planta-melancia

Como fruto sazonal, a melancia escolhe a altura certa do ano –  a Primavera e o Verão – para partilhar a sua cor, alegria, fresquidão, paladar e poder de hidratação…com quem a aprecia!

Em minha casa porém, tenho “sempre” esse fruto através da Planta-melancia ou Begónia-melancia (Peperomia argyreia), uma planta nativa da América do Sul mas que aprecia o nosso clima temperado.

Algumas das suas folhas mais circulares são imitações perfeitas de uma melancia riscada, tão perfeitas que, durante todo o ano me alimentam o olhar…o paladar da imaginação …e silenciosamente me levam à frescura de uma fatia de melancia!

Dá para perceber que sou uma fã incondicional de melancia!🍉

diospiro surpresa

Gosto muito de diospiros de roer, mas não aprecio os de abrir. Nestes últimos nem sempre é fácil perceber o momento ideal em que devem ser consumidos, pelo que estamos sujeitos a sentir aquela desagradável sensação de adstringência que os seus muitos taninos provocam na nossa mucosa bucal quando o fruto não está suficientemente maduro.

Sendo um alimento muito rico em vitaminas A e C, e ainda em potássio, cálcio e fósforo, é excelente para consumir no Outono e no Inverno, época em que são comercializados. Por tudo isso sou uma forte adepta da espécie de roer e à qual dedico hoje este post.

Visualmente é um fruto alegre, de bela cor e que nos oferece de presente uma espécie de flor quando cortado a meio, forma que é mais evidente e perfeita se o diospiro está no grau certo de maturação. Normalmente essa “flor” tem oito pétalas, mais já as encontrei com um número diferente.

O mais curioso foi o ter descoberto há poucos dias, não sei se por estar mais atenta ou por ter feito um corte diferente do habitual…que o diospiro não guarda apenas uma flor…mas que guarda também uma aranha!

Como as demais aranhas, esta tinha igualmente quatro pares de patas ligadas a um corpo… e facilmente a visualizei a passear sobre a mesa… e pelos meandros desta imaginação! Acrescente-se, para melhor compreensão, que aprecio aranhas e que tudo faço para as salvar quando decidem ocupar o meu território.

No dia seguinte abri este diospiro. Encontrei a flor…cumprimentei a aranha…captei estas imagens….e depois saboreei-o tranquilamente e com o prazer de sempre.

Gosto imenso destas surpresas que a natureza esconde!

de regresso… IV

 

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Sendo a natureza a vertente que mais prevalece no momento de planearmos férias, não poderia terminar este conjunto de posts sem partilhar esse sentir de uma forma mais concreta.

Não foi fácil fazer uma selecção de imagens porque cada lugar revelou detalhes que facilmente atraíam a atenção e a máquina fotográfica. Mas a escolha foi necessária, sendo provável que, mais cedo ou mais tarde, as não escolhidas apareçam noutros contextos e temáticas. Afinal a natureza é uma contadora de histórias, pelo que cada detalhe que ela nos oferece é um mundo que se abre ao olhar e à imaginação.

Começando pela imagem inicial…

…estamos perante um fruto, incógnito e sem sementes descansando em terreno infértil, algo que só por si teria potencial para uma divagação. Mas não me posso perder…

Aquelas sementes estarão algures, já germinadas ou ainda dispersas no solo. Foram levadas pela água, pelo vento ou serviram de alimento a uma ave. Num tempo indeterminado, outras sementes iniciaram um ciclo de luta e sobrevivência, de cooperação e exploração, de partilha de vida e de beleza, seja através dos seus troncos…

 

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…ou da aparente fragilidade dos outros elementos que as formam, como as folhas, as flores ou os frutos.

 

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Sendo a água imprescindível na sobrevivência de todas as espécie, ela corre, escorre, afaga, penetra, alimenta e deslumbra… como fonte de Vida e como fonte de prazer, consoante os contextos.

