a terra… e o livro!

Imaginemos o Livro do planeta Terra…de formato gigante…infinitas páginas e conteúdo imenso. Seria em tons verde-azul de beleza única…mas já com áreas de sofrimento e destruição.

Demasiado maltratado pelos que o usam e dele abusam, revela danos, falhas e desequilíbrios crescentes, muitos já impossíveis de salvar, restaurar e reverter. Uma dor de alma para os mais atentos.

Mas a Terra continua bela. E o Livro frágil…

Perante tal realidade, está na mão de cada um dos quase oito biliões de humanos que a Terra sustenta, alimenta e dá vida neste minúsculo ponto do Universo, de tratar cuidadosamente das páginas desse gigante livro. Será aí, através das nossas escolhas, acções, cuidado, erros ou indiferença, que escreveremos, ou não, a possibilidade de futuro. Daquele futuro que todos desejamos para as gerações que nos seguem….e para os nossos filhos e netos!

Sendo hoje, 22 de Abril, o Dia Mundial do Planeta Terra e amanhã o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor…os dois decidi juntar, porque ambos são suporte e sabedoria, em ambos fluem histórias e a vida vai acontecendo e sendo partilhada. Ambos merecem respeito e atenção, mais não seja pelo facto de nos permitirem crescer e serem reservas de experiência e de conhecimento.
(Desenho e texto de Dulce Delgado)

2020

 

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E assim nasceu o primeiro dia do ano na região de Lisboa, envolto em neblinas e com nevoeiro sobre o rio Tejo. No céu, muitas linhas de aviões, de caminhos para novos lugares, de mudança, e sempre, sempre de esperança.

Que este novo tempo permita mais senso a este mundo do qual todos fazemos parte, e a nível individual a concretização dos desejos surgidos nos instantes que uniram o ultimo dia de 2019 ao primeiro de 2020. Agarremos essas sensações com energia, seja qual for o campo em que se manifestem… e continuemos este caminho, em paz e com saúde! Será esse certamente o maior desejo de todos nós.

Pessoalmente creio que não pensei muito e limitei-me a apreciar o momento, partilhado com alegria sob um belíssimo fogo de artifício. Afinal já cheguei a 2020! Se quando era jovem o ano 2000 era algo bem longínquo, esta data é um marco. Como será no futuro cada ano e cada década que a vida saudavelmente me queira oferecer!

Contudo, os pensamentos mais organizados e de balanço surgidos nos últimos dias aliam-se agora à vontade de fazer pequenas mudanças, nomeadamente num contexto mais criativo, campo onde se insere este blog.

O que será diferente?

A ideia de iniciar cada publicação com uma fotografia ou desenho da minha autoria como sucedeu na maioria dos 460 posts já editados será mantida. Mas pretendo igualmente mostrar essas formas de expressão individualmente, com pouco ou nenhum texto de acompanhamento.

Esta decisão resulta da constatação de que tenho muitas imagens que aprecio (algumas já publicadas no Instagram), assim como desenhos, aguarelas, registos de viagens e colagens que os anos viram nascer. Ao publicar esse material terei mais alguma disponibilidade para voltar a treinar a mão e o olhar de uma forma mais consistente, algo a que a existência deste blog e o acompanhamento de outras páginas veio tirar muito tempo. Mas que para mim é tão importante como continuar com este espaço.

Na prática significa apenas partilhar um pouco mais do passado para ter mais tempo para crescer e construir o futuro. Criativamente falando, obviamente!

Assim, para além da tipologia de publicações já vossa conhecida, surgirão neste Discretamente as séries

.  instantes #1…. #2….#3…, com fotografias

. experimentações #1…. #2….#3…., com desenhos, aguarelas, colagens e tudo o que mais possa surgir.

Serão estas as pequenas mudanças para este novo tempo!

 

Desejo um excelente 2020 para todos!

 

 

 

 

caminhar…

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Um passo
apenas…
…e o desequilíbrio
que obriga o corpo a seguir em frente
com outro passo.

Com convicção?
Emoção?
Indiferença?
Solidão?

Cada passo
é tempo
de menos futuro e mais passado…

…o menos e o mais…

…termos que se anulam
no presente
espaço de tempo!

Vivido?
Amado?
Sentido?
Partilhado?

Em passos
de espaço tempo
e em constante desequilíbrio,
naturalmente
equilibramos a Vida!

Como é fascinante este “caminhar”!

 

(Dulce Delgado, Agosto 2019)

 

 

 

nunca…

caminho

..será seguramente uma das palavras mais difíceis do nosso vocabulário. Diria mesmo que, tal como a sua antónima sempre, ela é uma das mais “falsas”. Mas como sabemos, os opostos têm frequentemente pontos de contacto.

Hoje, o objectivo é “desmascarar” o termo nunca, porque ele pode ser “falso” quando…

… o aliamos a emoções ou a sentimentos. O tempo ajudará a demonstrá-lo e a desmenti-lo;

… ele se agarra às palavras que proferimos. Mais tarde ou mais cedo serão outras palavras que o poderão contradizer;

 … o associamos a acções que negamos ou recusamos fazer. A necessidade ou uma emergência leva-nos muitas vezes a agir contrariamente;

 … o usamos contra novas sensações. Porque no futuro, outra situação ou  circunstância, poderão levar-nos a aceitar novas experimentações.

O termo nunca é, pois, excessivo e extremado. Podemos usa-lo olhando para o passado, mas não o devemos fazer olhando para o futuro. É muito provável que nos enganemos. Porém, ele é totalmente verdadeiro numa única situação: quando se refere aos termos “futuro/tempo/vida”, porque…

          …nunca sabemos o que pode acontecer no momento seguinte

          …nunca sabemos o dia de amanhã

          …nunca sabemos o que a vida tem ainda para nos dar!

Como podem ser ambíguas as palavras que utilizamos!

amanhã…

 

O Amanhã…é o futuro.!

Mas Amanhã  (Demain) é também o nome de um filme/documentário que aconselho vivamente, estando esta semana apenas em exibição no Teatro Circo em Braga e no Cinema Monumental em Lisboa.

Seria bom que fosse mais divulgado e longa a sua permanência nos écrans, para além de visualizado e discutido em todas as escolas secundárias e universitárias do país. Seria também muito interessante que fosse visto pelos nossos governantes…

Os seus dois realizadores, Cyril Dion, actor e activista que luta por uma sociedade mais equilibrada e ecológica, e a actriz Mélanie Laurent, percorreram o mundo a fim de encontrar soluções para os maiores problemas de sustentabilidade que enfrentamos, mas sempre numa perspectiva optimista e através de exemplos práticos, entretanto implementados com bons resultados. Aliás, um dos pontos fortes deste documentário, é mostrar como a iniciativa das comunidades locais é importante e pode mudar a vida dos seus intervenientes e das suas regiões.

Ao abarcar várias áreas de actuação, para além de apresentar soluções possíveis, esclarece ainda de uma forma bastante clara e simples a engrenagem dos interesses públicos e privados que nos regem. E como algumas sociedades enfrentam e tentam contornar esses interesses.

Este documentário é uma lição de cidadania, de democracia… e de esperança!