ontem…hoje…amanhã

 

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Na humanidade, sempre houve e haverá migrações voluntárias em busca de melhores condições de vida; já as migrações forçadas continuam a acontecer porque a intolerância é uma realidade e, para sobreviver, alguns povos fogem e deixam tudo para trás. Um dos casos mais recentes é o do povo Rohingya, em fuga de uma Birmânia que os considera apátridas e não os aceita, o que se revela como um dramático exemplo de falta de solidariedade humana.

Apesar da solidariedade e do respeito existirem sob diversas formas, não são suficientemente fortes para evitar o aparecimento da intolerância e do extremismo quando estão em causa opções religiosas, realidade que leva uma parte da humanidade ao maior absurdo: fazer da religião uma fonte de conflito. Embora a Essência seja semelhante, são muitos os que se agarram a nomes e conceitos, valorizando a forma de olhar em detrimento do Essencial, da Luz, do Divino, do que lhe queiramos chamar. E, em nome desse olhar são capazes de acusar, impor, negar ajuda, perseguir, expulsar, torturar, violar ou matar.

Pensando no dia de hoje, neste “dia-ponte” que nasceu aconchegado entre aquele que nos relembrou o fenómeno das migrações (18 de Dezembro), e o de amanhã, que alertará para a importância de ser solidário (20 de Dezembro)…

…um dia que, naturalmente, nos coloca entre duas realidades que se interligam…

…que bom seria se na humanidade nascesse também um “espírito-ponte” com o dom de harmonizar e de fomentar a paz ou, simplesmente, de ser um “fiel de balança” capaz de equilibrar conceitos, espalhar a tolerância e de construir pontes entre pessoas, princípios e pensamentos. Respeitando todos, não obstante a fé e as opções de cada um.

 

E assim, neste íntimo viver dos dias e do calendário, permite-me a imaginação um verdadeiro espírito natalício!

 

 

 

Imagem retirada de  https://news.sky.com/story/pimp-says-rohingya-plight-good-for-business-11124977

 

 

observar/fotografar aves

 

A chegada do Outono reflecte-se em todos os aspectos da natureza. As alterações mais visíveis serão no reino vegetal, mas estas acontecem igualmente nas dinâmicas do  reino animal. É no início desta estação, por exemplo, que ocorrem as migrações de aves, que se deslocam para sul em busca de temperaturas mais agradáveis e de alimento. Para muitas das espécies que deixam o hemisfério norte, Portugal é um ponto de referência e de passagem, sendo aqui que descansam e se alimentam antes de prosseguir viagem.

O facto de estarmos em plena época de migrações, levou-me a escrever este post sobre observar e fotografar aves, acção que pode ser realizada não apenas nesta época, mas em qualquer altura do ano porque muitas aves são residentes ou passam aqui longos períodos.

Em primeiro lugar, esta actividade deve ser um acto de humildade. Quando se penetra num território que não é o nosso, mas sim controlado por determinadas espécies, a ideia base é sempre o não perturbar e passar o mais possível despercebido. Não temos o direito de actuar de outra forma, na medida em que somos os intrusos num espaço que não é nosso. Na verdade, as espécies que lá habitam é que mandam.

Para além deste princípio, é necessário gostar de silêncio, cuidar dos nossos movimentos – que devem ser calmos e sem ruído associado – e ter disponibilidade de tempo e muita paciência. De preferência devem ser escolhidos locais com água por perto, sempre um chamariz para a maioria das aves.

Com estas condições e postura, começamos a perceber o que se passa à nossa volta, sejam as nuances e pormenores da paisagem, sejam os movimentos das aves que habitam esse território e como o controlam.

Apenas este conhecimento permite observar e eventualmente fotografar determinadas aves. O guarda-rios, por exemplo, tem sempre o seu território junto a rios ou ribeiras e controla-o fazendo voos cíclicos ao longo das margens. Perceber esse movimento, permite estar alerta, sendo maior a possibilidade de o poder captar. Mesmo assim, e dada a sua rapidez, é bastante difícil fazê-lo.

Para observar/fotografar aves, os melhores lugares são os observatórios ou…. dentro de um carro! Ao longo de gerações, as aves “aprenderam” e, certamente já terão esse dado no seu “código genético”, que o ser humano é perigoso, pelo que fogem dele. Mas não o fazem perante um carro em movimento lento, ou parado. Para elas, nós somos bem mais assustadores que um carro…

Fora de um observatório, é sempre necessário manter uma distância que lhes seja confortável, algo que se vai aprendendo com a experiência. Ao permanecermos quietos e em silêncio durante um certo período de tempo, é possível que algumas comecem a aproximar-se, porque começamos a fazer parte da “paisagem”. Mas as probabilidades de fuga são bem maiores.

Nos últimos anos, tenho partilhado em muitos momentos esta actividade com o meu companheiro. Quatro olhos vêem muito mais do que dois e especialmente vêem detalhes diferentes. O olhar masculino é mais eficaz e objectivo no seu propósito, sendo o feminino muito mais abrangente e facilmente rendido a outros aspectos e pormenores envolventes. São complementares e ambos fundamentais na equipa.

Mas sendo este post também sobre fotografia, ficaria incompleto sem algumas imagens. E possuindo o meu companheiro melhores fotografias do que eu, ficam aqui algumas da sua autoria, mas que ambos gostamos especialmente.

 

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Guarda-rios, martim-pescador ou pica-peixe

 

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Garça branca

 

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Garça branca

 

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Pisco-de-peito-ruivo

 

Andorinha
Andorinha-das-barreiras

 

Bico-de-lacre
Bico-de-lacre

 

Camão a
Camão

 

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Milhafre

 

Para terminar, duas libélulas: não são aves…mas voam!

 

Libélulas
Libélulas na fase inicial do acasalamento