aviso…

“Partilha-se gratuitamente área natural flutuante com excelente localização e disponível durante a Primavera e o Verão. Espaço muito arejado, soalheiro e com acesso privilegiado para um amplo lago.

Pela sua natureza, pode ser usufruído por inquilinos de outras espécies.”

outono

Despede-se hoje o Verão após uma semana meteorologicamente instável, reflectindo um pouco o espírito da estação que esteve entre nós. Foi um Verão algo desconfiado, intercalando o céu azul com o cinzento, as noites amenas com outras bastante frescas, e os raros dias sem vento com muitos de forte ventania. Com variações obviamente entre o norte e o sul do país, revelando o pólo meridional mais sintonia com o verdadeiro Verão.

Tais flutuações meteorológicas impõem uma verdadeira elasticidade mental de adaptação. Aliás, algo bem de acordo com os tempos instáveis que vivemos em que nada é realmente solto e natural, já que a preocupação e os pensamentos “laterais” pairam sobre nós como uma nuvem.

Mas nada disso é impeditivo do avançar do relógio do tempo e do fluir do tempo da natureza…

É nesta dinâmica que o Outono chegará hoje às 14h 31m ao calendário e aos nossos dias. Aos poucos a natureza fará as suas adaptações, começará a olhar para dentro, espalhará as suas cores de Outono, levará as folhas das árvores a viajar com o vento e talvez ofereça alguma chuva consistente.

E nós continuaremos igualmente a nossa adaptação a este estranho tempo que 2020 nos ofereceu, agora ainda mais atentos do que antes porque as circunstâncias actuais assim o exigem. Tentaremos não esquecer os gestos que começam a ficar esquecidos e reforçaremos as emoções que não precisam de gestos, através do cuidado, da atitude, da palavra, do detalhe. Pode parecer pouco, mas é bastante se for verdadeiro e genuíno.

Que seja um Outono (e uma Primavera no outro lado do mundo), ao desejo de cada um!

E cuidemo-nos. Cuidando de nós, também cuidamos dos outros!

gratidão e paz

Ao sol pedi…
…aquece-me

Ao vento…
…leva-me

À chuva…
…refresca-me

Ao amor…
…abraça-me

E por fim,
à Natureza e à Vida…
…tudo agradeci!

(…inclusive o menos bom, mas que sempre vale de aprendizagem!)

Dia 21 Setembro 2020 – Dia Mundial da Gratidão e Dia Internacional da Paz
Gratidão também é Paz!

mensagens

Que mensagem quererá a mãe natureza transmitir nos sinais que vai deixando pela matéria que a constitui e de que ela própria é escultora?

Que linhas e grafismos são estes, pequenos universos indefinidos, desenhados por mão tão hábil em pedras, rochas, cristais, troncos, folhas, nervuras ou flores?

Estarão nestas linhas as respostas ao que interminavelmente procuramos e queremos entender?

Perante esta dúvida imensa, apenas entendo algumas coisas muito simples, porque as vejo, porque as sinto, porque são perfeitas, quase perfeitas…

…como a linha descrita por um ramo de árvore no ar, linha mágica que é o seu caminho, porque foi aquele que a natureza escolheu…como uma pincelada de artista… espontânea… e lentamente escrita no vazio;

…ou os efeitos da paciente erosão sobre certos materiais, como por exemplo sobre as pedras da imagem acima, onde deixou visíveis estas linhas e não outras, estas formas e não outras…transformando cada pedra numa obra de arte;

…ou o maravilhoso processo que leva ao aparecimento de cristais, alguns de forma e perfeição quase incompreensível…

…ou ainda a beleza que encontramos na forma e cor de cada flor, no recorte das folhas, no traço de cada nervura…

 …

Não é importante dar um nome à força/energia que controla estas dinâmicas que nos rodeiam e sensibilizam. Ou que se manifestam em nós próprios, no processo maravilhoso que modelou o nosso corpo, emoções e pensamento.

O que é realmente importante é estarmos alerta para ver, apreciar, “absorver” e equacionar este enorme leque de mensagens disponíveis. Tal atitude apura a sensibilidade, o que de certa forma favorece a capacidade de relativizar aspectos e circunstâncias da nossa vida, muitos certamente não essenciais.

E sobretudo, ajuda-nos a valorizar apenas o que deve ser valorizado.

 

o ninho

 

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No mundo dos insectos…

…elas são perigosas pelo facto de serem predadoras de outros semelhantes, nomeadamente de abelhas. Na Europa, foram detectadas pela primeira vez em França no ano de 2004 e chegaram ao norte de Portugal em 2011. Estou a falar da Vespa Velutina ou asiática, um insecto invasor e com características próprias que a diferencia da Vespa Europeia.

