tradições

 

ferragens

 

Neste dia em que a capital portuguesa está em festa, em que é feriado e dia de Santo António, em que meio mundo está de ressaca porque ontem foi dia de casamentos colectivos mas igualmente noite de folia, de marchas populares e de arraiais, de muitas febras, sardinha assada e bebida… ou seja, neste tempo em que Lisboa revive as suas tradições mais genuínas, vou publicar um post bastante sóbrio, mas igualmente relacionado com a alma que anima a cidade.

Referi há algum tempo  a existência de uma plataforma digital que permite Conhecer e contar a cidade de Lisboa. Dentro do mesmo espírito, foi recentemente lançada uma outra que nos permite conhecer antigas lojas da cidade, espaços ainda activos e que ficam com a possibilidade de ser abrangidos pelo Fundo Municipal de Apoio às Lojas com História, cujas verbas facilitarão a sua conservação e a manutenção da actividade. Esta plataforma permite igualmente a candidatura de novos espaços a esse título.

O mais importante, é que Lojas com história surge depois de alguns espaços comerciais não terem sobrevivido à recuperação/reconstrução de edifícios para hotelaria ou lojas de franchising, surgidos como resposta ao boom turístico que se tem verificado nos últimos anos na capital portuguesa. A criação destes apoios e desta plataforma de divulgação será uma forma de as dar a conhecer, preservar, proteger legalmente e de ajudar os proprietários a mantê-las em condições, tornando assim mais difícil o seu desaparecimento.

Quem conhece Lisboa e muitos dos seus recantos, é com uma certa emoção que passeia pela história destas lojas, aliando as memórias que delas detém com a esperança de as ver preservadas e activas. Doravante, é bom saber que em qualquer momento que a elas recorra, é muito maior a hipótese de as encontrar abertas e no mesmo lugar.

Porque muitos já sentimos o contrário, não posso deixar de divulgar qualquer iniciativa que promova a sua preservação.

Entretanto… haja festa e alegria em cada recanto de Lisboa!

 

 

Imagem retirada de http://lojascomhistoria.pt/lojas/ferragens-guedes

 

 

lisboa colorida

 

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Não resisto a publicar esta imagem de Lisboa e da beleza que nos oferece por estes dias.

Obtida a partir do Jardim Ducla Soares, no bairro do Restelo, abrange a Avenida que enquadra a belíssima Torre de Belém, guardiã do Tejo e símbolo da nossa ligação a outras civilizações e culturas.
Mas ela revela essencialmente uma Lisboa feminina, luminosa, colorida e feliz com a parceria que fez com os jacarandás. Uma Lisboa que insiste em emocionar o nosso olhar!

 

 

novamente os jacarandás!

 

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Em poucos dias, Lisboa ficou a respirar a cor dos jacarandás! A cidade está a ficar linda e apelando a um olhar mais demorado para as suas ruas e jardins.

O aparecimento desta floração significa que se aproxima a época mais activa da vida da capital. Com a chegada do mês de Junho terá início a habitual Feira do Livro no Parque Eduardo VII, um cenário colorido por estas belíssimas árvores, e teremos igualmente as Festas da Cidade e dos santos populares, que se irão prolongar até ao final desse mês. Diria que a cidade está a ficar bonita e pronta para a festa!

E significa ainda que passou outro ano na nossa vida. Mais uma vez, é a natureza que, de uma forma suave e colorida, nos relembra docemente a passagem do tempo.

A mãe-natureza… sempre a marcar o ritmo!

 

 

a nespereira

 

Tenho o privilégio de trabalhar diariamente numa sala com muita luz natural, luminosidade que entra por uma grande janela de onde se desfruta uma razoável vista sobre Lisboa. Para um lado, o olhar pousa na belíssima ponte 25 de Abril e no seu inseparável companheiro Cristo-Rei e, no lado oposto, sobre as cúpulas de alguns edifícios da Baixa da cidade. Mas permite igualmente um olhar mais humanizado, uma vez que esta janela se enquadra nas traseiras de alguns edifícios de habitação.

Naquela “ilha” vive a intimidade de um pedaço da cidade, por vezes nua, por vezes crua, mas muitas vezes doce e soalheira. Há trinta e seis anos que acompanho o tempo a passar por ali, seja nos apartamentos que se foram renovando, seja nos edifícios que perderam a corrida do tempo a favor da degradação e das ervas daninhas, seja no envelhecimento natural dos seus habitantes ou, ainda, através da renovação de gerações, reveladas ao nosso olhar pelo minúsculo vestuário que de vez em quando aparece nos estendais.

