por vezes…

 

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…as circunstâncias que nos cercam envolvem-nos uma teia de pensamentos, receios e até culpabilizações sem sentido.
Facilmente ficamos enredados nesses meandros, desfocados da realidade, esquecendo que somos luz e iluminamos outros e, mais importante ainda, que uma Luz maior sempre nos envolve.

São os momentos sombra. Que passam, como tudo na vida.

 

 

 

 

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pela cidade

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Num calmo caminhar,
sigo a sombra
do meu andar.

Mas para trás
a sombra rodou,
porque uma luz
se aproximou…

…por pouco tempo…

…ao passar o candeeiro
sorrateira,
para a frente ela voltou.

E assim
neste dançar,
percorremos de luz em luz
aquela rua da cidade,
num jogo de partilha
e de alegre
cumplicidade.

No ar…

… o som do meu caminhar
… a luz da noite
e o silêncio de um par
que nunca me irá deixar!

 

 

(Dulce Delgado, Abril 2018)

 

 

 

talvez…

 

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Gosto da sublime ideia de que existe algo, talvez uma energia…talvez uma luz …talvez um anjo…talvez uma estrela…que nos acompanha, protege, alerta e orienta em determinados momentos.

Por vezes estará perto, muito perto de nós; noutros, ficará bem mais longe, apenas a “observar”… um pouco à maneira dos “anjos” do filme As Asas do Desejo de Wim Wenders. Mas gosto de imaginá-los como energias transparentes ou luminosas….

…dissolvidas na luz que entra na janela e inunda uma casa…

…voando na aragem sentida de um vento que não existe…

…na sensação de uma presença ausente…

…naquela forte intuição que nos ajuda a decidir…

…na intranquilidade que nos leva a procurar…

…nas situações de perigo em que um efémero segundo nos salva…

…naquele inexplicável sentimento de alegria…

…na estranha repetição de determinados sinais…

…no inesperado abanão que nos desperta de um adormecimento acordado…

 

Qualquer sentir é discutível, porque é apenas pessoal.

Para alguns de nós, a vivência e a experiência dá a esses sentires determinada explicação; para outros, a explicação estará noutra razão; nos mais cépticos, provavelmente não haverá explicação; e noutros, o sentir nem chega a ser sentido ou a ser razão.

A verdade, é que todos estamos certos.

 

 

poema ao novo tempo

 

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Quero um poema
puro
simples
e humano,
para receber o Novo Ano.

Quero-o límpido
diáfano
de luz,
doce de sentir
e fácil de espalhar,
com o meu
o teu
e o nosso olhar.

E com ele sermos faróis
fontes de luz
e de paz,
capazes de iluminar
as névoas que sempre
pairam
neste imenso habitar.

Não,
não é utopia,
apenas um desejo
semente
a receber um novo tempo,
para cultivar com amor
regar
e cuidar em cada dia!

 

Que 2018 revele o que profundamente desejam para vós e para o mundo!

 

 

(Dulce Delgado… no último dia de Dezembro de 2017!)

 

 

 

 

momentos especiais

 

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Tranquilidade, é o adjectivo mais adequado para caracterizar a costa alentejana, sentimento que se inspira nas suas vastas praias mas igualmente em áreas adjacentes, sendo sempre um prazer ali voltar para rever ou conhecer novos lugares.

Por vezes, as circunstâncias levam-nos a visitar determinados locais na hora perfeita, sendo a luz existente uma mais-valia na percepção das suas potencialidades. Foi o que sucedeu no dia em que fizemos o Percurso da Casa do Peixe, inserido na área da Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha, uma zona húmida localizada a norte de Sines.

A luminosidade da tarde espalhou sobre a paisagem um tom laranja-prateado que aqueceu o nosso olhar e criou contrastes perfeitos. Apesar de curto, este percurso misturou a ruralidade da zona com a dinâmica da vida da lagoa e das imensas aves que a habitam, nomeadamente uma colónia de flamingos e de muitos galeirões.

Porque as palavras são limitadas, deixo algumas imagens reveladoras do passeio, do nosso sentir e daquele fim de dia. Brevemente voltaremos àquele lugar. Disso estamos certos.

 

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Desejo a todos uma luminosa semana!

 

de olhos fechados

 

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De olhos fechados…
…não há mar
céu
ou areia
a entrar no meu olhar.

Fica a brisa a me tocar…
…e o sol,
a luz do sol
nas pálpebras a vibrar
a entrar sem entrar,
pintando imagens sem forma
intensas como o fogo,
quentes,
fortes e tão presentes,
que as agarro neste divagar.

Aqui,
neste lugar,
é tão fácil sentir a paz
que a brisa suave me traz,
e o poder da luz solar
num profundo,
mágico
e intenso afagar!

 

 

(Dulce Delgado, Outubro 2017)

 

 

 

dança de luz

 

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No último fim-de-semana a vila de Cascais, localizada na região da Grande Lisboa, iluminou-se para a 6ª edição do Festival de Luz – Lumina, que este ano teve como tema a Natureza. Neste post vou apenas referir uma das vinte obras apresentadas nesta edição porque, na minha perspectiva, foi a que melhor homenageou e valorizou a temática do festival.

Recorrendo a lasers, fumo e vento, o português Telmo Ribeiro criou numa grande área do Parque Marechal Carmona um tecto de luz e de cor formado por planos que aparentemente se moviam sobre nós, justificando perfeitamente o título Underlight que deu à instalação. Por outro lado, a intersecção destes planos com as árvores e outro tipo de vegetação existente no jardim, davam origem a um lindíssimo jogo entre a luz e a sombra.

A tecnologia, na sua mais vibrante expressão, nada tem a ver com a vibração da mãe natureza. Porém, em muitos momentos este artista conseguiu o objectivo de nos transportar até aos pólos deste planeta e simular a sensação de estarmos perante uma aurora boreal (ou austral), certamente um dos mais bonitos fenómenos naturais que se conhece.

Nunca tive o privilégio de assistir a um evento desse tipo e, sendo realista, será pouco provável que tal venha a suceder. Contudo, a experiência vivida naquele lugar e que me conseguiu deslumbrar será, até ver… a “aurora boreal” da minha vida!

 

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As imagens acima não são reveladoras da realidade porque lhes falta o essencial: o movimento. Tentei fazer um vídeo, mas não resultou. De qualquer forma, creio que o seu conjunto permite ter uma ideia das características da obra em causa.