No meu país, a sua expansão continuou para sul e já chegou à região de Lisboa. Assustador é pensar que só este ano já foram destruídos mais de 1100 ninhos em Portugal.

Recentemente o meu companheiro detectou e fotografou um desses ninhos no Vale do Jamor, nos arredores de Lisboa. Contactou de imediato as entidades competentes, que já o tinham sinalizado, sendo destruído nos dias seguintes.

Não obstante a evidente necessidade e a urgência em destruir estes ninhos, e principalmente de tentar incrementar um programa de captura de rainhas-fundadoras durante a Primavera para evitar a expansão desta perigosa espécie…

…perante estas fotografias, eu não posso deixar de admirar a beleza de tais estruturas e o cariz orgânico das suas formas e volumes, e não consigo deixar de os ver como verdadeiras obras de arte de arquitectura da natureza.

 

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Que pena não serem uns insectos mais simpáticos e pacíficos!

 

(Fotos captadas por Jorge H. Oliveira em 4 Junho 2020, no vale da Ribeira do Jamor, Lisboa)

 

 

 

 

 

momentos especiais

 

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Hoje, ao fim da tarde, o céu ofereceu este espectáculo a quem se encontrava na zona oeste/ noroeste da cidade de Lisboa. O sol e as nuvens brincaram e criaram um segmento de arco-iris que se abriu numa espécie de portal … triangular … e estrategicamente localizado.

Não sei se a natureza quereria dizer algo a estes estranhos tempos. Talvez sim. Ou talvez não.

Eu prefiro pensar que sim!

 


 

Como este fenómeno começou e evoluiu:

 

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Depois… rapidamente terminou!

E eu agradeci!

 

 

 

a rotunda das papoilas

 

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Por muito criativas que sejam os milhares de rotundas de circulação rodoviária existentes neste país, nenhuma até agora me cativara o suficiente a ponto de lhe dar duas voltas a pé para apreciar e fotografar o espectáculo que me oferecia. 

Esta rotunda tem meia dúzia de árvores plantadas, vivendo o restante espaço da dinâmica das estações do ano. Diria que é um círculo de terra gerido pela natureza onde naturalmente ela expõe a sua criatividade, sem qualquer interferência humana.

Este ano a Primavera pintalgou-a de várias cores, mas é o vermelho das papoilas que impera fortemente.

 

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Hoje vou olhar apenas para estas flores silvestres e para a sua cor, beleza, força, simplicidade e fragilidade. E para a atracção que exercem sobre muitos de nós, atracção que eu penso vir exactamente desse misto de sentires quase opostos que nos proporciona, como é a força da cor versus a fragilidade da flor.

Primeiro atrai-nos pela cor, pelo vermelho da paixão e das emoções fortes. E depois pela  fragilidade com que reage a qualquer aragem e pela aparente vulnerabilidade. Essas sensações desencadeiam naturalmente uma vontade de aproximação e de protecção… originando em nós um olhar bastante emocional e afectivo.

 

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A par da cor e da fragilidade, também a expressividade é evidente. Manifesta-se especialmente nas hastes que seguram os botões das futuras flores, exprimindo um misto de submissão e saudação ao olhar que nelas pousa. Como se tivessem a dizer um tímido e silencioso olá…

 

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O próprio nascimento da flor é quase “humano” e muito “orgânico”. As pétalas nascem amarrotadas, frágeis, inseguras e quase pedindo que cuidemos delas.

 

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Será a própria brisa/vento a que são tão sensíveis que as ajudará a desabrochar, a alisar …e a fortalecer a personalidade. E então, em plena maturidade, brincam com o sol, abrem-se para os insectos e dançam ao sabor do vento que as abana… inclina… quase dobra…mas não quebra. Orgulhosamente elas resistem, continuando a alimentar muitos olhares e também o nosso imaginar.

Foi tão fácil encontrar uma papoila-borboleta a voar!

 

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Terminado o tempo da dança e desta estação do ano, o vento levará uma pétala…outra cairá…e outras secarão E ficará a essência, materializada no ovário e nas sementes, qual útero que as próximas estações ajudarão a abrir…a dispersar…e que daqui a um ano  voltarão certamente a dar cor e beleza a este lugar!

 

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Como complemento, falta dizer que esta rotunda situa-se no extremo oeste da Avenida de Portugal, em Carnaxide, nos arredores de Lisboa.

