o que nos envolve

Todas as camadas gasosas que envolvem esta bola gigante que nos conduz pelo espaço têm uma função e são a chave para o equilíbrio entre a natureza e todos os que nela habitam.

Globalmente, todas as nossas acções têm repercussão nessas camadas e, uma vez que tudo está ligado, os efeitos desencadeados recaem invariavelmente sobre nós, numa aleatoriedade incontrolável e por vezes devastadora. Portanto, está em nós, como humanidade, zelar por essas camadas. Como?

Por um lado…

…limitando a produção de gazes que contribuem para o efeito de estufa (vapor de água, monóxido e e dióxido de carbono, gazes provenientes da queima de combustíveis fosseis e ainda os chamados CFC’s/clorofluorcarbono provenientes de aerossóis e de sistemas de refrigeração, assim como o metano que é expelido pelo gado e está presente na decomposição de lixo orgânico).

Todos eles influem e têm importância no mecanismo que regula a temperatura da terra e que possibilita a vida na sua superfície. Na prática, eles funcionam como isolantes e a sua presença, sem ser em excesso, é fundamental na medida em que absorvem parte da energia emitida pela terra. Porém, se esses gazes são demais também isolam demais, ficando mais calor retido na atmosfera. E assim surge o tão falado aquecimento global com todas as suas consequências.

Por outro lado…

…as nossas acções também afectam outra das camadas que envolve este mundo onde nos tentamos equilibrar. Refiro-me à camada de Ozono, uma faixa com alguns quilómetros de espessura composta por moléculas com três átomos de oxigénio que funciona como uma barreira que nos protege dos raios ultravioleta, como o video acima bem explica. Sabe-se contudo, que essa camada é destruída pelos tais CFC’s acima mencionados, porque eles têm Cloro e este elemento tem a capacidade de destruir as moléculas de Ozono.

Na prática, tudo se relaciona com tudo, o que exige estarmos conscientes, alerta e actuantes. Teoricamente já todos sabemos isto, mas não faz mal relembrar uma e muitas vezes, mais não seja porque, meteorologicamente falando, vivemos tempos estranhos e de evidente mudança, com impacto em nós e na natureza. Vivemos tempos em que todos os gestos têm importância. Todos os dias.

Este post é um pequeno contributo para o Dia Internacional da Preservação da Camada de Ozono que hoje se comemora.

(Link do video:  https://www.youtube.com/watch?v=o3svX2Hjnhk

verão

Olho amiúde para o céu….sol….lua…ou estrelas que este meu olhar abarca….e ainda para este chão que me recebe e onde me agarro por umas raízes invisíveis e penso:

Como pode esta “bola gigante” – e ainda por cima ligeiramente achatada e inclinada – que roda sobre si a 460 m/segundo (na zona do equador) e circula em volta do sol a uns incompreensíveis 30 Kms/segundo……não perder o “tino” e a orientação e, com uma precisão impressionante permitir calcular os fenómenos/ciclos daí resultantes e que se repetem dia-a-dia, mês-a-mês, ano-a-ano…

…como o nascer e o pôr-do-sol … os eclipses… ou as estações do ano…

Foi precisamente às 04h 32m da madrugada de hoje que começou mais um Verão neste hemisfério norte onde estão as minhas virtuais raízes. Significa que esta metade do planeta terá o seu dia mais longo, que vai receber mais intensamente os raios solares e que naturalmente iremos adaptar os nossos dias e o nosso corpo a essa circunstância. Assim como a nossa mente, que logo desliga um pouco da rotina e entra de certa forma em “tempo de férias” e de vontade de descanso.

Somos simultaneamente assistentes e participantes desta harmonia/sintonia do Universo, algo pouco consciencializado pela maioria de nós na rotina dos dias, mas algo imenso e quase mágico que, só por si, deveria ser suficiente para que o termo ”respeito” estivesse na base de todas as nossas atitudes e decisões.

E neste respeito incluo o que deveremos ter com esta “bola gigante” em todas as vertentes com ela relacionadas….mas igualmente o respeito entre nós, humanidade que a habita, porque realmente não somos mais do que uma ténue “poeira” espalhada sobre ela.

