eclipse

 

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Gosto de olhar para o céu e de apreciar o que ele me oferece, seja para alimentar a minha vertente de meteorologista ou aquela parte de mim mais sensível, “aérea”, criativa e que me leva facilmente a divagar.

As nuvens, as tonalidades do céu, o ciclo do Sol, a noite e as estrelas, ou a Lua nas suas fases, provocam-me naturalmente momentos de paragem e de quietude. Por vezes de reflexão mais profunda, dependendo da “fase” em que me encontro.

Ontem, perante a perspectiva de um eclipse de Lua total e a previsão de um céu sem nuvens, aliei-me ao evento de alma e coração, aproveitando o facto de minha casa ter uma ampla vista para oriente. Montei então a máquina fotográfica no tripé e acompanhei este momento astronómico, tendo em conta as limitações do equipamento que possuo.

Mas isso era realmente o menos importante, porque em qualquer jornal ou noticiário de hoje aparecerão imagens lindíssimas e perfeitas da Lua e do seu eclipse total. O que me agrada mesmo é o facto de ter presenciado atentamente algo que, com estas características já não se repetirá no meu tempo de vida, e de o ter registado passo a passo, o que ainda não acontecera nos meus sessenta anos de existência.

As imagens registam, mas a memória não esquecerá. E neste tempo de vida do eclipse, à medida que o sol ia iluminando a Lua pensei em muita coisa. E pensei na minha vida…na vida de cada um de nós… e na importância de tentarmos transformar e/ou sublimar em Luz aqueles lados mais escuros que nos constroem. Passo a passo… como a sequência de imagens que ontem captei.

 

luas

 

Marte, o planeta vermelho, foi o guardião da Lua nesta aventura, apenas especial para o humano olhar. Subiu o horizonte perto dela e, muito brilhante, manteve-se a seu lado após o eclipse.

Tranquilamente, a Lua, Marte e este pontinho de terra que nos abriga continuarão as suas rotas neste infinito espaço. E nós, mais ou menos tranquilos, continuaremos as nossas vidas.

 

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Que este seja um tranquilo fim-de-semana!

 

 

 

borda d’água

 

Equinócio de Outono a 22 de Setembro às 15h 21m….
Lua cheia às 20h 05m….
Eclipse penumbral da lua a 16 de Setembro….
Dia Internacional dos Assistentes Virtuais…
Dia de S.Crescêncio e de Sta Anastácia….
Tempo instável….tempo variado…
Enxertar damasqueiros, cidreiras…..no jardim, semear amores-perfeitos…

 

Capturar

São estas e outras informações de um leque bem mais vasto, que o almanaque Borda d’Água disponibiliza há oitenta e sete anos. Sou fã desse folheto porque, de certa forma, ele simboliza o outro lado desta nossa sociedade em que o virtual e o electrónico tem o primado.

Compreendo que para esta nova geração ele não tenha sentido. Talvez o possa ter apenas pelo seu estilo retro, na medida em que é uma publicação de hoje com características e design do passado. No geral, já não lhes interessa saber em que fase está a lua ou qual é a altura ideal para plantar a salsa ou as batatas. A lua não lhes dá nada de objectivo e a salsa ou as batatas compram-se no supermercado. Aliás, para uma grande maioria (porque felizmente há sempre excepções!) o seu olhar apenas é cativado para o conteúdo dos pequenos écrans dos iphones e smartfhones, e já não perdem tempo a olhar para o céu. Muito menos lhes interessará saber que é dia de S. João Nepomoceno, de S. Atanásio ou de Sta Eufrosina, ou ainda que é Dia Nacional dos Moinhos, dia Mundial do Olá ou Dia Internacional da Voz. Também é certo que a previsão meteorológica dada pela app do meteo será bem mais fiável do que o “tempo variado ou instável” do Borda d’Água.

Eu também não planto batatas nem salsa e vou ao site do IPMA ver o tempo, mas aprecio especialmente a “poesia” do Borda d’Água!

Logo nos primeiros dias de Janeiro, começo por gostar de lhe cortar as páginas que vêm unidas, numa espécie de ritual de saudação ao novo ano que está a começar; gosto dos sons das palavras que emprega, tantas já fora do nosso vocabulário; gosto dos estranhos nomes dos santos atribuídos a cada dia do ano, ou quando ele indica que o tempo vai estar chuvoso e eu olho para a janela e o dia está lindo; gosto da linguagem deliciosa das suas previsões astrológicas para o ano a que se refere, ou ainda, no oráculo de cada mês, a forma como descreve cada signo e diz, por exemplo, que as mulheres de Maio, “são formosas e bem proporcionadas, meigas e sensíveis….”, ou que os homens de Julho são “…altivos, orgulhosos e valentes, generosos, boas maneiras e boa figura”; gosto de saber que existem dias mundiais de tudo e mais alguma coisa, que aquela figura histórica, poeta ou artista nasceu ou faleceu naquele dia (muitas vezes, o Google também os recorda na sua página inicial); gosto de saber que as pessoas que não conheço e que vivem nos recantos deste pequeno país, como por exemplo, no concelho das Lajes das Flores ou em Amares, têm feriado em determinado dia e que, por isso, estão cheias de sorte e não vão trabalhar; e gosto ainda de muitas outras coisas que ele nos conta por apenas 2,10 euros/ano!

Mas gosto especialmente de o ter no meu placard e de lhe dar uma olhadela pela manhã antes de sair de casa ou sempre que me apetece. Porque todos os dias tem algo para me dizer ou fazer sorrir!