pela chuva…

Sem querer entrar no campo da religião, matéria em que sou bastante neutral, acho muito curioso o facto da igreja, neste caso a católica ter santos associados a tudo e a mais alguma coisa.

Esta manhã, ao olhar para o Almanaque Borda D’Água verifiquei que ontem foi o dia de “Santa Escolástica, dispensadora da chuva”. Para além do nome ser deveras curioso, fui investigar e, segundo li, esta santa implorou uma tempestade com chuva para que o seu irmão – S. Bento – com quem se encontrava apenas uma vez por ano, fosse impedido de seguir caminho e pudessem ficar mais tempo a conversar. Em resultado desse pedido a chuva veio tempestuosa e eles conversaram toda a noite.

A partir daí, Santa Escolástica ficou associada a este evento.

Portugal e Espanha (para além de muitas outras regiões) estão a sofrer uma enorme e preocupante seca, sendo este um tema que está muito presente na mente e nas conversas dos seus habitantes.

Por ser um assunto demasiado sério, todas as abordagens e invocações são permitidas pelo que, fazendo um pouco de humor em dia de sexta-feira, creio que não fará mal pedir aos portugueses e aos espanhóis que recorram a toda a sua concentração e energia, e implorem à referida santa que distribua uma boa chuvinha por aqui e por todos os locais com forte carência de água.

Apesar do dia que lhe é dedicado ter sido ontem, 10 de Fevereiro…pode ser que se mantenha atenta e nos ouça se formos muitos. Nunca se sabe, não é?🤞

Com ou sem chuva, desejo a todos um tranquilo fim-de-semana!

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experimentações #30

A gratificante experiência com o livro que partilhei no último post desta série, teve continuidade em 2002 através do registo de uns dias de férias passados no Parque Natural do Douro Internacional e especialmente na província espanhola da Galiza.

Na concepção deste livro o desafio foi bem maior porque decidi que o texto seria essencialmente em poesia. Curiosamente recordo que não me foi nada difícil essa parte, porque tentei não valorizar demasiado a rima relativamente ao que queria transmitir. É claro que os desenhos não poderiam faltar, pelo que cada página ficou com um registo associado ao seu conteúdo.

Entretanto, estava o livro em curso quando no dia 13 Novembro 2002 a costa da Galiza sofreu os efeitos de uma enorme maré negra causada pelo petroleiro Prestige, o que para mim foi um choque profundo pois tinha adorado todos os momentos passados nessa área costeira poucos meses antes.

Então parei com o livro pois não estava a conseguir dar-lhe continuidade, sendo que durante algum tempo nada fiz e estive mesmo para desistir. Este facto explica quer as palavras da imagem acima e presentes no início do livro, quer as palavras da imagem que se segue e que estão inseridas na ultima página desse registo.

Objectivamente, fui capaz de sublimar essa “dor” transformando-a em trabalho, persistência e assim terminar o projecto.

Hoje partilho convosco algumas das páginas dessa parceria entre palavras e desenhos, e a que sempre associo um imenso rol de emoções.

Quase vinte anos passaram sobre a realização deste livro de férias e, apesar da vontade de voltar à Galiza ser real porque adoramos aquela região, ainda não surgiu uma nova oportunidade.

Talvez isso ainda aconteça um dia, sabe-se lá. Mas é grande a probabilidade de não encontrar alguns detalhes que me ficaram na memória…

diferenças

 

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Neste dia 3 de Dezembro comemora-se a nível mundial o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, data que tem como objectivo alertar para uma realidade existente e promover uma sociedade mais inclusiva a todos aqueles que são diferentes da média e que revelem dificuldades decorrentes desse facto.

A melhor forma de marcar esta data é partilhando um exemplo que recentemente me sensibilizou pela positiva e que tem a ver com a filosofia da empresa espanhola detentora da Ilunion Hotels, uma rede hoteleira em que 40% dos empregados que trabalham nos seus 26 hotéis possuem uma qualquer deficiência e ocupam funções que abrangem todo o tipo de áreas necessárias ao funcionamento da cadeia hoteleira.

Para além de tudo fazerem pelo bem-estar dos seus empregados é ainda marcante o facto de todos os edifícios estarem adaptados a utentes com deficiência, desempenhando um papel importantíssimo no âmbito do turismo acessível.

Não obstante casos semelhantes existentes no meu país, este é um exemplo a registar e, salvo a publicidade que possa estar a fazer e que sempre evito neste blog, a filosofia da Ilunion Hotels merece atenção e divulgação.

Especialmente neste dia.

 

 

 

 

nome de tempestade

 

e

 

Ultimamente ficou mais humanizada a nossa relação com a meteorologia e com as tempestades que nos têm visitado. Sendo conhecidas até aqui apenas como depressões ou “zonas de baixa pressão atmosférica”, estes eventos meteorológicos adquiriram desde o dia 1 de Dezembro de 2017 nomes humanos e um estatuto muito mais interessante. Com esta decisão e associando alguma imaginação, diria que passaram a ser encarados como mais uns visitantes que integram o contínuo fluxo turístico que alimenta o nosso país.

Primeiro vieram a Ana, o Bruno e a Carmen, estes um pouco mais espaçados no tempo. Mas é provável que tenham gostado da recepção e das saudades que tínhamos das suas chuvas/neve e vento forte, que passaram a palavra a outros e, mais exuberantes, visitaram-nos depois o David, a Ema, o Felix e a Gisela. Este fim-de-semana foi a vez do Hugo e, a seu tempo, será a vez da Irene, do José e de outros mais, estes últimos ainda pensando e planeando a sua futura viagem pelo Atlântico.

Prevendo-se antecipadamente as características de uma depressão, como por exemplo a velocidade dos ventos associados, ela será considerada ou não tempestade e tomará o nome humano seguinte caso se apresente com alguma força e agressividade. E nós poderemos “preparar” a casa para receber tal visitante, seja fechando portos e barras à navegação, protegendo as habitações, fazendo alertas meteorológicos ou colocando de prevenção equipas de socorro e protecção.

Desta forma, seja o que for que suceda em dias de mau tempo mais evidente, sabemos que resultou do humor da Carmen, do Felix, da Gisele ou de outro nome constante de uma lista previamente escolhida, e não apenas daquele B maiúsculo, impessoal e normalmente de cor vermelha, que conhecemos das cartas meteorológicas disponíveis nos sites da especialidade.

Apesar da indicação de nomes para as tempestades geradas no Atlântico ou no Pacifico já ser antiga e não ter nada de original, a sua adopção por Portugal, Espanha e França é uma novidade e uma forma de melhorar a troca de informação e a comunicação entre estes territórios quando afectados por depressões mais extremas.

Por último, apenas quero acrescentar que me agrada bastante esta resolução…apesar de não apreciar alguns dos nomes escolhidos para tão respeitáveis visitantes!

 

(Imagem retirada do site do IPMA)