a praia

Entre a tarde e a noite
de um dia de Verão,
a praia fluia
num tempo sem intenção.

Enorme
deserta
maré vazia…
reflexos na areia,
cheiro a maresia!

Templo de gaivotas
em tempo de liberdade,
elas e eu
talvez a felicidade!

(Dulce Delgado, poema antigo, não datado…mas sempre actual!)

recomeço…

Depois de um pequeno período de férias e de rotinas mais simpáticas, hoje foi dia de levantar cedo, voltar ao trabalho e aos gestos mais iguais. Pela frente temos Janeiro, talvez o mês mais difícil do ano, porque é longo… não tem feriados…e geralmente é o mais frio de todos. Aliás, Portugal está a sentir na pele a frente fria que paira sobre ele.

Apesar disso… soube bem parar o carro, aconchegar a roupa ao corpo, sair para o frio exterior e registar o começo deste quarto dia do mês de Janeiro de 2021. E agradecer o facto da vida me proporcionar esta bela rotina matinal!

Tiradas as fotos, foi tempo de respirar fundo… voltar ao carro e seguir para o emprego. Assim como este avião seguia para o seu destino.

Desejo-vos um dia com detalhes felizes!

nascimento

 

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O Vasco nasceu hoje para o mundo, para a família e para uns pais vibrantes de felicidade.
A chegada do meu primeiro neto despoletou uma infinidade de sentimentos que apenas as horas e os dias ajudarão a acalmar e a colocar no devido lugar. Agora as emoções ainda estão ao rubro.

Eu não senti no meu corpo as transformações desta gravidez nem os desconfortos do parto que o fez nascer. Apenas revivi tudo isso através da minha filha durante os últimos meses e senti a ansiedade natural das horas que hoje antecederam o seu nascimento. Depois chorei de emoção e alegria. Que mais poderia eu realmente fazer?

Por questões de segurança apenas o verei daqui a dois dias, quando mãe e filho saírem da maternidade. Até lá, a sua presença estará em imagens, em detalhes reais e imaginados, em palavras emocionadas e no desejo que a vida seja simpática e que me permita ir acompanhando o seu crescimento.

Bem-vindo meu neto, a este estranho, difícil…e belo mundo!

E obrigada aos pais por nos proporcionarem este feliz momento!

 

(Fotografia de Diana Oliveira)

 

 

 

 

ponto de luz

 

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Lisboa é apenas um ponto neste mundo.

Um ponto de um mundo simultaneamente belo e cheio de absurdos, de um mundo gerido por alguns leaders voluntariosos, perigosos, que não respeitam acordos assinados, sem noção dos efeitos das suas acções e com uma evidente falta de bom senso.

Entretanto o sol continua a nascer todos os dias.

Eu tenho a felicidade e o privilégio de tranquilamente poder apreciar esse momento neste ponto do mundo, no meu país, em segurança e em paz.

Muitos não.

 

(Lisboa, hoje)

 

 

 

 

emoções II

 

O nosso curioso país foi uma revelação nos últimos dias. Ouvi recentemente que o grau de felicidade do nosso povo aumentou com a vitória alcançada no Euro 2016, ou seja, numa final de futebol.

Se um início de exibição sem brilho baixou as expectactivas gerais, a força anímica dos emigrantes que sempre acompanharam a equipa foi aumentando sem reservas, num processo que foi envolvendo todos e, que culminou na final, com o golo de um jovem em que ninguém acreditava. Ou seja, ele acreditou que era capaz de o fazer e arriscou, um seleccionador cheio de fé acreditou em si e nas capacidades de todos os seus jogadores, estes acreditaram neles próprios e na enorme fé demonstrada pelos emigrantes, e o resto de Portugal começou a acreditar em todos esses intervenientes. No fundo, apesar de um fraco início, todos sonharam, acreditaram e conseguiram.

David acertou e os Golias renderam-se. Somos pequenos mas enormes quando queremos!

Quando o povo português se une por uma causa, os resultados aparecem. Temos uma força latente e uma energia que é capaz de abanar o mundo. Começamos no século XV e metade do mundo foi nosso. Conquistamos, lutamos, sofremos e também fizemos muitas asneiras. Resistimos noutras situações. Séculos depois, unimo-mos por exemplo, pela causa de Timor Leste Independente e os resultados apareceram. De tal forma fomos importantes para aquele longínquo povo, que hoje é emocionante ver a forma como ele se une e vibra com as nossas alegrias. No caso desta vitória, quase parecia que tinham sido eles a ganhar o europeu de futebol!

Eu também me emocionei no dia 11 de julho de 2016 com todos as vitórias conseguidas pelos nossos atletas, tanto no atletismo como no futebol e, uma semana depois, com a conquista do europeu de hóquei em patins, desporto que aprecio bastante, quer pela técnica, quer pela elegância. Não sei se o meu índice de felicidade aumentou após estes eventos, mas sem dúvida que aumentou em mim a esperança de ver a capacidade de mobilização, o empenhamento, a alegria e toda a anergia em latência que o povo português demonstrou nos últimos dias, também direcionada para outras causas que possam ajudar este país. Não só animicamente, mas também objectivamente. Gostaria, mas não sei de que forma, assumo, que esta onda de patriotismo e positividade se reflectisse na luta pela melhoria das condições de vida e bem-estar de todos ou na capacidade de nos ajudarmos uns aos outros,

Estou certa que, a acontecer, essa seria realmente a forma mais consistente, verdadeira, profunda e permanente de aumentar o índice de felicidade do povo português. Ele merecia fazer isso para si próprio. Nós todos merecíamos fazer isso por nós próprios!