talvez…

 

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Gosto da sublime ideia de que existe algo, talvez uma energia…talvez uma luz …talvez um anjo…talvez uma estrela…que nos acompanha, protege, alerta e orienta em determinados momentos.

Por vezes estará perto, muito perto de nós; noutros, ficará bem mais longe, apenas a “observar”… um pouco à maneira dos “anjos” do filme As Asas do Desejo de Wim Wenders. Mas gosto de imaginá-los como energias transparentes ou luminosas….

…dissolvidas na luz que entra na janela e inunda uma casa…

…voando na aragem sentida de um vento que não existe…

…na sensação de uma presença ausente…

…naquela forte intuição que nos ajuda a decidir…

…na intranquilidade que nos leva a procurar…

…nas situações de perigo em que um efémero segundo nos salva…

…naquele inexplicável sentimento de alegria…

…na estranha repetição de determinados sinais…

…no inesperado abanão que nos desperta de um adormecimento acordado…

 

Qualquer sentir é discutível, porque é apenas pessoal.

Para alguns de nós, a vivência e a experiência dá a esses sentires determinada explicação; para outros, a explicação estará noutra razão; nos mais cépticos, provavelmente não haverá explicação; e noutros, o sentir nem chega a ser sentido ou a ser razão.

A verdade, é que todos estamos certos.

 

 

dia de reis

 

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Depois de um mês literalmente a marcar passo e cansados de estar em cima dos respectivos camelos com as oferendas nas mãos, Gaspar, Baltazar e Belchior chegaram finalmente junto do Menino para o saudar e oferecer os presentes. Isto aconteceu no meu presépio… e em todos aqueles que cumprem e prezam esta tradição do Dia de Reis.

Para os estudiosos fica a investigação sobre a veracidade deste episódio contado nos evangelhos e o seu real significado. Abstraindo-me de todos esses aspectos, o que quero aqui partilhar é apenas o prazer do ritual meio mágico e infantil associado a este tempo que hoje termina no calendário festivo, mas materializado em certos gestos, por vezes sem sentido apesar de sentidos, que se repetem ano a ano, tais como…

…o alterar a localização de algumas figuras do presépio, nomeadamente das ovelhas, imaginando que a “erva” que as alimenta pode estar mais saborosa e fresca noutro sítio …

…pegar de vez em quando nos Reis Magos e “ajudá-los” a avançar dois ou três centímetros no caminho que os levará à gruta onde está o Menino…

…regar a searinha de trigo (outra tradição de família), que na altura do Natal cresce verdejante no meio do musgo…

…recolocar a estrela que orienta os Reis Magos no lugar, porque teima sempre em cair e, sem ela, os Reis Magos podem perder a orientação e não chegar ao objectivo…

…acender uma vela no presépio, apenas porque fica tudo muito mais bonito e mágico, imaginando que o seu calor consegue aquecer a gruta e o menino meio despido…

…ou, finalmente, como sucedeu hoje quando coloquei os Reis Magos junto do Menino, consciencializar-me que se fechou mais uma vez este ciclo que mistura a Vida, a minha e a da minha família, com a tradição, o imaginário, o maravilhoso, a brincadeira, a ternura, o aconchego e a esperança…

 

…a esperança que estes gestos se repitam muitas vezes, talvez um dia também partilhados com netos, num jogo dinâmico, envolvente e, nessa circunstância, certamente ainda mais lúdico!