uma semana…

A imagem acima foi captada hoje ao nascer do sol, exactamente uma semana depois do conjunto de imagens que se segue e que, por diversos motivos, não consegui publicar no dia em que foi captado (quarta-feira, 18 Janeiro).

Como a beleza não tem data vou hoje partilhá-las, uma vez que a zona ribeirinha de Belém e os edifícios/monumentos que a pontuam são sempre um cativante lugar e um iman para o meu olhar.

Entre estes dois momentos…

…passaram precisamente sete dias;

…a terra deu sete voltas no seu eixo imaginário;

…nos relógios passaram 168 horas o que corresponde a 10 080 minutos;

…os dias cresceram alguns minutos, pois na foto de hoje o sol já nasceu nitidamente mais à esquerda do Cristo-Rei do que na imagem similar obtida no dia 18;

… as nuvens e a chuva desapareceram para dar lugar a dias muito frios e de céu limpo;

…centenas de aviões atravessaram este céu antes de aterrar no aeroporto de Lisboa;

…imensas pessoas passaram por aqui, simplesmente passeando, fazendo jogging ou andando de bicicleta/trotinete…

…e as aves que por aqui deambulam diariamente, como é o caso das gaivotas, guinchos, corvos marinhos, gansos do Egipto, pombos, melros, etc, continuaram as suas rotinas de sobrevivência.

Visto desta forma, sete dias parecem muito tempo…mas guardo a sensação que esses dias se esfumaram e quase não dei pela sua passagem, apesar de ser uma pessoa relativamente atenta.

Objectivamente esse tempo passou…passou mesmo…

…mas creio que ele correu mais rápido do que a minha Vida!

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ciclo de vida

Apesar de passar há muitos anos pela escadaria que une o Jardim 9 de Abril à Avenida 24 de Julho em Lisboa, nunca me tinha deparado com a imagem acima.

Estando a uma certa distância, o primeiro pensamento foi: “Que estranho, um monte de troncos com pequenas flores? Não pode ser! Nunca vi isto aqui!” Além disso estávamos em Dezembro…

Aproximei-me e de imediato percebi que se tratava de restos de tinta da parede que ficaram agarrados às gavinhas da vinha-virgem seca e recentemente arrancada. Entretanto olho para a parede em frente e encontro estes detalhes maravilhosos, que a máquina fotográfica que sempre me acompanha logo registou.

Achei estas imagens tão bonitas que, apesar de significarem o final de um ciclo, resolvi que iria estar atenta e registar o renascimento da trepadeira que sempre cobre uma boa parte da parede que suporta aquela escadaria.

Passou algum tempo até os novos rebentos aparecerem. Depois foi galopante o seu desenvolvimento, até a parede ficar parcialmente coberta.

A vinha-virgem é uma planta extremamente curiosa, característica que sempre a orienta para novos lugares e novas aventuras. Essa vontade de progredir levou-a a abraçar a grade que protege a escadaria e através desta atingir o patamar superior, cobrindo parcialmente os degraus dessa área mais elevada.

Esse enérgico avançar implicou uma verdadeira “dança-exploração” através das ferragens do corrimão sendo assim, replecta de vitalidade, que viveu todo o Verão.

Há poucos meses, com a chegada do Outono começou tranquilamente a alterar o seu aspecto e a adaptar-se às cores dessa nova estação.

Em pouco tempo todas as folhas secaram e caíram, apresentando-se assim neste início de ano….

…precisamente antes de ser arrancada e do momento que antecedeu a imagem inicial deste post, aquela que captou a minha atenção.

Em breve todos os troncos serão retirados da parede e a planta podada, para que na próxima Primavera volte a rebentar cheia de força e pronta a iniciar um novo ciclo.

Entre a primeira e a ultima imagem que hoje partilho passou-se basicamente um ano. Com ele fluiram as quatro estações e passaram doze meses no mundo e também na vida desta vossa interlocutora. Nada estará igual porque um ano é tempo bastante neste Viver.

Ainda guardo aquela espécie de encantamento que deu origem a este post, agora mais completo ao sentir que cumpri a “missão” de ser presença no ciclo de vida desta curiosa planta.

Presença que fui e serei…pois sempre que passar por este recanto de Lisboa, ela terá o meu olhar!

Boa semana!🤗

olá inverno!

Despeço-me do Outono com uma das imagens mais bonitas que ele sempre nos oferece: o amarelecimento e a queda das folhas das Gingko bilobas.