 

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Com vegetação e água, naturalmente a vida animal surge perante o nosso olhar. Em sons e silêncios, movimentos e relações, cor, beleza, ternura e encanto…

 

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E assim, com esta imagem de uma andorinha em voo sobre o rio Tua, fotografia que gosto imenso e que foi captada pelo meu companheiro de vida e de aventuras Jorge Oliveira, termina esta série de quatro posts sobre um tempo de férias com energia e sabor lusitano. Espero ter conseguido transmitir um pouco desse sentir.

Este post especificamente, publicado num tempo crucial, difícil e de enorme importância para a natureza e para este planeta que nos recebe, é apenas um pequeno contributo para o respeito e para a atenção que ambos nos merecem. Mais não seja porque o olhar e a beleza também nos alimentam o pensar.

Desejo a todos uma boa semana!

 

 

amigos da nespereira

 

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Um ano……outro……e outro mais, e todos os anos eles voltam à nespereira! Sempre!

Entretanto a árvore continua a crescer…

E eu  tenho mais um ano de idade……e outro…..e outro mais……

Em cada Primavera a nespereira dá frutos para as aves que a procuram. Literalmente.
O acesso a esta árvore não é fácil e a verdade é que nunca vi humano por perto. Mas o dia não tem apenas as minhas horas de trabalho, período em que o meu olhar a pode espreitar.

Os periquitos-de-colar são os mais ávidos e expressivos. O seu tamanho e colorido favorece essa percepção. Pombos, melros, pardais e outras pequenas aves também se deleitam com tal néctar.

Por muito devagar que se abra a janela para os fotografar, uma nesga apenas…é gesto suficiente para que o detectem e fujam!  Sempre que tal acontece sinto-me “culpada” por mais uma vez interromper tão aprazível momento.

Saio da janela, volto para a minha actividade…. e estou certa que em breve eles voltarão para continuar a sua.

Muito raramente, algum mais concentrado (ou surdo…), demora mais tempo a reagir e torna uma fotografia viável. Como as duas que inseri no post.

Nesta última, creio que ele até me estava a cumprimentar!

 

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Se nos próximos cinco anos continuarmos este “jogo”, será um bom sinal para mim e para eles!

 

 

 

 

vida de kiwi…

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Alinhadas em redor do centro e como sempre vestidas de negro, as sementes de kiwi convivem numa ambiência verde natureza. Será que conversam?
Não sei! Não faço a mínima ideia que assuntos interessam às sementes de um kiwi!

Bem…não faço ideia, mas posso imaginar……talvez…

… questões familiares, uma vez que são uma família numerosa vivendo em espaço reduzido

… problemas relacionados com o amadurecimento do fruto, algo bastante problemático nesta espécie

… talvez a qualidade das suas propriedades vitamínicas e alimentícias

… aspectos de identidade e de nacionalidade… porque muitos kiwis são migrantes e grandes viajantes!

… insegurança emocional, derivada de muitos não os apreciarem

… o facto de nunca se sentirem realmente desejados como uns morangos ou umas cerejas…porque o seu fruto está disponível durante todo o ano…

… ou ainda, o estranho aparecimento no seio da família de kiwis amarelos, vermelhos e baby…

Sim…este é apenas um post nascido do olhar…

…mas tendo o hábito diário de comer um kiwi (muito rico em vitaminas e outros nutrientes), sempre fico fascinada com o interior deste fruto…sendo por isso muito fácil aliar a imaginação a esse deliciado olhar!!

 

 

 

a nespereira

 

Tenho o privilégio de trabalhar diariamente numa sala com muita luz natural, luminosidade que entra por uma grande janela de onde se desfruta uma razoável vista sobre Lisboa. Para um lado, o olhar pousa na belíssima ponte 25 de Abril e no seu inseparável companheiro Cristo-Rei e, no lado oposto, sobre as cúpulas de alguns edifícios da Baixa da cidade. Mas permite igualmente um olhar mais humanizado, uma vez que esta janela se enquadra nas traseiras de alguns edifícios de habitação.