Essa é uma verdade que esquecemos vezes demais.

A todos, neste dia de solstício, desejo o melhor Verão (ou o melhor Inverno)!

experimentações #12

#agosto 79 (2)a

 

As preocupações com o ambiente e os efeitos da poluição no planeta estiveram presentes em alguns desenhos da minha juventude.

Essa abordagem poderia ser relativamente pacífica e esperançosa, como  revela acima ou, pelo contrário, bastante explosiva e sem dar qualquer credibilidade à raça humana.

Diria mesmo que deveria estar num dia de grande revolta com a humanidade quando fiz o desenho que se segue…

 

Julho 79 ab

(Dulce Delgado, lápis de cor/grafite sobre papel, Julho e Agosto 1979)
 

a troca das estações

 

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Ontem adormeci
com o Inverno no ar,
sabendo de antemão
que a Primavera estaria
a meu lado ao acordar.

Foi no escuro da noite
em silêncio
e no tempo de um respirar,
que o Inverno e a Primavera
trocaram de lugar.

Nada ouvi,
pressenti
ou em sonhos percebi,
mas de manhã ao espreguiçar
na minha pele senti
um doce afago no ar.

As boas-vindas
eu dei
a esta nova Primavera,
e com doce emoção
humildemente lhe pedi
força
luz
e serenidade
capaz de neutralizar
este momento tão ímpar
vivido pela humanidade.

A Primavera
nada disse
a esta mente sonhadora…

…mas eu suponho…

…que em breve
irá ao sul
com o Outono conversar,
para em conjunto combinar
o que farão para ajudar!

 

A melhor Primavera (e Outono) para todos nós!

 

 

(Dulce Delgado, 20 Março 2020…no primeiro dia de Primavera!)

 

 

 

olá verão!

 

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A repetição dos ciclos da natureza marca o tempo da nossa vida. Entre um solstício e outro passam seis meses…até ao seguinte outros seis….o que na prática significa um ano que fluiu em nós como um vento, por vezes brisa, por vezes vendaval.

Hoje, no hemisfério norte, damos as boas vindas a um novo Verão e ao dia com mais horas de luz do ano. Para outros será o oposto. E para os que vivem nos extremos norte e sul desta belíssima esfera viajante do espaço, haverá respectivamente 24 horas de sol ou 24 horas de sombra.

Nesse instante que acontece precisamente às 11h 07m de hoje, os sensores da pele e da retina de quem habita nos quatro “cantos do mundo” estarão a receber informações totalmente diferentes. A relatividade da vida está aqui bem expressa: todos estamos certos, sentindo sensações diferentes ou até opostas!
Que bom seria que esta constatação fosse bem mais ampla e abrangesse outros campos que separam a humanidade! Ou que a diversidade fosse tão naturalmente aceite!

Voltando ao tema de hoje, e ao Verão…

…nos últimos dias, uma irrequieta e instável Primavera foi surpreendida por um calor repentino, abafado, tropical e que deixou o ar quase irrespirável. O corpo não apreciou tão brusca mudança e relaxou. O cérebro, pelo contrário, activou as sinapses e os processos do pensamento mas, curiosamente, orientando-os apenas numa direcção: vontade de férias e de descanso!

Sendo o Verão um tempo de energias positivas, simbolicamente um tempo em que a luz supera as trevas, que essa imagem seja nossa mentora mesmo quando cansados e precisando urgentemente de parar e de descansar. Que se reflicta nas pequenas coisas, no detalhe, na vontade de sentir, de estar, de partilhar. De dar algo.

É esse o desejo que me acompanha hoje…aqui… neste cantinho europeu… neste recanto do mundo…neste Universo infinito em que somos apenas um ínfimo ponto….

…e neste dia em que o Verão decidiu nascer cinzento, ventoso e chuvoso em Portugal!

 

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A vida é sempre uma surpresa!

Para uns, que seja um bom Verão…e para outros um Inverno de aconchego!

 

 

 

 

porquê?

