azáfama

Deixar o nosso olhar acompanhar a dinâmica do exterior de um formigueiro não é de todo um tempo perdido nem o estar perante algo indiferente. Sempre sinto esses momentos como uma lição de vida e um relembrar de valores que o egoísmo dos dias tende a esbater em nós.

Na sua pequenez, as formigas são enormes, intensas, fortes, persistentes, focadas, cooperantes, solidárias, inteligentes, etc, etc, no sentido mais restrito destas palavras e da dimensão destes minúsculos seres. Revelam-nos isso em poucos minutos, seja na forma de procurar e transportar alimento para a sua comunidade, seja no modo como lidam entre si e na entreajuda que é tão natural na espécie.

Sempre me questiono como o conseguem com tanta eficiência, como comunicam com tanta eficácia e como aparentemente não se distraem nem se cansam?

Este tempo de azáfama para as formigas é, para muitos de nós, um tempo de férias e de descanso.

Seja qual for o lado em que nos situemos – trabalho ou férias – tentemos que ele seja focado, inspirador e bem aproveitado!

Imagens captadas junto de um formigueiro situado no promontório do Cabo Espichel (Sesimbra)… ou seja, de um formigueiro com vista para o Atlântico!

sem descanso

 

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Uma
duas
três
dezenas
centenas
talvez milhares
de seres
e olhares,
de olás
bons dias
boas tardes
ou até já(s)!

Elas vão
e vêm,
rápidas
orientadas
concentradas
e carregadas…

…de tesouros,
talvez de clamores…
talvez de desamores…
talvez apenas do cansaço
de uma vida
dura
sem tempo
nem paragens
e de infinitas viagens.

Será…

…o efémero encontro
no instante de um cruzar
um abraço de amizade?
De afecto e solidariedade?
Cumplicidade?
Felicidade?

Ou apenas um pedido de ajuda…

É a vida
de uma
duas
três
dezenas
centenas
milhares
de estranhas
e incríveis formigas!

 

(Dulce Delgado, Agosto 2019 )