E o tempo passou também por uma árvore de fruto, por uma nespereira, a razão de ser deste post. Vimo-la crescer, mas julgo que com os anos se tornou meio selvagem, uma vez que grande parte da copa está sobre telhados de difícil acesso. Talvez por isso, a maioria dos seus frutos secam e morrem na árvore.

Apesar de aparentemente abandonada, estou certa que é uma nespereira feliz, pois está enorme, apanha muito sol, produz imensos frutos e cumpre com rigor o seu ciclo anual de vida. Quando se inicia a Primavera algumas nêsperas já estão amarelas e maduras, começando a servir de alimento a várias espécies de aves que, em divertidas acrobacias, as saboreiam em vários momentos do dia.

Delicia-me assistir a este processo que se repete ano a ano. Por isso, num dia desta Primavera decidi tirar algumas fotografias através do vidro da referida janela, uma vez que todas as tentativas de a abrir resultaram em voos para parte incerta.

Em pouco tempo vi um periquito-de-colar…

 

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…e toutinegras-de-barrete jovens e adultas, cuja diferenciação reside, respectivamente, na mancha castanha ou preta que possuem na cabeça.

 

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Este adulto era um belíssimo cantor!

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Fotografei ainda um pardal…

 

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….e uma rola!

 

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Em momentos não registados em imagens, vi igualmente melros de bico amarelo, pombos e outros pássaros que não identifiquei. Mas estas fotografias permitem ter uma pequena ideia da actividade que se gera em torno daquela árvore de fruto nesta altura do ano. Estou certa que, para além da cor que empresta a este recanto escondido, esta solitária nespereira é um parceiro importante no ciclo de vida das aves que habitam esta área da cidade.

O futuro levará seguramente à repetição deste ciclo. E se a vida o permitir, serei espectadora e cúmplice por mais alguns anos.

Há rotinas que sabem bem!

 

 

 

los carpinteros

 

A criatividade de Los Carpinteros explodiu literalmente nas Carpintarias de São Lázaro.

Los Carpinteros são uma dupla de artistas cubanos – Marco António Castillo Valdés (1971) e Dagoberto Rodriguez Sánchez (1969) – que trabalham há alguns anos em conjunto e que foram recentemente convidados a expor uma das suas obras no interior de um edifício localizado perto da Praça do Martim Moniz, no centro de Lisboa, denominado Carpintarias de São Lázaro.

Como o nome indica, este espaço já esteve associado à indústria da madeira. Está inserido num edifício que ostenta uma fachada Arte Déco e as carpintarias encerraram nos anos noventa após um incêndio. Recentemente, por concurso público, foram cedidas à Associação Cultural Carpintarias de São Lázaro, a fim de lhes dar novo uso, uma nova vida, e aí desenvolver um centro artístico multifacetado e abrangente.

Show room foi a instalação escolhida para a inauguração e ocupa apenas uma parte desse enorme espaço ainda em bruto. Simula uma paragem no tempo durante uma explosão e os seus efeitos no interior de uma casa. A visão que nos proporciona, vale pelo impacto, pela surpresa e pelos pormenores que não foram descurados. Ali, não estão em causa aspectos estéticos ou a busca de beleza, mas sim uma exploração dos limites da criatividade e da imaginação.

O seu dinamismo está na ausência de movimento. Tudo se move sem nada mexer. Transmite-nos ainda a ideia de destruição, mas é do caos que pode sair algo de novo. Por isso, sugere a entrada de algo, quiçá de novas ideias ou energias, mas igualmente a abertura e a descoberta de novos caminhos, certamente todos aqueles que as renovadas Carpintarias de São Lázaro pretendem trilhar no âmbito da criação artística. E depois partilhá-los com a cidade, aumentando o seu crescente dinamismo e oferta cultural.

Esta primeira exposição estará patente até ao próximo dia 31 de Abril.

 

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antes da primavera

 

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Quatro meses separam estas duas fotos do Jardim 9 de Abril em Lisboa.

A primeira foi tirada no início de Novembro de 2016, num lindo dia de sol outonal; e a segunda no dia 1 de Março de 2017, num desagradável e cinzento dia de Inverno.

