ideia nascida

 

Capturarideia

 

Imagino uma ideia…

…como um pensamento
jovem
e inseguro,
que a outros pede boleia.

Juntos
desenham um plano
meio leviano,
indo à aventura
viver a odisseia.

Nessa vivência…

Ou ficam presos na teia da mente
e nada acontece…
ou deslizam na torrente do pensamento
e desaparecem no oceano da intenção…
ou, cientes e determinados
terminam a aventura,
unidos,
conscientes
e quase resolução.

Mais segura e adulta,
em breve,
a ideia será acção!

 

(Dulce Delgado, Janeiro 2019)

 

 

 

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ver e não ver

 

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Seguindo ou não as tendências da moda, uns óculos conectam-nos com o mundo quando os nossos olhos já não cumprem autonomamente a sua função. Adaptados com lentes monofocais ou progressivas permitem-nos ver o que queremos e o que não queremos e, de certa forma, também a controlar algumas “inseguranças” ao percebermos mais claramente todos os detalhes que nos rodeiam.

Sendo totalmente apologista do conforto, há muito que uso lentes progressivas, tecnologia que me agradou desde o primeiro instante e com a qual tenho uma forte relação de cooperação e empatia. Ao focar tudo sem necessidade de mudar de óculos, seja o que está próximo, a média ou a longe distância, esta opção permite-me ainda não os perder pois estão sempre no sítio certo.

Mas todas as relações, mesmo as mais próximas e intimas, não são perfeitas. Aprecio a verdade com que os óculos alimentam o meu olhar sobre o mundo, mas há um momento em que me dá um prazer especial traí-los e não os ter colocados. Acontece durante os momentos de higiene, quando me vejo ao espelho e ele me devolve a imagem de uma pessoa bem mais jovem, sem rugas e sem outros detalhes que não vou aqui especificar.

O espelho torna-se mágico! Faz-me sentir mais bonita e por momentos ficar mais próxima da idade interior, da minha real(idade), daquele modo de ser que permanece e que nos faz sentir sempre jovens. E nesses momentos, recordo muitas vezes uma frase de minha mãe, proferida pouco tempo antes de falecer, aos 71 anos: “Filha, eu não percebo…sinto-me ainda uma criança!”

Depois…

… bem…depois acaba a magia do espelho! Coloco os óculos, começa o dia e continua a vida. Quando volto a olhar para ele, já com óculos, sorrio com toda a ternura para aquela quase sexagenária que está ali, também a sorrir para mim….

…que outra coisa poderemos fazer?