Naquela “ilha” vive a intimidade de um pedaço da cidade, por vezes nua, por vezes crua, mas muitas vezes doce e soalheira. Há trinta e seis anos que acompanho o tempo a passar por ali, seja nos apartamentos que se foram renovando, seja nos edifícios que perderam a corrida do tempo a favor da degradação e das ervas daninhas, seja no envelhecimento natural dos seus habitantes ou, ainda, através da renovação de gerações, reveladas ao nosso olhar pelo minúsculo vestuário que de vez em quando aparece nos estendais.

E o tempo passou também por uma árvore de fruto, por uma nespereira, a razão de ser deste post. Vimo-la crescer, mas julgo que com os anos se tornou meio selvagem, uma vez que grande parte da copa está sobre telhados de difícil acesso. Talvez por isso, a maioria dos seus frutos secam e morrem na árvore.

Apesar de aparentemente abandonada, estou certa que é uma nespereira feliz, pois está enorme, apanha muito sol, produz imensos frutos e cumpre com rigor o seu ciclo anual de vida. Quando se inicia a Primavera algumas nêsperas já estão amarelas e maduras, começando a servir de alimento a várias espécies de aves que, em divertidas acrobacias, as saboreiam em vários momentos do dia.

Delicia-me assistir a este processo que se repete ano a ano. Por isso, num dia desta Primavera decidi tirar algumas fotografias através do vidro da referida janela, uma vez que todas as tentativas de a abrir resultaram em voos para parte incerta.

Em pouco tempo vi um periquito-de-colar…

 

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…e toutinegras-de-barrete jovens e adultas, cuja diferenciação reside, respectivamente, na mancha castanha ou preta que possuem na cabeça.

 

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Este adulto era um belíssimo cantor!

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Fotografei ainda um pardal…

 

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….e uma rola!

 

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Em momentos não registados em imagens, vi igualmente melros de bico amarelo, pombos e outros pássaros que não identifiquei. Mas estas fotografias permitem ter uma pequena ideia da actividade que se gera em torno daquela árvore de fruto nesta altura do ano. Estou certa que, para além da cor que empresta a este recanto escondido, esta solitária nespereira é um parceiro importante no ciclo de vida das aves que habitam esta área da cidade.

O futuro levará seguramente à repetição deste ciclo. E se a vida o permitir, serei espectadora e cúmplice por mais alguns anos.

Há rotinas que sabem bem!

 

 

 

tipuana

 

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Lisboa tem imensas tipuanas espalhadas pela cidade.

No Jardim 9 de Abril, localizado na Rua das Janelas Verdes, existe um magnífico exemplar desta espécie oriunda da América do Sul. É uma árvore que vejo diariamente, há muitos anos, assistindo por isso ao desenrolar das estações na sua enorme copa.

Admiro a sua imponência e os seus elegantes ramos, e gosto muito de a ver replecta de flores que, ao caírem, pintam o chão de amarelo e de alegria.

Porém, aprecio ainda mais os seus frutos/sementes que aparecem no Verão e que começam a cair neste final de Outono. Em forma de “pássaro”, estas estruturas aladas descem num rodopio até ao solo, numa viagem muito dinâmica e alucinante. Gosto de as observar nessa aventura… e de imaginar o que sentiriam, se tivessem tal capacidade.

Todos os anos recolho um desses “pássaros” e pouso-o num placard junto da minha secretária, onde já se encontram outras gerações dessas sementes.

São elegantes, engraçados, fazem companhia e, por vezes….. quase que os ouço cantar!

 

tipuana

 

 

 

ainda os jacarandás…

 

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Pendentes nas ramagens, estão aí os primeiros frutos/sementes dos jacarandás. Depois do azul-lilás das suas flores, ofereceram-nos o verde e a sombra, surgindo agora os frutos, prontos a espalhar as sementes que alojam no seu interior.

E assim, naturalmente, como tudo o que se passa na natureza, também esta árvore está prestes a cumprir mais um ciclo anual de vida.