A vinha-virgem americana que cobre a estrutura circular perdeu todas as folhas, sendo agora um emaranhado de troncos aparentemente sem vida;  por sua vez, as flores outonais da árvore central, a paineira-rosa, transformaram-se em frutos/semente ovalares e com alguma dimensão, que pendem agora dos ramos despidos.

Este jardim perdeu a cor, aparentemente a alegria…mas na natureza que o habita está em latência a força da Primavera que começará em breve e que já é visível em alguns recantos.

Numa perspectiva algo feminina, gosto de pensar que nesta fase a natureza está “grávida” e aguarda tranquilamente o momento de eclodir e de mostrar o seu potencial, seja nos pequenos rebentos, caules e folhas que irão primeiro nascer, seja nas flores que mais tarde aparecerão.

Os dias, agora muito maiores, mostram igualmente esse crescendo de energia e de exteriorização.  Até as aves que habitam os nossos jardins, já revelam um maior dinamismo na sua forma de estar e comunicar.

É importante estarmos atentos a estas mudanças, na medida em que permitem um olhar diferente e revelador sobre a vida que nos envolve….inclusivamente quando a meteorologia não ajuda e os dias estão frios, chuvosos, cinzentos e aparentemente inertes nesta pré-Primavera!

 

 

meia noite

 

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Se ignorarmos algumas definições mais prosaicas da palavra tempo, a ele associamos as horas, os relógios e a tranquila rotação daqueles ponteiros que estão na origem de uma boa parte do nosso stress o que, por si só, é uma curiosa contradição…pois fugimos atrás de um tempo que é dado por um mecanismo que nunca tem pressa!

Entre relógios vivemos… e com relógios chegamos ao fim de mais um ano, sendo certo que o tão desejado segundo que faz essa transição pode ser vivenciado de inúmeras formas, das mais tradicionais às mais criativas. Em silêncio e solitariamente, ou no meio da confusão e da multidão, esse instante tudo aceita, privilégio de ser o mais importante e festejado dos 31 milhões e 536 mil segundos que tem um ano comum. Por isso, a maioria gosta de o festejar em pleno e de saber exactamente quando ele acontece, não gostando de desvios à hora TMG e ao famoso relógio/sino Big Ben que a marca.

Quem vive em Lisboa e gosta de iniciar o novo ano no meio de muita gente, tem sempre a hipótese de optar pela Praça do Terreiro do Paço, o “coração” da cidade. Contudo,  enquanto que a maioria das capitais disponibiliza um relógio à medida do acontecimento, ou seja, colocado a boa altura e bem visível por pessoas de todas as estaturas, a edilidade de Lisboa nunca se preocupou com essa questão. Normalmente esses últimos segundos do ano são projectados no écran de um palco montado para o habitual espéctaculo musical, sem qualquer impacto visual e impossibilitando muitos de os verem. Ao menos que esse relógio fosse projectado na parte superior do Arco da Rua Augusta… arco que curiosamente possui um relógio..mas no lado errado e, creio que avariado.

Porém…

…fiquei a saber recentemente que Lisboa possui um relógio que recebe a Hora Legal através de ligação por cabo com o Observatório Astronómico de Lisboa. É o relógio que se encontra desde 1914 na Praça Duque da Terceira, mais conhecida como Cais do Sodré. Esse relógio é o “nosso” Big Ben, só que está ao nível do chão e não dá badaladas.

 

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Seria muito interessante que a Câmara de Lisboa potenciasse este relógio e a sua Hora Legal dando-lhe uma visibilidade diferente. Com as tecnologias actualmente existentes, não seria difícil na noite de Ano Novo fazer a projecção do seu mostrador num écran grande e colocado bem alto… e associar-lhe um sinal sonoro (aos últimos segundos e/ou à meia-noite em ponto), como sucede com o relógio londrino que, tal como este, também não possui ponteiro dos segundos.

E então imagino…

… como seria interessante ver a habitual multidão que invade a linda praça do Terreiro do Paço a olhar para um relógio a sério, bem localizado e verdadeiramente certo com aquele que orienta o nosso tempo e a nossa vida. Porque, se temos que nos reger pelo tempo…então que o Ano Novo chegue bem vísivel e à hora certa!

 

Desejo um excelente 2017 para todos os meus leitores!