violetas à janela

 

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Não aprecio a cor violeta/roxo. Esse tom nunca acompanhou os meus dias, seja em peças de roupa ou objectos decorativos. Não sei explicar esse sentir, nem estou propriamente interessada em saber. Há muita gente que não gosta de amarelo e eu gosto de amarelo. Como bem diz o provérbio…”gostos não se discutem”!

Contudo, adoro a cor das minhas violetas!

Gosto deste violeta que me preenche a janela nesta altura do ano…gosto da forma como estas violetas presenteiam o meu olhar com a sua beleza, singeleza e aveludado…gosto desta ambígua cor que aqui me delicia os sentidos….. gosto… desta cor que não gosto!

E questiono-me:

Como posso, de uma forma tão oposta, “não gostar” e “gostar” de uma mesma cor?

O que é o “gostar de” e o “não gostar de”?

Talvez seja algo tão relativo e mutável como relativas e mutáveis são as nossas emoções, as nossas opções, as nossas certezas ou os nossos sentidos.

Será?

 

 

 

 

reflexões de uma castanha…

 

castanhas

…em dia de S. Martinho!

 

“Discretamente ela pegou em mim, limpou alguns resíduos de pó da minha pele e, com cuidado, fotografou-me de vários ângulos. Depois atirou-me para o mesmo saco de onde saíra, para junto de outras da minha espécie.

Em anos anteriores e neste mesmo dia, já aqui escreveu que gosta muito de castanhas seja de que forma for. Mas…reconheçamos…o fim que nos espera revela uma estranhíssima forma de gostar…

A verdade, pura e dura, é que ainda hoje iremos ser cozidas ou assadas, depois despidas e por fim comidas com prazer. Naturalmente e sem qualquer remorso.

Por isso… e caso eu tenha direito a um último desejo, preferia ser cozida! Pelo menos ficaria inebriada com o aroma da erva-doce!

A espécie humana é deveras incongruente…..”