pelos detalhes da moda

 

Por natureza sou curiosa, gostando muito de saber como se utilizam certos materiais ou se produzem determinados objectos. Sempre que possível tento convictamente contrariar a actual tendência do olhar “rápido e superficial”, porque considero que a compreensão do que nos rodeia só fica completa se o pormenor não for esquecido.

É no âmbito dessa curiosidade que surge este post, mas igualmente por oposição a outro já publicado em que foquei aspectos da moda que, pessoalmente, considero inestéticos e desagradáveis. Hoje, a ideia é mostrar aquele lado que se alimenta da elegância, da criatividade e do detalhe, sendo possível ver cada peça de vestuário como uma obra de arte. Refiro-me ao mundo da alta-costura, que encaro como criações artísticas e cujo lado utilitário não é importante… porque, na verdade, penso que nem a criatividade nem uma obra de arte necessitam de ser “úteis”.

Seguem-se alguns vídeos surpreendentes sobre a elaboração de peças criadas por estilistas e ateliers diferentes. Vale a pena vê-los com atenção, gostemos ou não do resultado final, e apreciar o trabalho dos profissionais que estão para além do criador, do manequim e da passerelle.

Este é um mundo que passa ao lado da maioria de nós mas, estou certa, que após a visualização destes pequenos filmes, o olhar ficará mais atento e sensibilizado para algo que existe, apesar de encarado por muitos como supérfluo.

 

Preparação da colecção Outono -Inverno 2015/16 – Casa Dior

 

Preparação da colecção Outono -Inverno 2015/16 – Casa Chanel

 

Preparação da colecção Outono -Inverno 2015/16 – Schiaparelli

 

Preparação da colecção Outono/Inverno 2015/16 – Mischka Aoki

 

moda

 

As modas valem o que valem e apenas se adapta a elas quem pode ou quem quer.

Nasci no final dos anos 50, o que significa quase seis décadas de modas e de novas colecções. Já assisti a repetições, com pequenas variações, que por vezes nos fazem sentir que recuamos no tempo. Aceito a moda como uma realidade comercial e de vez em quando também a acompanho, desde que o meu corpo se sinta bem e confortável.

Mas há duas modas que, definitivamente, não consigo entender, por mais que as analise de todos os ângulos possíveis e imaginários: uma pelo desconforto e outra pelo absurdo que representa.

A primeira é a moda do sagging adoptada por alguns jovens do sexo masculino, e que se refere às calças largas que caem pela cintura, deixando a roupa interior bem visível. Compreendo a origem do fenómeno, que parece ter surgido nas prisões dos EUA por os presos não terem acesso a calças com o seu número, nem poderem usar cintos por questões de segurança. O que não percebo é como essa realidade se tornou moda, quando deve ser a mais desconfortável que existe, para além de ser totalmente inestética, já que quem a usa fica deformado e quase sem pernas. Esse aspecto porém, deve ser totalmente secundário…

Mais estranho é verificar que quem a adopta passa o tempo a puxar as calças para cima, lembrando, em sentido contrário, aquelas jovens que usam grandes mini-saias e depois passam o tempo a puxá-las para baixo…

Mas, tão estranha como o sagging é a moda dos jeans destroyed,  em que calças e calções são vendidos com rasgões, remendos, desfiados, esboroados, etc.

A sua origem estará no movimento punk que surgiu há algumas décadas atrás, mas…..o que se passa actualmente na cabeça de meio mundo para adquirir, por vezes a bom preço, roupa nesse estado?

Será sexy? Será sexy mostrar um bocadinho do joelho ou da coxa através de um rasgão nos jeans, ou seja, mostrar apenas um pouco do que está tapado? Será isso tão sexy como era na geração das nossas mães mostrar o joelho, ou em gerações mais recuadas mostrar o tornozelo?

Ou será que está a haver uma mudança de paradigma? Será que esta moda existe apenas como um paradoxo, como um absurdo numa sociedade onde quase tudo já está inventado e onde a escolha pela oposição, negação e destruição começa a ter sentido? Além do mais, como é que se consegue vislumbrar algum valor estético naquelas peças de roupa?

Certamente que o aqui estou a escrever é um absurdo e a resposta será muito simples: são adquiridos simplesmente porque são moda e em moda vale tudo!

Porém… o que me incomodou bastante, foi passar pela montra de uma loja de marca em pleno Chiado, e ver uns calções jeans com vários rasgões e todos desfiados à venda por duzentos e tal euros, ou seja, quase metade do ordenado mínimo nacional….

….não queria acreditar…