ir… e voltar!

Solto um inquieto pensamento
que a brisa leva,
simplesmente.

Nesse voar…

…um pássaro os pressente
e sorri para esse vento

… as folhas da árvore agitam
num aceno doce e lento

…e ao passarem sobre o mar
provocam o seu ondear!

Depois de muito viajar
pede o pensamento à brisa
para casa o levar…

…e ele regressa ao meu pensar,
agora mais calmo e tranquilo
depois da liberdade provar!

Dulce Delgado, Janeiro 2023
(Poema nascido de um imenso olhar que atravessou a janela da sala onde trabalho e me levou para bem longe ………
Ainda bem o fim-de-semana está  por perto!)

Que seja um tempo tranquilo para todos!🤗

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mar do meu olhar

Enormes,
as ondas envolviam-se sobre si
num aconchego ao espaço
e olhar para o interior.

Crescendo em tamanho e força
libertavam um véu
que se desfazia no tempo
no vento
no mar
e no espanto do meu olhar!

Por fim,

a explosão
e a festa do branco,
um campo de espuma
como um campo de neve,
sem desaparecer
sem nunca deixar de ser!

Apetece tocar…
Apetece fugir…

Estranho o mar
e as suas formas…
…estranhos os sentimentos que me provoca!

Sempre presente na minha vida,
querendo o meu sentir
agarrando o meu fugir,
não me permitindo deixar de olhar.

Porque é mar
de amar…

…e porque eu tenho medo!

Para este Dia Mundial do Mar (26 Setembro)…
…partilho mais um poema antigo, não datado, mas sempre actual no meu sentir…e a acompanhá-lo uma imagem obtida em 2017 na Praia da Costa Norte (ou Guia), em Sines.
Estavam umas ondas belas, assustadoras e inesquecíveis!  

pela ilha da Madeira (II)

Neste segundo post abro horizontes sobre a generalidade das paisagens da ilha, teoricamente uma abordagem que teria mais sentido num primeiro texto. Porém, uma vez que os trilhos/levadas/caminhadas foram o grande objectivo destas férias, achei interessante dar-lhes a devida prioridade.

Para os que conhecem a Madeira, nada de novo irei acrescentar. Para quem não a visitou, talvez abra o apetite a uma futura exploração. Farei uma abordagem simples, baseada na diversidade de ambientes e lugares que a ilha oferece especialmente a quem circula nas suas vias mais tradicionais. Acrescente-se que, por ser bastante montanhosa, nas últimas décadas foi “perfurada” por dezenas de túneis que permitem percorrê-la com alguma rapidez e sem a obrigatoriedade das curvas e contracurvas ou das subidas e descidas tão características da maioria das estradas nela existentes. Digamos que disponibiliza dois tipos de vias completamente diferentes que se complementam muito bem consoante os objectivos da deslocação.

Comecemos pelas zonas mais montanhosas, relevos belos e majestosos com encostas abruptas e vales profundos. Aqueles lugares onde nos sentimos mais perto do céu, do sol, das nuvens/nevoeiros e palco de magníficas paisagens. Alguns dos percursos destas férias foram centrados nessas zonas de maior altitude, sendo que um deles nos permitiu chegar ao Pico Ruivo, o mais alto da ilha com os seus 1862 metros.

Muitas destas elevações são solo da típica floresta laurissilva já referida no post anterior. Noutras regiões encontramos bosques formados por grandes árvores, vastas zonas de mato, prados para pastagens, etc.

Na vertente sul especialmente, as bananeiras são rainhas e estão presentes em qualquer recanto ou quintal, muitas vezes plantadas em socalcos devido ao declive do solo.

Na foto que se segue, tirada de um miradouro localizado a oeste da Madalena do Mar (uma vila com um nome que eu considero lindíssimo!), é bem perceptivel a vasta área cultivada com bananeiras e como essa cultura penetra todos os instertícios de solo disponível.

A periferia da ilha caracteriza-se por uma costa norte mais escarpado apesar da arriba mais alta e vertical se encontrar a sul, no cabo Girão.

