado imaginário!

aquele abraço

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Quando estes dias de isolamento
e de impossível liberdade
são neutros,

frágeis…

…e de um cansaço
que envolve as horas
e os minutos
em estranha ansiedade…

…sabe a Luz
e a Paz,
um forte e sentido abraço!

Aquele nosso Abraço!

 

(Dulce Delgado, Abril 2020)

 

 

 

caminhar…

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Um passo
apenas…
…e o desequilíbrio
que obriga o corpo a seguir em frente
com outro passo.

Com convicção?
Emoção?
Indiferença?
Solidão?

Cada passo
é tempo
de menos futuro e mais passado…

…o menos e o mais…

…termos que se anulam
no presente
espaço de tempo!

Vivido?
Amado?
Sentido?
Partilhado?

Em passos
de espaço tempo
e em constante desequilíbrio,
naturalmente
equilibramos a Vida!

Como é fascinante este “caminhar”!

 

(Dulce Delgado, Agosto 2019)

 

 

 

ria formosa II

 

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Voltando à Ria Formosa e aos dias aí partilhados…

…fascinou-me a vastidão, o silêncio húmido e o cheiro a mar dos areais durante a baixa-mar, assim como os passeios sem tempo nem objectivo percorridos naquele ínfimo e simultaneamente tão amplo ponto do planeta.

Nesse deambular, com o corpo seguiam o pensamento e o olhar, por vezes muito perto e íntimos, ou naturalmente seguindo rumos diferentes. A liberdade era total.

 

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Praia da Barra da Fuseta, ilha da Armona

 

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Praia da Terra Estreita, ilha de Tavira

 

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Península do Ancão e ilha da Barreta/Deserta ao fundo

 

Nesses passeios, deliciaram-nos as aves que vagueavam pelo ar, mar, terra ou beira-mar. Gostamos dos seus sons, movimentos, tácticas, e do tempo que exigem ao nosso sentir para não as perturbar.

Afinal, aquele espaço é mais seu do que nosso e por isso, há que o respeitar.

 

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Flamingos na zona do Ludo, Faro

 

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Garça branca no percurso do Ludo, Faro

 

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Gaivotas na ilha da Barreta ou Deserta

 

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Pernilongo no percurso do Ludo, Faro

 

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Chilreta na Península do Ancão

 

Tranquilamente permanecemos em praias silenciosas onde as palavras dos outros estavam longe e não chegavam ao nosso entender. No ar, apenas o chilrear das aves, o som das pequenas ondas ou, pontualmente, o ruído de um barco que passava.

E no corpo, banhos de sol e de mar!

 

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Praia do Barril, Ilha de Tavira

 

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Ilha de Tavira

 

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Ilha da Barreta ou Deserta

 

Retenho ainda a diversidade de trajectos realizados a pé, as distâncias percorridas em barcos de dimensões variadas consoante o destino escolhido, ou os locais em que a componente cultural e de aprendizagem esteve sempre ao lado da paisagística.

 

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Visita guiada pela ria, com saída da cidade de Faro

 

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Passadiço da Ilha da Barreta/Deserta

 

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Salinas no trilho do Ludo, Faro

 

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Cemitério de âncoras na Praia do Barril, Ilha de Tavira

 

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Igreja Matriz de Olhão, séc XVII/XVIII

 

E por fim, quando a noite chegava, ali estavam as estrelas bem visíveis e sem as luzes citadinas para as ofuscarem, desejando-nos naturalmente uma boa noite de descanso.

 

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A Ursa Maior e a Estrela Polar

 

Na generalidade, foi isto o que a Ria Formosa nos ofereceu: muito espaço… muito céu… muitas estrelas… muita natureza… muito mar…e muito, muito ar para respirar!

E outros pormenores captados pelo olhar, que integrarão outro post a publicar!

 

 

 

 

instagram

 

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A necessidade de modernização tecnológica das novas gerações levaram-me a herdar há perto de dois anos um velhinho iPhone…e com ele um mundo totalmente novo, tendo em conta o telemóvel clássico e básico que então possuía.

Mais do que a sua óbvia utilidade em muitas situações práticas, com ele fui levada a descobrir a rede social de partilha de imagens Instagram e uma linguagem do olhar que ainda não tinha explorado de uma forma tão continuada.

Tem sido extremamente gratificante perceber como a nossa sensibilidade se pode tornar permeável ao que nos rodeia quando insistimos em traçar um caminho baseado na disponibilidade e na atenção. Abrimos-nos para o mundo e, reciprocamente, ele faz o mesmo, sendo muitos os detalhes envolventes que atraem o nosso olhar como um íman.

Como poderão verificar nas imagens que integram este post e que representam uma pequena amostra das já publicadas, aprecio uma linguagem simples, minimalista, em que predominam as linhas, a natureza, o detalhe e sempre algum espaço de respiração. Pontualmente a imagem é mais densa, mas terá certamente algo que lhe dará alguma fluidez, leveza ou transparência. Não uso filtros nem artifícios informáticos. Apenas o olhar servido ao natural! Quero ainda acrescentar que não sou uma instagramer fundamentalista, pois algumas das imagens foram obtidas com máquina fotográfica.

Discretamente convido-os a conhecer a dulce-em-pausa. Estou certa que será uma viagem tranquila!

 

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(Creio que quem não pertence a esta rede social de imagens, só poderá aceder ao link através de um computador).

 

 

 

lugar espaço

 

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Um passo
entre
muitos mais…

…chegar
a qualquer lugar,
e aí ficar
ou continuar.

Contudo,
se cada passo
ocupar um espaço
e um lugar
possível de ficar…

…tudo é espaço…
…tudo é lugar…

 

E eu,
o que sou neste estranho divagar?

Um espaço a pensar? Um lugar a pairar?

 

 

(Dulce Delgado,  Abril 2018)

 

 

 

 

paixão

 

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Perde-se no tempo a paixão das nuvens pela Serra de Sintra, paixão dinâmica e sem pudor que o nosso olhar acompanha quantas vezes extasiado. Ora se abraçam, ora se enroscam, ora dançam… ou se afastam simplesmente e cada qual vive o seu tempo.

Mais fulgurantes nessa paixão são os cumes mais altos e/ou os localizados próximo do Atlântico e do Cabo da Roca, como esta imagem revela. Neste mesmo dia, a zona oriental da serra e oposta a esta, a que abrange o Castelo dos Mouros, o Palácio da Pena ou a Cruz Alta, olhavam livremente para um céu azul e com raríssimas nuvens.

Também na paixão é importante o afastamento… o dar espaço… e o respirar com gratidão!