harmonias

 

 

Harmonizar continentes, países, raças, sexos, ideias e sentimentos faz parte do imaginário de muitos de nós. Porém, neste mundo um tanto “cor-de-rosa” em que habito, isso é simples através da música e de algumas vozes que se harmonizam em duetos, como as que hoje partilho.

– No video inicial, Robert Plant, ex- Led Zeppelin e Alison Krauss, cantora country e violinista, juntaram o Reino Unido e os EUA no álbum Raising Sand (2007). Umas das faixas intitula-se Your long journey, um tema antigo e já cantado por outros artistas. Mas as suas vozes harmonizam na perfeição!

 

– Também Vanesa Martín, espanhola, se aliou no final de 2017 ao angolano Matias Damásio e em conjunto cantaram Porque queramos vernos, um dos temas que integra o álbum Munay, editado por esta cantora em 2016.

 

 

– E por último, sugiro o tema Naturalmente Naturalmente incluído no álbum Já É (2015) do artista brasileiro Arnaldo Antunes, aqui cantado em parceria com a portuguesa Manuela Azevedo, um dos elementos do grupo Clã.

 

 

E assim, discretamente, talvez o mundo tenha ficado um pouco mais harmonioso neste domingo à tarde….

 

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No início deste blog, em 2016, partilhei um post com alguns temas igualmente cantados em dueto. De certa forma, o post de hoje complementa esse, pelo que seria interessante passarem por ele e ouvirem as parcerias aí incluídas e que também aprecio bastante.

 

 

 

 

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ioga sentido

 

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(Este post complementa outros publicados com esta temática, em especial ioga III )

 

Como resiste à realidade e ao dia-a-dia, o bem-estar geral sentido após uma aula de ioga?

Diria simplesmente que a duração desse período está directamente relacionada com o tempo de prática desta actividade que, no meu caso, tem perto de dezoito anos, pelo que não estou a falar sem conhecimento de causa.

Nos primeiros tempos, o bem-estar sentido era efémero. Bastava o trânsito no trajecto para casa ou a ideia de uma ida ao supermercado, para terminar com a “magia” da aula de ioga. Digamos que era demasiado vulnerável e rapidamente absorvido pelos meandros dos momentos seguintes.

Porém, à medida que os anos foram passando, a sensação foi-se alterando progressivamente. É certo que foi muito lentamente, mas começou a suceder o processo inverso, ou seja, o bem-estar da aula de ioga, começou a “absorver” e a resistir à realidade dos dias e da vida. Digamos que foi calmamente integrado a todos os níveis e formando uma espécie de “almofada” que atenua as dificuldades, os choques, as irritações, etc, etc. No geral, tudo é sentido, olhado e compreendido com outra postura, relativizando as situações e tentando dar-lhe o devido valor. Ou colocando-as no lugar que devem ocupar.

Isto não significa que se fique imune ao que nos rodeia ou a pairar por aí. Nada disso. Antes pelo contrário. Significa sim, que se está muito mais atento e com uma maior consciência do mundo em que estamos integrados e, simultaneamente, uma maior consciência do nosso corpo e das suas capacidades e limites. Também as “dores e resmunguices” que ele sempre nos oferece são percepcionadas e aceites de uma forma mais consciente e dialogante. Para quê nos zangarmos, se é ele que nos permite estar neste mundo? Temos é que o ir tratando o melhor possível, ter cuidado com o que lhe damos de alimento e levá-lo ao médico quando realmente não o entendemos.

Para concluir, eu diria que a prática continuada de ioga permite uma harmonização geral com esta vida que nos foi “emprestada”. Nesse sentido, temos que a tratar o melhor possível, tentando transformar/sublimar as energias menos boas que todos possuímos em algo de melhor, para que um dia, quando ela nos for retirada, possa continuar calmamente o seu caminho e a sua evolução.

 

 

 

a primavera no outono

 

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As cores de Outono da vinha-virgem americana (Parthenocissus quinquefolia) preenchem uma estrutura circular que abraça o tronco e ampara a copa de uma lindíssima paineira-rosa (Ceiba speciosa), agora cheia de flores e no auge da “sua” Primavera. Ao nosso olhar, coabita harmoniosamente a energia visual de ambas as estações do ano, numa complementaridade de cores e de tempos.

Para além disso, diria ainda que se sente a cumplicidade existente entre ambas as espécies, na medida em que cada uma valoriza a presença da outra.

Esta bela parceria pode ser apreciada no Jardim 9 de Abril em Lisboa, o espaço verde que se situa entre o Museu Nacional de Arte Antiga e a sede da Cruz Vermelha Portuguesa.

 

apenas luz

 

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Com o Outono
a chegar,
senti na pele e no corpo
os doces raios de sol
de um verão
a terminar.

Que dia tranquilo,
sem vento
nem rugas no seu tempo!

Apenas luz,
azul
límpida e de sintonia,
partilhada numa praia
em plena harmonia.

Estou em paz como o dia.

Não quero que nada me afronte
nem a dor daquele mundo
que fica além do horizonte.

Lamento,
mas só quero este momento!

 

(Dulce Delgado, Setembro 2016)