carícias ondulantes

 

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Rasga o barco a superfície do rio…

Na água, um arrepio
branco
de espuma
penetrante
e frio.

Mas em breve
surgirá novo sentir…

…porque as ondas
divergentes e ondulantes
nascidas desse frio,
são carícias que percorrem
a pele do rio…

…doce
e lentamente…

…até desaparecerem
no azul,
no meu olhar
e no vazio!

 

 

(Dulce Delgado, Agosto 2018)

 

 

 

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outono vai, inverno vem

 

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Será exactamente às 16 horas e 28 minutos de hoje, o dia mais curto do ano, que faremos a despedida do Outono.
Ele vai de viagem, talvez agarrado às folhas secas que ele próprio ajudou a se despedirem das árvores. E com elas voará até ambos se desvanecerem no tempo.

Nesse mesmo instante, o Inverno tomará o seu lugar. Em Portugal virá soalheiro, fresco e com fraca personalidade, o que é pena. Mas precisamos de acreditar que será uma timidez inicial, que em poucos dias se habituará ao novo lugar e mostrará os seus dotes, porque necessitamos dele com garra, bem invernoso e especialmente com muita chuva. E frio também, se isso contribuir para que se sinta mais feliz. A natureza ficaria profundamente grata…e nós ficaríamos profundamente gratos à natureza.

Por isso, que seja um verdadeiro Inverno!

E em nós, que seja um profícuo tempo de introspecção!

Já para os meus leitores do hemisfério sul, que se revele um excelente Verão!

 

 

experiência sushi…

 

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Degustar Sushi, está na moda. Isso é facilmente perceptível na quantidade de restaurantes que surgem com essa opção, mas igualmente pelo interesse que desperta em muita gente.

Apesar de já ter provado pontualmente essa especialidade, nunca o tinha feito no local mais apropriado. Contudo, porque os anos e as oportunidades passam rápido e, além disso, gosto de fazer experimentações para formar uma opinião, decidi que era altura de partilhar com alguém conhecedor dessa linha alimentar a minha primeira e verdadeira experiência sushi da vida. Como guia e orientadora tive a minha filha, uma grande apreciadora desses sabores orientais.

Não vou nomear o restaurante, porque ele não tem culpa do que eu vou dizer. Apenas posso referir que era muito agradável, bem decorado, com um serviço eficiente e atencioso, e bem cotado nos sites da especialidade.

Optamos por um “All you can eat”, que permitia experimentar várias espécies de sushi e sashimi, o ideal para esta situação, tendo em conta o objectivo da refeição.

Algum tempo depois, depositarem na mesa uma grande e lindíssima tábua cheia de iguarias com vários formatos, cores, texturas e harmoniosamente dispostas. A primeira sensação foi simplesmente não apetecer comer nem destruir tal empreendimento artístico, mas… era para isso que estávamos ali, pelo que, mais ou menos insegura peguei nos hashi e comecei sistemática e calmamente a provar tudo o que nos fora disponibilizado…com todo o tempo…muita conversa pelo meio….e tentando apreciar cada bocado com a devida concentração e atenção.

Com o passar do tempo, a tábua foi ficando vazia…nós suficientemente alimentadas…e eu, definitivamente consciente do que já “desconfiava”… sushi e sashimi não são a minha onda, tenham eles mais ou menos qualidade!

Na verdade, o que sinto sempre que coloco uma daquelas obras de arte na minha boca é algo que sei tratar-se de uma enorme “afronta” para a filosofia sushi: qual é a piada de ser comido frio? Quente seria muito melhor! Por alguma razão, os rolos mornos e estaladiços incluídos no pack, foram os que achei mais interessantes.

Ao verbalizar muito baixinho este sentir do corpo e dos sentidos..sou imediatamente alvo de risota…e quase “expulsa” da mesa, exagerando um pouco, obviamente. Mas, a verdade…é que é exactamente isso que o sushi desperta em mim!

Confesso: viverei até ao fim dos meus dias envolta numa nuvem de “culpa” por não apreciar sushi e afins…serei estigmatizada pelos apreciadores dessa iguaria como uma “pecadora”… mas, definitivamente… o sushi quentinho era muito melhor!