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A viagem que anualmente promoves em tempo de aniversário será este ano bastante diferente, pois não haverá aviões, aeroportos ou cidades a explorar.

Em tonalidades bem mais intimistas viverás a tua primeira viagem como mãe por estes ciclos anuais que marcam a nossa Vida. Nesse novo estado sentirás as rotinas e o cansaço próprio de quem cuida e alimenta um filho com três semanas, mas terás certamente detalhes inesperados e momentos diferentes do habitual. E neles viajarás com os sentidos mais atentos e uma imensa ternura à flor da pele!

Pela minha parte, agora de mãe para mãe, um obrigada por teres nascido, um abraço bem apertado…. e um poema!

 

Ser Mãe,
é viajar por um trilho
de experiências novas
e profundas descobertas.

Com o teu filho
irás percorrer prados de ternura
e brincadeira,
caminhos semeados de dúvidas,
cansativas subidas,
atalhos surpreendentes,
florestas de insegurança…

…e alcançarás uma nova visão
da Vida
sem subires a qualquer montanha!

Rirás com detalhes mínimos
e chorarás por pouco
ou nada.
E viverás desconhecidas emoções
como se os teus sentidos,
corpo
e pele,
habitassem um novo mundo
de sentimentos
e sensações.

Neste caminho partilhado
procurarás rios
de informação
para te saciar os medos  e as dúvidas,
mas logo perceberás
que a melhor resposta a essa sede
estará em ti,
no teu coração
e sempre na tua intuição.

Ser mãe
é esta viagem em poucas palavras.
Mas ser mãe não são palavras,
é algo imenso
intenso
e de um Amor sem fim!

 

 

(Dulce Delgado, 1 Setembro 2020)

 

 

 

 

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Recentemente, de caminho para um supermercado, tentava lembrar-me de algo que sabia ter em falta, que era importante, mas que esquecera de registar na lista das compras na devida altura. Pensei, pensei… mas a memória nada me dizia!

Estacionado o carro, olho em frente e…fiquei atónita! Estava ali, perante os meus olhos e no exterior de um automóvel de uma conhecida agência imobiliária, a resposta que a memória não me deu: a palavra “coentro”, sendo neste caso o apelido do vendedor que utilizava essa viatura.

Foi com uma estranha sensação que entrei no espaço comercial e iniciei as compras. Ao chegar aos legumes, outra surpresa: ao lado de uma caixa replecta de embalagens de salsa, estava uma única embalagem de coentros…a olhar para mim! E eu fiquei a olhar para ela, obviamente satisfeita… mas algo perturbada com mais esta situação. De imediato pensei que estaria danificada, suposição que estava errada. Peguei nestes coentros com todo o carinho… e coloquei-os no cesto.

Fase seguinte: pensar sobre o sucedido…

Seria uma coincidência? Um acaso? Um alerta? Não sei!
Apesar de não ser a primeira vez que me acontece este tipo de situação (que certamente se passa com todos), tentei racionalmente perceber… mas a verdade, é que a mente não foi capaz de o fazer. Apenas me disse…

…que não era importante arranjar uma resposta objectiva e plausível, porque não a iria encontrar;
…que nem tudo é justificável;
…que poderia arranjar uma explicação mais esotérica…baseada na eventualidade de sermos energéticamente “orientados” neste nosso caminho… uma sensação muito pessoal que tenho, mas que sendo uma matéria complexa e que não domino, também não quero ir por aí…
…e disse-me algo mais, talvez o principal: que este episódio marcante serviu para “reavivar” a noção de como é  importante estarmos o mais possível atentos, quer ao que se passa em nossa volta, aos sinais exteriores, quer ao nosso interior, tentando perceber as emoções sentidas e as intuídas.

Tal como o “coentro” escrito naquele automóvel foi a resposta que eu precisava naquele momento, muitas outras respostas ou indicações estarão “perto ou dentro de nós”, mas acabam por não ter reprecurssão na nossa vida porque não estamos suficientemente atentos nem receptivos para as  entender.

Acredito profundamente que uma grande parte do nosso equillibrio estará nesses detalhes, sejam eles vistos, sentidos, percebidos ou intuidos, e na nossa receptividade a essa “troca de mensagens”. Eles são igualmente aquela voz interior que nos diz “vai… segue em frente… persiste nesse o caminho…estás certa…é isso mesmo…” ou, por outro lado, a que nos diz “cuidado…pensa bem…isto não é bom para ti…muda de rumo…” . No fundo e em conjunto, todas estas mensagens, sinais e intuições são a “voz sem palavras”, a energia ou a força que, silenciosamente, nos vai mostrando o caminho.

Sim…é verdade, nem sempre a “leitura” que fazemos está correcta, mas… como seres imperfeitos, como é que poderíamos intuir e compreender sempre esses “sinais”?

Tudo isto… veio a propósito de um estranho ramo de coentros!