experimentações #9

 

julho 78a

 

A cor foi alternando com o preto e branco, da mesma forma que em mim habitavam dois mundos em confronto: um  imaginário leve, etéreo, algo transcendente e infinitamente belo… e a realidade do mundo em que vivia, repleta de injustiça, egoísmo, sofrimento, pobreza e de uma violência absurda que me revoltava e que eu não entendia.

Mais do que a qualidade artística das formas ou da ingénua simplicidade do traço e da anatomia humana, creio que o mais interessante é a expressividade que, apesar disso, as  figuras conseguem transmitir

 

março 78 (2)a

 

(Dulce Delgado, tinta da China, aguarela e lápis sobre papel, 1978)

 

 

 

 

pelo nevoeiro de sintra…

 

1a

 

Numa recente incursão pela Serra de Sintra, esta recebeu-nos da forma que mais aprecia: envolta em nevoeiro!

Apesar de eu não ser uma forte adepta da humidade e do frio associados a esse estado meteorológico, nesta serra tão próxima das minhas emoções ele transforma-se em magia para o olhar e preenche-o de tal forma que se torna belo, envolvente e acolhedor.

Ao atenuar os detalhes e as cores, o nevoeiro valoriza as formas e a sua expressividade…

 

2a

 

3a

 

4a

 

Mas os detalhes estão ali, agarrados aos troncos das árvores, na textura dos blocos graníticos ou no coberto vegetal do solo. Basta olhar…

 

4ab

 

5a

 

6a

 

7a

 

8a

 

9a

 

E na base de toda esta vida está a água, sempre o elemento água, que de uma forma mais ou menos visível está bem presente nesta altura do ano.

 

10a

 

Estas poucas imagens, das imensas que aqui poderiam estar, foram obtidas na periferia do Santuário da Peninha, local que fica relativamente perto do cabo da Roca, o ponto mais ocidental da Europa Continental.

Espero que as apreciem!