diversidade

 

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Os fetos (samambaias) são plantas ancestrais, leves, aéreas e um tanto intemporais. Aprecio a elegância, o movimento e os detalhe das suas folhas, assim como a forma como estas desabrocham e exteriorizam a sua essência. 

São milhares as espécies de fetos que existem. Coabito com quatro diferentes, mas há uma que atrai amiúde o meu olhar pela forma como se processa o seu desenvolvimento e crescimento.

Neste feto (a que chamo de “frisado” mas desconheço o nome cientifico), são poucas as folhas que mantêm a estrutura inicial, pois a maioria mais cedo ou mais tarde inicia um processo de transformação muito curioso, replicando em cada folíolo a forma da folha mãe.

Mais do que as minhas palavras, deixo as imagens desses detalhes que mostram sequencialmente essa transformação. Este evoluir permite-nos sentir de uma forma muito bela a força do tesouro genético que todos nós, seres vivos, silenciosamente transportamos e que se manifesta na diversidade e na beleza que somos.

 

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Reforço o facto de algumas folhas adultas não manifestarem esta modificação. Esta coabitação da diferença em perfeita harmonia é um detalhe genético maravilhoso e uma lição de democracia para qualquer olhar.

Pelo menos para o meu.

 

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novo outono

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Não recordo o local onde recolhi estas folhas no último Outono. Sei apenas que foi em solo lusitano e que me cativaram pelos tons que então possuíam. Levei-as para casa e coloquei-as numa taça, onde acabaram de secar, uniformizar a coloração e aí ficar. 

Passou o Outono…

…e depois o Natal e o Inverno…também a desejada Primavera e um estranho Verão….e há poucos dias, ao passar o meu olhar sobre elas consciencializei que um novo Outono estava a chegar…novamente…e com ele mais um ciclo de tempo. No meu tempo, no tempo de todos nós… e também destas folhas…

Destas velhas folhas que chegaram a um novo Outono!

O meu pensamento seguiu de imediato para a árvore-mãe de onde terão caído, estrutura viva que as viu nascer e crescer, e que as protegeu e alimentou. Neste momento, ela terá folhas semelhantes exactamente no local de onde estas partiram…

E então divaguei…

…terão as árvores saudades das folhas que partem dos seus ramos em cada Outono?

…sentirão a sua falta?

…será que, ao entrarem na dormência do Inverno, simplesmente esquecem essas filhas-voadoras?

…e mais tarde, quando “acordam” grávidas de Primavera, estará toda a sua energia  e foco apenas nos novas rebentos e nas folhas que vão nascer?

…haverá algum laivo de nostalgia do passado?

 

É no silêncio deste divagar outonal que desejo aos meus leitores uma tranquila mudança de estação, seja para o recolhimento do Outono ou para a expansão Primaveril.

E a estas velhas folhas, fica a promessa que no Outono que hoje se iniciou irão continuar o seu caminho. Por aí, num voo em dia de vento. Quem sabe…talvez até encontrem as suas mais recentes “irmãs de berço!

 

 

 

 

banho de natureza

 

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A efémera beleza das flores de um nenúfar acompanha as horas de sol e o ritmo das  estações, mas a planta-mãe saboreia durante todo o ano o lento mover do fluído que a alimenta. Os nenúfares exteriorizam na Primavera e no Verão o que guardam com recato na restante metade do ano.

Recentemente senti o prazer de me banhar numa piscina biológica, cuja pureza e equilíbrio resulta da presença de diversas espécies de plantas aquáticas, incluindo nenúfares. Todas foram controladamente plantadas numa faixa na periferia do espaço e, a par dos limos e de outros micro-organismos, contribuem de uma forma natural para o processo de limpeza e oxigenação da água, meio também habitado por uma fauna específica de pequenos animais como rãs, cobras-de-água, insectos variados, incluindo muitas libélulas/libelinhas.

Centrando-me nos nenúfares…

…as várias espécies existentes  foram plantadas de modo a permitir uma certa proximidade e um diálogo “olhos nos olhos” deixando os sentidos apreciar…

…flores com morfologia e cores diferente
…folhas com formatos diferentes
…e aromas diferenciados!

Surpresa!

Apesar de olhar para os nenúfares como uma planta belíssima, misteriosa e um tanto mística, na verdade sempre esteve “longe”…ali…além…em lagos…e nunca ao nível dos meus sentidos e ao lado do meu corpo.

Ainda não experimentara…

…afagar os seus finos caules e robustas folhas…
…cheirar o aroma das flores…
…partilhar a mesma água…
…e sentir o seu tranquilo e uterino modo de vida!

Momento único este “banho de natureza”!

Como único e inesquecível foi aquele instante em que uma pequenina rã salta da folha de um nenúfar onde repousava (apreciando talvez o sol e a paisagem…), e começou a nadar junto a mim. E eu segui-a… calmamente….emocionada… e totalmente fascinada!

Depois ela seguiu para o interior do mundo dos nenúfares, uma área proibida a esta feliz humana que acabara de viver um daqueles momentos em que nos sentimos parte de algo maior e, na “pele”, a ternura desta mãe-natureza que nos enlaça e envolve.

Numa única palavra: adorei!

 

 

 

 

árvore-poesia

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Poesia…

…uma árvore plantada
na sensibilidade dos dias,
nascida da energia
boa ou dorida
dos afectos
e da vida.

O tronco,
será a Ideia nascida da semente
e amadurecida nas raízes…

Os ramos,
os caminhos a trilhar pelas palavras
na expressão do seu sentir…

E as folhas,
os detalhes que diferenciam
cada árvore-poesia,
pedaços de alma
que lhe dão força e energia!

 

Ao dia da Árvore, da Poesia e da Criatividade

 

(Dulce Delgado, 21 Março 2019)