vida respirada

 

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Perceber o que é Viver,
este Estar
e este Ser,
é tudo o que queremos saber.

Gosto de sentir a Vida
como um acto de respirar,
como um fôlego que entra em nós,
alimenta
cresce
e vai,
para um dia talvez voltar.

A vida seria então um profundo inspirar …

…de sensações sentidas
entre a dor e o amor,
de saberes e presenças
momentos e experiências,
e da emoção,
talvez longa
talvez efémera
de estar nesta construção.

E seria um expirar…

…de pensamentos viajantes,
palavras ditas no ar
sorrisos ténues ou vibrantes,
e de gestos,
de tantos e tantos gestos que são nossos
sem pensar!

Inspirar… Expirar…RESPIRAR…

E no fluir deste Respirar
somos Vida,
resistência
luta
partilha
afectos,
e solidão também.

Mas mais do que tudo
somos,
uma sublime energia
vivendo a aventura
deste acto de magia!

Eu,
tu
e todos nós!

 

 

(Dulce Delgado, Abril 2018)

 

 

 

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ver e não ver

 

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Seguindo ou não as tendências da moda, uns óculos conectam-nos com o mundo quando os nossos olhos já não cumprem autonomamente a sua função. Adaptados com lentes monofocais ou progressivas permitem-nos ver o que queremos e o que não queremos e, de certa forma, também a controlar algumas “inseguranças” ao percebermos mais claramente todos os detalhes que nos rodeiam.

Sendo totalmente apologista do conforto, há muito que uso lentes progressivas, tecnologia que me agradou desde o primeiro instante e com a qual tenho uma forte relação de cooperação e empatia. Ao focar tudo sem necessidade de mudar de óculos, seja o que está próximo, a média ou a longe distância, esta opção permite-me ainda não os perder pois estão sempre no sítio certo.

Mas todas as relações, mesmo as mais próximas e intimas, não são perfeitas. Aprecio a verdade com que os óculos alimentam o meu olhar sobre o mundo, mas há um momento em que me dá um prazer especial traí-los e não os ter colocados. Acontece durante os momentos de higiene, quando me vejo ao espelho e ele me devolve a imagem de uma pessoa bem mais jovem, sem rugas e sem outros detalhes que não vou aqui especificar.

O espelho torna-se mágico! Faz-me sentir mais bonita e por momentos ficar mais próxima da idade interior, da minha real(idade), daquele modo de ser que permanece e que nos faz sentir sempre jovens. E nesses momentos, recordo muitas vezes uma frase de minha mãe, proferida pouco tempo antes de falecer, aos 71 anos: “Filha, eu não percebo…sinto-me ainda uma criança!”

Depois…

… bem…depois acaba a magia do espelho! Coloco os óculos, começa o dia e continua a vida. Quando volto a olhar para ele, já com óculos, sorrio com toda a ternura para aquela quase sexagenária que está ali, também a sorrir para mim….

…que outra coisa poderemos fazer?

 

 

páscoa

 

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Eles não são propriamente discretos como este blog aprecia, mas bastante vistosos, coloridos e algo kitch. Contudo, são umas boas almas que vivem felizes na minha casa no meio de uma colecção de muitos e variados coelhos.

Esta é a sua época de eleição, em que andam por aí numa azáfama a distribuir ovos, amêndoas, desejos e magia. A cenoura não, essa é só deles!

Pedi-lhes para aparecerem no Discretamente e, com alegria, desejarem a todos…

… uma doce Páscoa e uma tranquila vivência deste tempo de passagem e transformação, afinal a ideia que alicerça esta época;

… que essa renovação seja sempre no sentido positivo e para algo de melhor, mesmo que mínima e muito subtil;

E ainda…

… que todos os vossos desejos sejam doces… já bastam os “amargos” que vagueiam pelo mundo!

 

 

 

 

olhar neblina

 

nebla

 

Atraente,
espreguiça-se a praia pela beira-mar
levando consigo o meu olhar.

E ele vai,
leve
livre
feliz
voando pelo ar
ou nas ondas a saltitar.

Ao longe,
encontra as neblinas
e com elas se envolve
num breve dançar.

Muito breve…

…depressa ele se esfuma
na magia do ar,
perdendo-se
na luz
na maresia
e no amar,
belo e com sabor a sal,
que une a areia e o infinito mar!

