lisboa em festa

No dia do feriado da nossa capital poderia falar do culto ao seu padroeiro Santo António de Lisboa, dos dotes de casamenteiro associados a este santo ou ainda do curioso responso/oração com o seu nome que muitos alegam ser uma preciosa ajuda na procura de objectos perdidos.

E poderia falar dos populares casamentos patrocinados pelo município, ou ainda das marchas populares e arraiais que habitualmente movem multidões pelas ruas da cidade, eventos que não se realizaram nos dois últimos anos devido à situação pandémica.

É certo que não haverá as tradicionais Festas de Lisboa…mas Lisboa está envolta numa festa de cor e emana uma imensa alegria proporcionada pelas flores dos jacarandás, evento que se repete anualmente e a que este Discretamente não resiste…

Para além do Santo António, há um outro santo também associado à cidade, o São Vicente, cujo corpo viaja eternamente dentro de uma barca vigiada por dois corvos no cimo de muitos postos de iluminação pública da cidade.

Sendo uma imagem já naturalmente curiosa, sempre me delicia encontrar nesta época do ano a referida barca navegando sobre e os jacarandás… num mar de ondas lilás!

No mínimo, é adorável!

Termino com uma fotografia que me parece revelar bastante bem a “essência” desta belíssima árvore.

A elegância e a expressividade que emana em cada um dos seus ramos permite desenhar histórias visuais únicas e irrepetíveis. São por isso infindáveis as que estão disponíveis no céu de Lisboa …e que eu tanto gosto de ler e apreciar nesta tempo de festa e de despedida da Primavera.

Esperemos que em 2022 a cidade volte finalmente a se vestir de gente e de muita Festa …porque os jacarandás sempre voltarão para a vestir de cor!!💜

entre prosa e poesia…

Dezembro seria um mês banal se não fosse o Natal, aquela festa familiar, bem enraizada e de sabor tradicional.

Em Portugal o mês começa com um feriado, dia que nos relembra um momento fundamental da independência nacional. Uma semana depois um novo feriado, este religioso, para uns algo indiferente e para outros valioso. Mas para a grande maioria, devido à pandemia foram dias sem igual…pelo confinamento geral!

E Dezembro continua… colorido…luminoso…vestindo-se de Natal…e aquecendo com ternura a esperança nacional.

Sem planeamento, qualquer mês de Dezembro pode ser louco em demasia, pelo desejo de comprar algo certo para ofertar a amigos e família. Nesse deambular natalício, sempre surge na minha mente aquele difícil pensamento que opõe o espírito de Natal com o lucro comercial.

Curiosamente, neste peculiar Dezembro de um ano tão impar, não houve confronto mas sintonia, ciente que tudo o que comprarmos ajudará uma economia bastante debilitada em virtude da pandemia.

E assim, passo a passo e sem conflito prosseguirá o ritual que levará ao Natal deste ano inesquecível. E ao mais desejado reencontro familiar – nessa data possível sem esquecer a segurança – mas sobretudo a um tempo de fé e de profunda esperança numa real mudança.

O mundo deseja e o mundo precisa. Esperemos que assim seja!

(Dulce Delgado, Dezembro 2020)