aquele abraço

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Quando estes dias de isolamento
e de impossível liberdade
são neutros,

frágeis…

…e de um cansaço
que envolve as horas
e os minutos
em estranha ansiedade…

…sabe a Luz
e a Paz,
um forte e sentido abraço!

Aquele nosso Abraço!

 

(Dulce Delgado, Abril 2020)

 

 

 

experimentações #2

 

 

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Pelo preto e branco continuei, materializando em linhas explosivas, irrequietas e bastante angulosas as energias da juventude…..

 

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…mas sempre tentando encontrar alguma forma de equilíbrio!

 

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(Dulce Delgado, tinta da china sobre papel, 1975-1977)

 

 

 

a linha…

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Há uma linha que tudo une. Por vezes é bem perceptível e sentida, noutras invisível e ignorada.
É nossa obrigação, enquanto passageiros do Tempo e da Vida, procurar as pontas dessa linha, tentar uni-las e dar-lhes um sentido ou uma leitura. Seja a que nível for.

Em 2019, entre erros e acertos, espero continuar a construir/compreender a minha história, cujo espírito está subjacente na imagem inicial deste post e que foi composta a partir de pedras que a natureza me ofereceu. Ela revela algo muito simples porque, neste caso, é apenas a história de uma linha.

Oxalá que em 2019 a história de cada um de nós respire essa simplicidade. Seria bom para as energias do mundo. Quanto ao Ano Velho… diria que não foi fácil mas que está perdoado. Que siga em Paz!

Um bom 2019 para todos!

 

 

 

ria formosa III

 

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Voltando a este lugar…

No primeiro post publicado sobre este tema optei por dar informações gerais… no seguinte, o meu olhar percorreu a paisagem a nível do horizonte… e hoje, para concluir, irei centrar-me na beira-mar e nos seus areais, pelo que as imagens serão essencialmente detalhes de uma região que vive do dinamismo das marés.

Entre os extremos destes fluxos passam seis horas e alguns minutos, sendo estes últimos variáveis. É assim neste planeta que habitamos, seja aqui ou em qualquer outro lugar junto ao mar. Em Julho, apesar das marés serem mortas, o facto desta área natural possuir grandes bancos de areia permite sentir bem os seus extremos.

 

Maré vazia…

Nesse recuo, são variadas as formas que o mar escolhe para se despedir da areia…

 

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Para além dessas aleatórias marcas, ele aproveita os recursos que tem à mão e naturalmente “desenha” na areia suaves linhas ou manchas de maior densidade e visibilidade.

 

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Nesse tempo de aparente paragem o mar permite o descanso das formas, seja em silenciosa solidão ou em caos partilhado…

 

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Algumas horas depois do início da vazante, o calor do sol seca a “pele da areia” fazendo nascer novos grafismos. Por outro lado, aqui e ali, surgem marcas reveladoras da passagem de humanos.

 

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Um segundo…

Será um segundo o tempo que separa o final de uma maré e o início de outra. No relógio. Talvez exista mesmo um período de quietude e de nada, mas à beira-mar esse momento é imperceptível. Porém, com um pouco de imaginação e pela calmaria das águas, vamos supor que seria o instante da imagem que se segue…

 

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Algum tempo depois, a subida das águas começa a ser visível de variadas formas, seja através das pequenas ondas e das espécies que vêm embaladas por esse fluxo…

 

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…seja no efeito de ondas mais activas que fazem surgir bolhas resultantes do ar que entretanto se infiltrara na porosidade da areia.

 

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Em zonas de ria, em que os fluxos são mais passivos, a subida da maré pode ser acompanhada pelo contínuo arrastamento de finas placas de areia na superfície liquida…como pequenas nuvens em andamento que vão projectando a sua sombra no fundo arenoso…

 

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E assim, ao ritmo da terra, da lua e do mar, a maré vai tranquilamente enchendo. E depois voltará a baixar, sem cansaço nem atrasos.

Enquanto isto… maré após maré…dia após dia…talvez todos os dias do ano…

…na areia seca, as carochas deambulavam sem parar, de declive em declive, até o meu olhar as perder de vista.

Que procuram?… Para onde vão?… Encontrarão a família?…

 

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Mas a carocha da imagem seguinte era especial e determinada. Por isso termino o post com a sua companhia.