Lisboa tem pequenos núcleos destas árvores, mas creio que será o Jardim das Amoreiras, um aconchegante espaço localizado no centro da cidade, o que possui árvores de maior porte e oferece o espectáculo mais belo.

Visitei-o recentemente, sendo as imagens que hoje publico o resultado desse encantador momento. Ao entrar nele sentimo-nos num outro mundo e dimensão, seja pela cor seja pelo afago das folhas caindo em cada soprar do vento. Se o envolvimento geral é belo, os detalhes que o olhar encontra não o são menos. Pelo menos para mim.

O Inverno começa hoje, dia 21 de Dezembro as 21h 48m, e muito em breve despirá totalmente estas árvores. Aliás, algumas já não possuíam folhas quando lá estive, criando-se por vezes um contraste enorme entre árvores adjacentes. Como acontece connosco, também na natureza os ritmos de crescimento/envelhecimento variam dentro de uma mesma espécie.

É pois com muita cor que dou as boas-vindas ao introvertido Inverno. Oxalá ele aprecie e seja capaz de as sublimar em boas energias!

Desejo então que seja um aconchegante Inverno (infelizmente impossivel para tantos que neste momento sofrem grandes privações)….e já agora, que esta mudança de estação se revele calorosa para todos que vivem abaixo da linha do Equador e que hoje receberão o Verão!🤗

detalhes citadinos

Lisboa sempre nos oferece curiosos detalhes, seja qual for a área da cidade que nos acolha. O facto de profissionalmente me enquadrar entre as zonas de Santos e Alcântara, leva a que privilegie esse segmento da capital para os passeios que faço habitualmente à hora de almoço, seja a um ritmo activo ou mais tranquilo e fotográfico.

Nesse deambular passo inúmeras vezes pelas pequenas caravelas em pedra inseridas nas fachadas de algumas habitações desta zona da cidade, baixos-relevos cujo estado de conservação varia entre o bom e o bastante mau. Li que existem elementos deste tipo noutras zonas da cidade próximas do rio Tejo, mas ainda não os fui procurar.

Creio que ninguém saberá ao certo o seu verdadeiro significado, sendo várias as versões conhecidas. Uns dizem que estariam na fachada de edifícios onde habitavam pessoas cuja profissão estaria relacionada com o mar; outros afirmam que poderiam ser marcos sinalizadores relacionados com os limites do município, cujo símbolo tem por base uma caravela. Outras versões existirão certamente, mas deixo isso para historiadores e especialistas na matéria.

Eu prefiro o papel de observadora destes curiosos detalhes que pontuam a cidade e de deixar a imaginação “navegar” com eles por onde quiser. O importante é constatar que ainda persistem, sendo um legado que temos a obrigação de cuidar, preservar, apreciar e partilhar.

Calçada da Pampulha nº 4 e Rua Presidente Arriaga nº 124

Rua Presidente Arriaga, nº136/138 e nº142

Rua Presidente Arriaga, nº150 e nº152/154

Rua Presidente Arriaga nº172, e Rua Prior do Crato nº40

Rua Prior do Crato nº175 e Rua da Costa nº43

Rua da Costa nº63 e Travessa da Costa nº81

Com um enquadramento diferente, outras caravelas podem ser vistas nesta zona, como a existente no Fontanário nº10 localizado da Praça da Armada e ainda na fachada do nº19 da Calçada do Livramento, esta de maior dimensão e creio que bem mais recente.

Estas imagens mostram claramente que alguns destes elementos se encontram em mau estado de conservação e que não tem havido cuidado na sua preservação. Se a erosão e a poluição são importantes factores de desgaste, também a incuria humana tem dado uma boa contribuição. Aliás, a presença de cabos electricos e de telecomunicações colocados sobre alguns estes baixos-relevos é bem demonstrativa disso.

Numa pequena investigação que fiz encontrei referência a outras caravelas…mas in loco não existiam, provavelmente porque as fachadas dos edifícios foram remodeladas e/ou esses elementos entretanto retirados.

Antes de terminar, gostaria ainda de referir que a imagem que inícia o post é um detalhe da fachada da habitação nº10 da Rua da Costa e que a zona da cidade onde todos estes elementos se encontram está assinalada no mapa abaixo.


Neste vaguear recolhi outro tipo de detalhes que oportunamente poderão dar origem a uma publicação de titulo semelhante mas de conteúdo bastante diferente.

para amenizar o olhar…

Com nevoeiro ou céu azul, as gruas continuam ali impávidas e metálicas perturbando certamente muitos olhares. O meu, como já partilhei aqui, é um deles. Ponto final.

