pela cidade

Cidade de gente apressada
cidade de gente indiferente…

Gastam passos sem sentido
passam esquinas, casas, dor
pisam pedras,
pisam gente
negam um olhar decente
ignoram que há luz e cor
e tanto para ser percebido.

Abranda o passo,
esquece o tempo por  momentos
e usa a cidade com amor,
acaricia as pedras ao andar
faz de cada esquina uma descoberta
e de cada azulejo uma obra de arte.

Deixa a cidade tocar-te,

procura no outro uma janela aberta
e põe um sorriso no seu olhar!

Poema e desenho de Dulce Delgado, ambos com mais de três décadas mas de uma temática que se mantem actual. Diria apenas que o poema revela um pouco de idealismo a mais…

 

objectos comuns

 

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Gestos inconscientes levam-nos diariamente a pegar neles e a usufruir da sua função. Vivem connosco todos os dias, em muitos momentos, sendo úteis em diversas áreas. Em conjunto, são uma infinidade de objectos de uso comum que complementam e facilitam a nossa vida.

Contudo, a nossa atenção passa ao seu lado a não ser no momento da sua aquisição em que talvez sejam observados e/ou a sua estética/função apreciada. Depois, rapidamente passam para o nível de “indiferentes” ou “de algo já adquirido”, atitude em que somos peritos, seja no nosso dia-a-dia, nas nossas relações ou na vida em geral.

Deixemos então o olhar deter-se com calma sobre esse mar de objectos que nos rodeia e observemos as formas e os detalhes que permitem a sua função. De quando em quando, apreciemos a sua existência e o seu porquê…afinal somos mais “felizes” pelo facto de eles estarem sempre disponíveis e a nosso lado.