detalhes de outono

 

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Volto ao Jardim 9 de Abril em Lisboa, espaço já aqui referido mais do que uma vez. E esta não será certamente a última…
Talvez me repita um pouco ao dizer que gosto muito deste recanto por onde passo diariamente. É um sentir de quase quatro décadas, nascido de uma observação viva e continuada, estação após estação, ano após ano.

Em Novembro de 2017, há precisamente um ano, publiquei um post com uma imagem geral deste jardim em pleno Outono. Este ano vou aproximar o olhar um pouco mais e mostrar a relação entre a paineira-rosa, a árvore central, e a vinha-virgem que a circunda. Se aparentemente a força e o poder está na robustez do tronco da primeira, é a fragilidade da segunda que protege esse tronco e dá estabilidade e beleza ao conjunto.

Muitas vezes, os que parecem mais frágeis conseguem com a sua sensibilidade e gestos obter o respeito dos mais fortes. E, lado a lado, ambos cooperarem com um fim comum. Neste caso…diria… em prol da beleza que alimenta os nossos dias!

 

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As imagens acima foram captadas a uma sexta-feira, na véspera de um fim-de-semana que se revelou cinzento, desagradável, com vento e muita chuva. Nesse período, a maioria das flores da paineira-rosa e das folhas da vinha-virgem caíram, cobrindo o chão de um tapete de cor.

 

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Naturalmente, tudo mudou em dois dias para estes seres vivos e para este recanto da cidade, mostrando bem o dinamismo e a força da natureza.

Para mim, contrariamente, esse foi um tranquilo fim-de-semana, caseiro e muito acolhedor!

 

 

antes da primavera

 

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Quatro meses separam estas duas fotos do Jardim 9 de Abril em Lisboa.

A primeira foi tirada no início de Novembro de 2016, num lindo dia de sol outonal; e a segunda no dia 1 de Março de 2017, num desagradável e cinzento dia de Inverno.

A vinha-virgem americana que cobre a estrutura circular perdeu todas as folhas, sendo agora um emaranhado de troncos aparentemente sem vida;  por sua vez, as flores outonais da árvore central, a paineira-rosa, transformaram-se em frutos/semente ovalares e com alguma dimensão, que pendem agora dos ramos despidos.

Este jardim perdeu a cor, aparentemente a alegria…mas na natureza que o habita está em latência a força da Primavera que começará em breve e que já é visível em alguns recantos.

Numa perspectiva algo feminina, gosto de pensar que nesta fase a natureza está “grávida” e aguarda tranquilamente o momento de eclodir e de mostrar o seu potencial, seja nos pequenos rebentos, caules e folhas que irão primeiro nascer, seja nas flores que mais tarde aparecerão.

Os dias, agora muito maiores, mostram igualmente esse crescendo de energia e de exteriorização.  Até as aves que habitam os nossos jardins, já revelam um maior dinamismo na sua forma de estar e comunicar.

É importante estarmos atentos a estas mudanças, na medida em que permitem um olhar diferente e revelador sobre a vida que nos envolve….inclusivamente quando a meteorologia não ajuda e os dias estão frios, chuvosos, cinzentos e aparentemente inertes nesta pré-Primavera!