As fajãs e enseadas vão pontuando aqui e ali esse encontro da terra com o mar, através de uma linha de fronteira onde impera o negro calhau rolado e a espuma branca do mar. A forma de aceder a algumas dessas fajãs que nasceram na base de grandes arribas é unicamente por teleférico ou, muito dificilmente pelo mar.

As praias existentes na linha de costa são maioritariamente em calhau rolado, sendo poucas as que foram privilegiadas com a macieza da areia. Uma delas aceitou inclusivamente areia clara do deserto marroquino como forma de se embelezar e agradar.

A escassez de áreas de banho confortáveis e seguras levou ao aproveitamento de espaços existentes entre rochas a fim de se criarem piscinas naturais ou semi-naturais. Algumas, diga-se em boa verdade, são bem apetecíveis.

Seja no interior ou junto ao mar, as cidades e vilas pontuam o espaço, por vezes de uma forma muito harmoniosa. As igrejas e suas torres, sempre presentes, simbolizam aquele lugar de fé, de encontro e de ligação com algo superior. Uma fé que pode ter formas bem opostas de se materializar, como revelam as duas ultimas fotos do bloco de imagens que se segue.

Quando os lugares oferecem olhares especiais e a beleza transpira em cada recanto, os miradouros nascem quase naturalmente em lugares estratégicos para que essa beleza possa ser usufruída. É desta forma que volto à imagem que inicia este post e captada num dos miradouros mais bonitos da ilha da Madeira, o miradouro da Portela.

Outras imagens hoje publicadas foram igualmente captadas nesses lugares de amplo alcance. Sendo a Madeira uma ilha, o mar está quase sempre presente como oferta adicional. Azul, profundo, infinito….e normalmente com algumas nuvens por companhia!

A Madeira vive na vizinhança de outras ilhas: a nordeste o Porto Santo e a sudeste as Desertas, estas últimas classificadas como Reserva Natural e, na realidade, uma espécie de prolongamento da península de S. Lourenço localizada no extremo oriental da ilha principal. A separá-las, alguns quilómetros de mar azul.

É com esta região que termino o post de hoje. Na verdade, as ilhas Desertas pousaram amiúde no nosso olhar… mas não são visitáveis. Já a aridez da Ponta de S. Lourenço foi parcialmente calcorreada num passeio que contrastou profundamente com o verde, a água e a humidade tão presentes nos restantes dias e percursos.

Diria que a beleza desta zona está na sua vastidão, no tipo de relevo, na geologia…e no facto de ser diferente. E fez-nos sentir que o contraste é sempre uma boa forma de valorizar cada um dos lados!

Voltarei à Madeira com outros detalhes!

Mapas retirados de
https://www.madeira-web.com/pt/mapas.html e Google Maps

mar emoção

Mar
emoção
pleno de vida
grávido de ondas e energia
reflexo do meu coração.

Ondas crescentes
acariciam o mar azul
invadem o meu corpo
penetram os meus sentimentos.

Depois de tanta ternura
a alegria da explosão,
na pele do mar vivi
o gosto da aventura!

Numa fusão entre águas
dilui-se a espuma no azul sereno,
alimentando o sonho eterno
dos amores que não deixem mágoas.

(Dulce Delgado, poema antigo, não datado)

entre praias

Se há passeios que me preenchem são os que se desenrolam à beira-mar em tempo de maré vazia.

Adoro aquele transpirar salgado e húmido da areia molhada… as linhas de água que escorrem para o mar esculpindo a área de vazante… as rochas, pedras e conchas… as marcas deixadas na areia pelas aves…mas igualmente o som das ondas ou as ténues neblinas que nos envolvem. E adoro o cheiro que tudo emana e que tem o dom de me transportar para uma infância/juventude bem recheada de momentos semelhantes…mas em que a natureza, nomeadamente a flora e a fauna marinha, era então bem mais efusiva e rica em detalhes. Objectivamente, gosto de tudo o que a baixa-mar nos oferece!