Porém…e porque há sempre um “porém” que inventamos para tentar amenizar as questões que tendem a perturbar-nos, apercebi-me há poucos dias que, quando o sol se encontra a oeste – portanto na parte da tarde – as quatro gruas-gigantes que se intrometeram no meu olhar ficam mais “simpáticas” pois adquirem uma cabeça, um rosto e, vejam só, também uma boca aberta!

É então com um sorriso um pouco amarelo a rondar-me as emoções que nessa altura do dia eu consigo ver esta parte do porto de Lisboa invadida por quatro gigantes criaturas com pernas/corpo…um enorme pescoço e, na face, talvez um grito de desespero… talvez um sorriso….não sei. Na verdade, não percebo nada sobre as emoções de gruas gigantes!

Há um provérbio que diz ”se não consegues vencê-los junta-te a eles”. Eu não me irei aliar porque definitivamente não compreendo a sua localização nesta zona de Lisboa. Apenas tento coabitar…e nessa tarefa a imaginação pode ter muita, mas muita força.

Desejo um bom fim-de-semana!🤗

por abril

Começa Abril com o estranho “dia das mentiras” (e subsequentes verdades) e com o orgulho de ser o primeiro mês cheio de Primavera.

Entre muitos outros provérbios, a sabedoria popular diz  “em Abril águas mil” e “ao princípio e ao fim, Abril costuma ser ruim”…..bem… que venham as águas mil e até um tempo ruim, mas que a ruindade não passe disso, pois já basta a que grassa pelo mundo. Sobre isso, poderia rapidamente elaborar uma lista de más notícias, em várias áreas, de âmbito local, nacional e especialmente internacional. Mas não, não quero ir por aí neste primeiro dia de Abril, mês de bela e fluida sonoridade e de muitas energias em latência que pairam por aí….

Na Natureza…

…campos e prados estão a ficar lindos e cheios de flores!

…árvores e arbustos já exibem os novos rebentos e o desabrochar de pequenas folhas cheias de vontade de crescer;

…muitos animais estão concentrados nos seus ritos de acasalamento. Aves e insectos –  talvez os mais fáceis de observar – estão em pleno namoro. Aliás, basta observar os pombos que abundam nas nossas cidades e jardins e ver o rodopio dos machos em redor das fêmeas. Dá para perceber que pode ser bastante difícil conquistar uma mulher!

Por esta Europa…

…acredito que a energia primaveril de Abril poderá minimizar as dificuldades de integração de milhões de refugiados ucranianos especialmente neste hemisfério norte. É apenas um detalhe, é certo, mas é algo que poderá contribuir positivamente para a força dos que estão a ser ajudados e de todos aqueles que solidariamente os apoiam;

…as temperaturas de Primavera serão igualmente uma grande ajuda no controle da pandemia, seja na diminuição drástica do número de casos ainda activos, seja no regresso ao equilíbrio que tanto se deseja.

Pelos nossos dias…

… acredito que as energias de Abril – em Portugal muito associadas à ideia de Liberdade – surjam em força e em todo o seu potencial. E que no campo da criatividade, os espectáculos, as exposições e todo o género de eventos acelerem o processo de reabertura/ expansão e voltem em pleno ao vigor pré- pandemia;

…em Lisboa, já são muitos os turistas que vagueiam pelos recantos da cidade, no geral muito encalorados e vivendo o seu Verão na nossa Primavera. Entre jovens e menos jovens, é bom ver a disponibilidade que os guia e a atenção que dão a detalhes já indiferentes à rotina dos nossos olhos e dos nossos dias. São sangue novo nas artérias da cidade!

E por aqui…

…com os período de férias já definidos em Março, Abril é naturalmente um mês de fazer o balanço entre o que se gostaria de concretizar e as possibilidades reais. Um mês em que a “liberdade” fica mais próxima e o desejo de férias começa a minar o pensamento;

…Abril será o mês de aniversário do Discretamente. Seis anos será a conta. Um tempo importantíssimo na minha vida e na minha estabilidade criativa.

…por fim, habita-me um desejo maior, que creio será de todos nós: que Abril “ilumine” as mentes obscuras de alguns e seja berço daquele momento que o mundo tanto anseia: que a paz e a estabilidade regresse rapidamente a este velho continente!

Caro Abril, com a tua energia primaveril…sê um mês gentil!🤗

(Foto captada hoje, dia 1 de Abril, ao nascer do dia na zona de Belém, Lisboa)