 

 

(Dulce Delgado, Agosto 2017)

 

 

pirilampo mágico

 

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Dentro de alguns dias termina a campanha do Pirilampo Mágico 2017, este ano com o lema Queremos voar. Cada pirilampo que adquirimos é uma pequena ajuda, muitos são uma grande ajuda.

Este ano a campanha faz trinta anos, o que significa que já nasceram trinta pirilampos diferentes e coloridos, que andaram para aí a “fazer magia” com o objectivo de ajudar os que têm mais dificuldade em se integrar na sociedade.

Não tenho todos os Pirilampos Mágicos, mas tenho os suficientes para fazer esta imagem de família, sendo o da frente o herói de 2017.

Considerando desde sempre que esta campanha solidária é uma ideia luminosa e que os pequenos peluches são uma ternura, também este ano a refiro neste blog a fim de relembrar quem ainda não colaborou, que o pode fazer até ao próximo dia 28 de Maio.

Não custa nada…e é uma grande ajuda!

 

 

sintra…

 

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Existem lugares que ficam connosco. Para sempre. Mesmo que a sua dinâmica se altere com a passagem do tempo, guardamos a emoção sentida, o que nos deram, o que neles deixamos. No fundo, guardamos a sua energia e, estou certa, também esses lugares guardarão num qualquer recanto, um pouco de nós.

Sintra e a sua área envolvente, é um desses lugares de memórias e de emoções. Aí passei vivências únicas na minha juventude, fiz amigos que se mantêm, namorei, casei, vivi, e os meus filhos passaram parte da sua infância.

A Sintra que tenho na memória, não é seguramente a Sintra de hoje, em que prevalece a vertente turística e com ela uma visão bem mais economicista da região.
Retenho uma Sintra ao natural, espontânea, com portões mas sem barreiras. Recordo a naturalidade e a facilidade com que tantas vezes subíamos ao castelo apenas pelo prazer de ver o pôr-do-sol, ou como os verdes e as neblina tinham um cheiro que nos invadia, que era único e que não se esquece; recordo os atalhos e os caminhos não sinalizados que nos chamavam e que sentiamos envoltos numa certa magia; recordo as pequenas plantas selvagens que colhi num muro e que depois de colocadas em terra, se tornaram nos primeiros vasos de uma paixão que hoje persiste; lembro com emoção e quase com um arrepio, os penedos que eram escalados em aventuras mirabolantes pela energia de uma juventude pouco alimentada pela racionalidade, mas bastante permeável à força que a serra transmitia; e lembro ainda uma serra onde se fazia campismo no meio do nada apenas pelo prazer de estar isolado, entre verdes, silêncio e nevoeiro.

Na minha juventude, Sintra foi um modo de estar, uma filosofia e um forma diferente de pensar a vida. Ela foi ainda o som de uma guitarra e o calor de uma lareira em redor da qual a amizade e as grandes conversas eram acompanhadas por chá quente e torradas, ou pelas castanhas, assadas e saboreadas no momento.

Mas Sintra também era a humidade que se sentia nos lençóis ou o cheiro a mofo que as casas detinham. Sintra era o frio e o desconforto, mas igualmente o aconchego e a energia.

Afastei-me da sua área geográfica há mais de vinte anos. Porém, quase todos os dias e sempre que o ângulo o permite, o meu olhar procura o contorno da serra como se fosse um elemento da família. Gosto de a ver límpida, nítida e cheia de luz, mas também tapada pelo nevoeiro ou com um manto de nuvens descansando nos seus montes, como se um nevão a cobrisse de branco.

Continua bonita, com um perfil único e de matizes que variam todos os dias. Persistem os recantos encantadores e é sempre um lugar a que volto. Mas a envolvência humana e agitada que vive na actualidade dificilmente permite senti-la como nos tempos em que era “a nossa serra”. Agora é preciso procurar muito mais para tentar encontrar a calma e a  magia que emanava noutros tempos.

Sintra e a sua serra evoluíram…e eu envelheci. Porém, os seus lugares e a sua energia estarão sempre no meu caminho. Até ao fim.

 

 A fotografia é da autoria de José Oliveira, com quem partilhei Sintra e a serra durante muitos anos. Hoje, este perfil continua a fazer parte do seu olhar de todos os dias. Obrigada por partilhares comigo este post!