junho…

 

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Para quem vive no hemisfério norte, o mês de Junho é, claramente, o tempo que faz a transição para o Verão e para o principal período de férias do ano.

Há medida que o mês avança e a temperatura atmosférica vai subindo, vamos sentindo na pele e no corpo uma vontade de movimento e de exterior, numa espécie de antecipação ao que está para vir. Diria que é o mês em que as férias saem do “mapa de férias” afixado no placard dos locais de trabalho e deixam de ser apenas uma ideia, uma perspectiva ou um desejo, passando a algo mais físico e emocional.

Se por um lado o corpo fica mais irrequieto, também começa a ser muito mais fácil a nossa mente sair por aí e iniciar um imenso voo em tons de céu, de verde ou de mar e, num ápice sem tempo nem conta-quilómetros, nos levar àquele lugar que está planeado na agenda, escrito no bilhete de avião real ou electrónico, ou apenas guardado como projecto ou desejo.

Depois… tão naturalmente como partiu, a mente volta à casa-mãe e, com um sorriso invisível leva-nos a pegar novamente na caneta, no teclado do computador ou em qualquer objecto/tarefa que faça parte do nossa actividade diária e pede que continuemos… e nós vamos continuar, certos que o processo se vai repetir… até chegar o primeiro dia de férias!

Digamos que o mês que o antecede, Maio, ainda nos permite estar na quietude do tempo, do espaço e das rotinas que nos envolvem com uma certa tranquilidade. Mas Junho, o irrequieto mês de Junho, é sinónimo de uma agradável inquietude, de um fervilhar e do desejo de outro respirar. E muitas vezes, vontade de outro lugar!

Indiscutivelmente…Junho está comigo!

 

 

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Olhei o céu,
depois o mar,
segui a linha do horizonte
e encontrei o teu olhar.

Era azul como o céu
e verde como o mar
aconcheguei-me na sua luz
e simplesmente deixei-me estar…

…até a noite nascer
a linha desaparecer
e a tua mão me encontrar!

 

Que este novo patamar da tua vida seja longo, saudável, feliz… e sempre em tons de verde, de azul e de partilha!

 

(Dulce Delgado, Outubro 2016)

 

nevoeiro de verão

 

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Manhã de Setembro…Praia de Santo Amaro de Oeiras…

 

O nevoeiro
apareceu em onda gigante
a partir do horizonte.
Em breve engoliu
o farol do Bugio,
e de cinzento vestiu
o céu
o mar
e o meu olhar.

Na praia,
procurei no céu
o azul que se escondia,
e no mar,
as velas do barco
que o olhar já não via.

Figuras esbatidas
percorriam a beira mar,
visão invulgar
que o olhar absorvia,
pela magia
e beleza sem par.

Muitas ondas
depois
recuou o nevoeiro,
deixando um azul
ténue e rasteiro.
Sem pressa,
retomou a praia o seu lugar,
envolta agora
num manto
quente,
abafado,
mudo e sem ar.

E eu afastei-me
sem pena
nem dor.
Aquele Verão incolor,
fora lindo
refrescante
profundamente envolvente
e bem mais inspirador!

 

(Dulce Delgado, Setembro 2016)

 

 

no mar e na vida

 

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As ondas do mar…como as ondas da vida…

…ora se ultrapassam com facilidade… ora somos arrastados pelo seu ímpeto, o que exige alguma força e um empenho especial no restabelecimento do equilíbrio …ora nos permitem flutuar com toda a calma e serenidade, sentindo o prazer da sua passagem.

São tempos e sentires que intercalam entre si, sendo certo que em qualquer das situações, algo será sentido, aprendido ou compreendido por cada um de nós.

Isto é tão verdadeiro, como certa será a presença de novas ondas….no mar…e na nossa vida!

 

 

férias de praia

 

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Falar de férias e de praia, é falar de um tempo de sol e de banhos, activos ou suaves, que envolvem o corpo numa letargia entre o quente e o morno.

As horas de praia são horas de quase nada. Se os olhos querem, fecham, se o corpo quer, dorme. Este, mais relaxado, passeia pelo repouso, como se esse fosse o tema dos seus dias. No torpor das férias de praia, até os gestos são parcos. Imperam os diferentes, aqueles que não se fazem todos os dias, porque são apenas os acessórios. O essencial é simplesmente não fazer!

Os sentidos estão atentos a outros estímulos, sons e olhares que o resto do ano não permite. Também os pensamentos se perdem. Um vai com a onda, outro é levado pelo barco que passa, outro vem com a gaivota ou com as pessoas que passeiam à beira-mar. Ou fica apenas a pairar, porque nada tem a esperar.

Os pensamentos de férias não precisam de ser nem correctos nem claros, porque eles são essencialmente ar, areia e mar!

É obvio que é impossível separar totalmente os tempos. Há pensamentos que permanecem, preocupações que se distendem na nossa mente, como elásticos, todos os dias do ano. Até em férias. Mas as ondas e a espuma deixam-nos mais suaves, a maresia atenua os seus contornos. Ficam mais ar e menos matéria.

No fundo, é esse o papel de umas férias de praia: deixar-nos mais voláteis, mais leves e menos densos!

 

as ondas…

 

…de longe deslizam
suavemente
sobre o mar,
talvez na ideia
de um amor encontrar.

Abraçam a praia
com uma carícia de espuma branca
leve e refrescante,
delícia sentida
por uma areia expectante.

Fundem-se a onda e a areia
à beira-mar,
palco único
e eternamente escolhido,
para tão bela forma de amar!

 

(Dulce Delgado, Julho, 2016)