Sempre com o Atlântico no olhar, recentemente realizamos um agradável passeio entre a Praia do Magoito e a da Aguda, ambas localizadas no concelho de Sintra. Este passeio ocorreu no dia do equinócio de Outono, mais precisamente a 22 de Setembro último, sendo uma belíssima forma de dizer adeus ao Verão e de dar as boas-vindas ao Outono.

Partilho hoje algumas imagens mais gerais desse percurso, ficando para outro post que publicarei em breve os pormenores que tanto aprecio.

Percorrido o areal até à praia da Aguda, subimos a grande escadaria que permite chegar ao topo da arriba, sendo o regresso ao ponto de partida realizado num trilho aí existente.

O passeio terminou com a chegada ao ponto de partida. Adoramos o percurso e ficamos com vontade de explorar outras zonas costeiras da região.

Antes de concluir porém, gostaria de partilhar alguns dados sobre a geologia desta área.

Enquanto que a arriba da zona percorrida é essencialmente formada por “uma sucessão de camadas quase horizontais de calcários argilosos e margas”, na praia do Magoito a arriba é uma duna consolidada, ou seja, “uma duna costeira formada pela acumulação de areia por acção conjugada do mar e do vento. Esta duna fóssil corresponde a um estádio do processo de evolução da areia solta para a rocha arenito, processo que dura milhões de anos. A duna consolidada do Magoito foi formada há cerca de 10 mil anos.

A imagem que se segue e última deste post mostra relativamente bem essas características geológicas. Na verdade “podem observar-se laminações oblíquas, que permitem determinar qual a direcção em que sopravam os ventos aquando da formação da duna.»*

Também aqui a natureza nos mostra os seus dotes de escultora!

Boa semana!

 

 
* Informação retirada da Wikipédia 

de volta (II)

O corpo e a mente não acompanham ao mesmo ritmo o regresso ao trabalho no pós-férias.
O primeiro adapta-se melhor e rapidamente reaprende as rotinas…mas a mente, bem mais dispersa, vagueia entre esses dois tempos num saltitar irrequieto que apenas o passar dos dias permite tranquilizar um pouco mais.
Como sempre me acontece, mais uma vez estive dentro desse filme em modo bem activo. Por vezes até cansa esse  “deambular” sem sair do mesmo sitio…

Entretanto, a transição vai acontecendo porque a realidade se impõe e exige atenção e concentração. Contudo, não obstante este voltar à realidade, de vez em quando surgem sentires…imagens…detalhes que nos levam a esses dias…..

…a visão da maré baixa (que adoro!)
…os longos areais e os passeios matinais à beira-mar
…o primeiro banho de mar do dia, logo bem cedo e que nos faz sentir em comunhão com a Vida e com tudo!
…dormir na praia (tão bom!)
…o sabor de inesquecíveis bolas de Berlim
…a satisfação de degustar deliciosas sardinhas assadas


…e aquele dolce far niente que só os dias de férias permitem!

E há um momento, muito especial e bem diferente deste tipo de sentires que não desaparecerá da memória: o da imagem que inicia este post!

Este guarda-rios pousou a pouco mais de dois metros do observatório onde nos encontrávamos no parque Ambiental de Vilamoura. Vi-o, mas logo me escondi parcialmente para que o meu companheiro, em boa posição e já com a máquina ligada o pudesse fotografar devidamente.

Dada a proximidade do tronco em que esta pequena ave se encontrava, se naquele exacto momento eu ligasse a minha máquina, certamente ele voaria pois são aves muito assustadiças e que reagem ao  mínimo gesto ou som em seu redor.
Para nosso deleite, ele permaneceu alguns segundos naquele tronco. Virou-se para um lado, depois para outro e foi lindo, pois nunca tínhamos visto esta espécie tão próximo e com tanto pormenor. Não o fotografei, é certo, mas não tenho pena. Por vezes é importante saber parar e não querer demais…para que não se perca tudo.

Fico muito feliz em partilhar esta imagem captada pelo meu companheiro. É dele, mas indirectamente também é minha. E ambos sabemos que este silencioso momento das nossas férias nunca será esquecido!