 

ghouta

 

Há dias que nascem para pôr à prova a nossa capacidade de acreditar. São uma espécie de “teste” à nossa estrutura emocional, uma vez que facilmente nos levam a por em causa ideais que fomos construindo ao longo da vida. No fundo, eles desacreditam o nosso acreditar e quase neutralizam a esperança que está na sua base.

Posto isto…

…perante as imagens a que temos assistido diariamente nas televisões sobre a guerra em curso no enclave sírio de Ghouta, região onde a vida humana deixou de ter qualquer valor para os interesses aí instalados e, pior ainda, onde as soluções para um cessar fogo emitidas pela maior organização mundial de nações (ONU), não tem qualquer efeito no terreno e é totalmente desrespeitada;

… perante a crueldade humana que decide executar por injecção letal um condenado à morte portador de uma doença terminal, acto que não foi consumado depois de várias tentativas falhadas de encontrar uma veia capaz de receber o cateter, o que o deixou com várias feridas e uma condenação à morte adiada….

Que podemos sentir? Em que podemos acreditar?

Estas duas realidades, que representam apenas uma amostra do que se passa pelo mundo, acontecem agora, em pleno séc. XXI. O primeiro caso num país que está há sete anos em guerra, quase destruído e com um povo que é massacrado todos os dias; a segunda situação ocorreu no estado do Alabama, nos EUA, país na vanguarda do desenvolvimento tecnológico, mas um dos que mais viola os direitos humanos, inclusivamente aplicando a pena de morte.

Não, eu não quero perder a fé na humanidade, mas a desumanidade que entra pelos nossos olhos é tanta, que abanamos como uma árvore perante um vento forte. Eu não quero generalizar este desencanto, nem sequer o medir, porque no meio desta frieza sei que ainda há calor humano, solidariedade e a capacidade de tantos em ajudar outros, minimizando situações extremas que vão ocorrendo.

Nestes dias não há poesia nem poemas, não há céu azul, ideias ou imaginação. Não há acreditar. Há imagens, reais como a que inseri no início deste post ou construídas a partir de palavras lidas, que se colam de tal forma à nossa mente que não deixam espaço para mais nada. Por vezes, até nos levam a pôr em causa o caminho que seguimos, pela “futilidade” que representa perante as realidades deste mundo.

Um dos meus lemas principais de vida é “tudo passa”. Porque a vida é dinâmica, não estagna e algo diferente virá a seguir, seja melhor ou pior. E nós adapta-mo-nos constantemente a essa mudança e a novos sentires. No presente, “a minha árvore” está triste e a abanar, mas preciso de acreditar que tudo vai passar e que as suas raízes são suficientemente profundas para a segurar.

 

 

Imagem retirada de
https://www.washingtonpost.com/world/middle_east/violence-rages-unabated-in-ghouta-as-syria-defies-un-ceasefire-resolution/2018/02/25/9a4fc244-1a51-11e8-98f5-ceecfa8741b6_story.html?utm_term=.66036eb939c2

 

 

 

 

risos e sorrisos

smi

Três dias separam o Dia Mundial do Sorriso (28 de Abril), do Dia Mundial do Riso (hoje, 1 de Maio) …um tempo curto … mas longo para tão curta diferença!

Entre sorrisos, risos… ou gargalhadas (será que também existe o dia mundial da gargalhada?), o importante é que os espalhemos por aí, bem genuínos e evitando os falsos e os “amarelos”, sendo salutar a capacidade de, com humor, nos rirmos das nossas próprias incongruências.

Sendo um belo sorriso uma boa energia, permite-me imaginar…

… que os verdadeiros sorrisos ficam no ar…a pairar…talvez a voar…e que posteriormente têm o dom de pousar onde são necessários, ajudando não só a melhorar a disposição de pessoas de “sorriso difícil”, mas igualmente a pacificar a arrogância e a intolerância em algo de mais amistoso, positivo e facilitador da paz ….

… como, por exemplo, nas mentes irresponsáveis de alguns decisores mundiais da actualidade, peritos em atitudes incompreensíveis, absurdas, perigosas e capazes de alterar o equilíbrio já precário deste planeta.

Receio bem que, para eles, um belo “bando de sorrisos” não fosse suficiente!