experimentações #30

A gratificante experiência com o livro que partilhei no último post desta série, teve continuidade em 2002 através do registo de uns dias de férias passados no Parque Natural do Douro Internacional e especialmente na província espanhola da Galiza.

Na concepção deste livro o desafio foi bem maior porque decidi que o texto seria essencialmente em poesia. Curiosamente recordo que não me foi nada difícil essa parte, porque tentei não valorizar demasiado a rima relativamente ao que queria transmitir. É claro que os desenhos não poderiam faltar, pelo que cada página ficou com um registo associado ao seu conteúdo.

Entretanto, estava o livro em curso quando no dia 13 Novembro 2002 a costa da Galiza sofreu os efeitos de uma enorme maré negra causada pelo petroleiro Prestige, o que para mim foi um choque profundo pois tinha adorado todos os momentos passados nessa área costeira poucos meses antes.

Então parei com o livro pois não estava a conseguir dar-lhe continuidade, sendo que durante algum tempo nada fiz e estive mesmo para desistir. Este facto explica quer as palavras da imagem acima e presentes no início do livro, quer as palavras da imagem que se segue e que estão inseridas na ultima página desse registo.

Objectivamente, fui capaz de sublimar essa “dor” transformando-a em trabalho, persistência e assim terminar o projecto.

Hoje partilho convosco algumas das páginas dessa parceria entre palavras e desenhos, e a que sempre associo um imenso rol de emoções.

Quase vinte anos passaram sobre a realização deste livro de férias e, apesar da vontade de voltar à Galiza ser real porque adoramos aquela região, ainda não surgiu uma nova oportunidade.

Talvez isso ainda aconteça um dia, sabe-se lá. Mas é grande a probabilidade de não encontrar alguns detalhes que me ficaram na memória…

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