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Em Portugal, a primeira procissão do Corpo de Deus (Corpus Christi) decorreu em Lisboa em 1389, atingindo esta celebração o seu auge no séc. XVIII durante o reinado de D. João V. Nessa época incorporava as ordens religiosas, mas igualmente as militares e as corporações profissionais da cidade, reflectindo a organização do reino e, sobretudo, a grande importância da igreja e do rei.

No século seguinte houve um período em que não se realizou, mas foi posteriormente retomada ocorrendo a partir daí anualmente por ocasião do dia do Corpo de Deus, festa do calendário católico que se celebra na quinta-feira a seguir ao Pentecostes.

Desde sempre que o Município de Lisboa se empenhou nesta procissão, tradição que se mantém ainda hoje com a participação no cortejo das principais forças da autarquia.
Deixo aqui a história deste evento, sugerindo a sua leitura para melhor perceber a importância que teve na vida da cidade.

A recriação dessa procissão, através de 1587 miniaturas em barro não cozido, encontra-se actualmente exposta numa enorme vitrina da sala do capítulo do Convento da Graça, no bairro com o mesmo nome.
O autor de tal empreendimento foi o empresário e ceramista Diamantino Tojal (1897-1958), que as elaborou entre 1944 e 1948. Nessa época todo o conjunto esteve exposto no Palácio Galveias, o que não mais se repetiu até à actualidade.

Mais do que a qualidade ou pormenor das peças, esta exposição tem um notável valor documental, pois permite perceber a dimensão e a organização do cortejo. A cargo da imaginação de cada visitante ficará a visualização do que não está recriado, como a multidão que seguia na cauda da procissão ou as ruas completamente engalanadas por onde passava.

A sala onde se encontra esta mostra foi recentemente restaurada, tal como a portaria e um dos claustros do convento, espaços que podem ser visitados gratuitamente. De notar que as miniaturas apenas estarão expostas até ao próximo dia 1 de Outubro.

Também a zona envolvente ao Convento/Igreja da Graça foi requalificada, oferecendo agora mais zonas pedonais. Vale a pena dar uma volta pelo jardim, espreitar a vista do miradouro ou descansar na esplanada aí existente. O bairro da Graça tem muitos detalhes arquitectónicos interessantes, alguns relacionados com as vilas operárias que acolheu no início do século XX e que ainda preserva. Deambular por ele e pelas áreas circundantes, permite juntar o passado com a modernidade que nos é transmitida por algumas pinturas murais realizadas no âmbito da street art.

Termino com uma imagem da cidade obtida a partir do miradouro da Senhora do Monte, localizado a poucas centenas de metros do Convento da Graça. Na foto, este espreita à esquerda e olha para o Tejo e para o seu vizinho castelo, implantado numa colina adjacente.

 

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uma família de artistas

 

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Imaginem uma família de artistas em que o pai, as três filhas e os dois filhos têm como como foco principal a aguarela, uma difícil técnica que todos exploraram de diferentes formas e estilos.

O pai, Alfredo Roque Gameiro (1864-1935), foi um dos mais importantes aguarelistas portugueses, integrando e ensinando desde cedo esta técnica a seus filhos, Raquel, Manuel, Helena, Maria Emília (Mámia) e Ruy.

Segundo ele, a aguarela deveria ser elaborada in loco perante o modelo/paisagem, princípio que ensinou aos filhos e sempre vigorou na família. Seguindo essa linha de pensamento, retratavam-se entre si nas mais diversas situações, mas também no meio da natureza que muito apreciavam. Os passeios e os convívios eram sempre um bom momento para partilharem o gosto pela pintura.

Ministraram cursos de aguarela que eram muito frequentados. Com o tempo, outras áreas artísticas foram exploradas por alguns dos filhos. Foi o caso de Ruy, que veio a dar preferência à escultura, carreira que foi reconhecida na época apesar do seu falecimento precoce. Já a filha Mámia explorou o guache e o óleo. Também os genros que se juntaram à família, se dedicaram inicialmente à pintura com aguarela. É o caso do marido de Helena, o multifacetado Leitão de Barros, que começou pela pintura mas ficou mais conhecido como realizador de cinema; e o marido de Mámia, o artista plástico Jaime Martins Barata, cujo caminho se centrou especialmente no desenho de selos, moedas, ilustrações e pinturas de grande dimensão.

Na passagem do séc. XIX para o séc. XX, a família, que até aí vivia em Lisboa, mudou-se para a zona da Amadora, porque naquela área o horizonte estava longe e permitia ver amplas paisagens, algo que hoje é inconcebível quando pensamos nessa cidade. Foram para um edifício projectado de raiz pelo próprio artista e mais tarde complementado por Raul Lino. Actualmente, a Casa Roque Gameiro está classificada como Monumento de Interesse Público e é um centro de exposições e eventos culturais.

A vida desta família assim como as suas tendências artísticas estão muito bem apresentadas numa exposição que pode ser vista no Centro Cultural de Cascais até ao próximo dia 22 de Março. Vale a pena apreciar a qualidade das obras expostas, especialmente das aguarelas realizadas por Alfredo Roque Gameiro.

Surgindo a oportunidade de aliar esta exposição com um passeio pela vila de Cascais, torna o objectivo ainda mais agradável!

 

 

Imagem retirada de http://www.cm-cascais.pt/evento/exposicao-roque-gameiro-uma-familia-de-artistas

 

 

livros miniatura

A pequena exposição que se encontra patente na Biblioteca de S. Domingos de Rana sobre livros miniatura é uma delícia. Também as condições que esse espaço oferece ao público foram uma agradável surpresa, dada a modernidade do edifício, as amplas instalações e a luminosidade que o envolve.

Esta exposição, que consta de dois núcleos (o outro encontra-se na Biblioteca Municipal de Cascais – Casa da Horta da Quinta de Sta. Clara), é apenas uma pequena amostra dos cerca de quinhentos livros que o coleccionador João Lizardo possui. São pequenas relíquias expostas em mesas-vitrinas, abrangendo temáticas, estilos e épocas muito diferentes e que nos levam facilmente para uma outra dimensão. Apetece imenso tocar-lhes e desfolhar as suas pequenas páginas… mas tal só é mesmo possível com o olhar!

Merece uma visita!

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