Subia…e caía…subia e voltava a cair…e subia e caía novamente…

E ali ficou, naquela luta, insistindo, na tentativa de chegar a algo….

 

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Senti-a tão humana e tão parecida connosco!!

 

 

 

(Dulce Delgado, Outubro 2018)

 

 

 

instagram

 

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A necessidade de modernização tecnológica das novas gerações levaram-me a herdar há perto de dois anos um velhinho iPhone…e com ele um mundo totalmente novo, tendo em conta o telemóvel clássico e básico que então possuía.

Mais do que a sua óbvia utilidade em muitas situações práticas, com ele fui levada a descobrir a rede social de partilha de imagens Instagram e uma linguagem do olhar que ainda não tinha explorado de uma forma tão continuada.

Tem sido extremamente gratificante perceber como a nossa sensibilidade se pode tornar permeável ao que nos rodeia quando insistimos em traçar um caminho baseado na disponibilidade e na atenção. Abrimos-nos para o mundo e, reciprocamente, ele faz o mesmo, sendo muitos os detalhes envolventes que atraem o nosso olhar como um íman.

Como poderão verificar nas imagens que integram este post e que representam uma pequena amostra das já publicadas, aprecio uma linguagem simples, minimalista, em que predominam as linhas, a natureza, o detalhe e sempre algum espaço de respiração. Pontualmente a imagem é mais densa, mas terá certamente algo que lhe dará alguma fluidez, leveza ou transparência. Não uso filtros nem artifícios informáticos. Apenas o olhar servido ao natural! Quero ainda acrescentar que não sou uma instagramer fundamentalista, pois algumas das imagens foram obtidas com máquina fotográfica.

Discretamente convido-os a conhecer a dulce-em-pausa. Estou certa que será uma viagem tranquila!

 

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(Creio que quem não pertence a esta rede social de imagens, só poderá aceder ao link através de um computador).

 

 

 

memórias

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De memória em memória
desenhamos uma linha
de imagens
momentos
lugares
e sentimentos.

Linha
etérea e fugidia
nascida dos meandros
do tempo,
guardiã daquela memória
que deu início à nossa história.

Ilusório será pensar
que as imagens
do passado,
se agarram à linha do tempo
para sempre aí ficar.

Mas não.

Como um vento
de outono
que leva as folhas pelo ar,
também um sopro de tempo
traz o passado ao presente,
e com ele,
os momentos de alegria
as mágoas
a inquietação
os sentimentos de culpa
e talvez…
…talvez o sábio perdão!

Com o passar dos anos,
pode essa linha do tempo
tentar voar com o vento
e fugir,
ou apenas desvanecer.
Mas uma ponta
é sempre nossa,
como um cordão virtual
umbilical,
que une a vida que nos foi oferecida
com a vida por nós vivida
e aquela que iremos ceder.

Um dia,
em paz ou inquietação.

 

 

(Dulce Delgado, Fevereiro 2018)

 

 

 

riscando o céu…

 

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Uma linha entre tantas que sulcam os céus.

Como um traço de giz, o rasto de cada avião divide o “céu” que nos envolve em duas metades, o que não deixa de ser um pensamento interessante. Porém, mais admirável, é o facto desses traços resultarem da capacidade humana de voar e… de nos céus desenhar!

Em cada avião vai um pequeno mundo de homens e mulheres, de raças, culturas e idiomas diferentes. Gente simples e complexa, gente que viaja em busca de algo, seja novo, desconhecido ou pela vida já concedido.

Mas cada um desses seres transporta o seu próprio mundo, construído de pensamentos, sentimentos e sensibilidades, onde se misturam desejos e frustrações, prazer e dor, alegria e tristeza, tranquilidade e ansiedade, certezas e dúvidas. Rancores talvez. E sentirá certamente amor, porque esse toca a todos… seja de que forma for…mesmo que seja com ar de dor!

Quase certo será ali viajar o receio e algum medo…afinal a terra firme está bem longe! Nele haverá um rol de emoções vividas na intimidade de cada consciência, momentos pessoais que colam o corpo e a energia ao assento, seja coxia seja janela. Tantas emoções como o número de viajantes que o acaso, ou não, juntou naquele avião, naquela viagem, e que, com ternura, eu guardei nesta imagem.

Olhando daqui… somos tão frágeis, iguais, pequenos e vulneráveis!