Ontem voltei a visitá-la, tem ainda mais papoilas e está simplesmente magnífica! E hoje, neste Dia da Mãe, algumas vieram à pouco ter comigo pela mão da minha filha. Para tentar secar e guardar com todo o carinho!

 

 

 

 

um olhar criativo

 

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A criatividade é algo que é de todos, apenas mais activa em alguns porque lhe deram atenção e um lugar mais ousado na sua vida. Permitiram-se olhar com outro olhar e não apenas ver, experimentar mesmo sem acreditar, dar lugar ao pulsar e explorar o potencial mesmo sem o conhecer.

É assim que eu vejo a criatividade. E neste Dia Mundial da Criatividade e da Inovação vou contar-lhes uma história, pessoal porque foi por mim vivida e, no meu entender, a melhor forma que encontro para justificar o meu conceito de criatividade.

As histórias pessoais valem o que valem. São detalhes nesta imensidão. Mas podem despoletar algo que leve os outros a pensar e a olhar o que os rodeia de uma outra forma…e com outro olhar!

Aqui vai…

 

Vem de longe a atracção que sinto por pedras e por outros elementos naturais deste planeta que habitamos. Aprecio as suas formas, expressividade, texturas e faces de clivagem, gosto que vem da infância e dos passeios pelos areais algarvios em que cresci e onde adorava observar/apanhar pedras, conchas ou outros materiais trazidos pelo mar.

Passaram muitos anos…

Em meados da década de noventa, na primeira visita que fiz à Pedreira do Galinha, área localizada na região de Ourém/Torres Novas e detentora de longos trilhos de dinossauros, o meu olhar foi atraído por uma pedra de calcário solta que estava no chão. Apanhei-a, olhei-a de um lado, depois do outro, tendo de imediato a sensação que não era uma pedra qualquer e que tinha algo para me dizer. Senti-lhe um enorme potencial, conseguisse eu percebê-lo devidamente.
Foi para a mochila e, a partir daquele instante, mais importante do que todos os dinossauros que por ali passaram, a minha atenção ficou orientada para as pedras que ia encontrando. A mochila veio carregada, mas ainda sem saber para que serviria aquele pesado “tesouro” que trazia às costas.

Dias depois, decidi olhar calmamente e de vários ângulos para a primeira pedra que tinha apanhado. Uma luz rasante ajudou-me a perceber a volumetria, a textura e a “ver” uma imagem em latência que apenas precisava de ser “reavivada”. Foi o que fiz em seguida recorrendo a um fino pincel, a tinta-da-china preta e a toda a paciência que me caracteriza. Para lhe dar alguma verticalidade e valorizar a representação, adaptei-lhe outra pedra mais pequena, que cumpriu com rigor essa missão.

O resultado foi a pedra pintada que dá início a este post e que ainda hoje guardo com todo o carinho. Dizem que não há amor como o primeiro, pelo que esta pedra adquiriu esse estatuto entre todas as que se seguiram, sejam as recolhidas nesse passeio ou, posteriormente, em incursões “clandestinas” a pedreiras calcárias daquela região, uma vez que não encontrei outras com características semelhantes.

Pintei mais de uma centena de pedras com temáticas variadas, situadas entre o real e o puramente abstracto/imaginário, mas sempre aproveitando os relevos e a textura própria do calcário. Foi uma fase louca e de uma criatividade diferente daquela que eu conhecia. O desafio nascia do olhar e da capacidade de “comunicar” com cada pedra. Era algo orgânico, de “corpo para corpo” e uma espécie de jogo de afectos e empatia. Ou sentia, ou não sentia. E houve pedras que não entendi, pelo que foram devolvidas à natureza.

Muitas delas foram oferecidas a amigos e outras tantas vendidas. Pela minúcia do trabalho, começou a ser fisicamente desgastante, pelo que deixei de o fazer há alguns anos. Hoje guardo as fotografias de todas e reservo algumas como legado, incluindo esta primeira. E fico extremamente feliz quando reencontro alguma em casa de amigos ou familiares.

Foi uma fase da vida que passou, de um modo tão natural como surgiu. Já o gosto pelas formas da natureza continua bem enraizado e será sempre foco da minha atenção. Quem sabe, talvez um outro olhar me leve ainda a uma nova aventura criativa!

Termino com a imagem de outras pedras que continuam a viver comigo, porque nelas encontro um simbolismo muito especial.

 

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(Dulce Delgado, 21 Abril 2020, Dia Mundial da Criatividade e Inovação)