primeiro olhar…

 

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O primeiro olhar que a janela de minha casa hoje me ofereceu foi um rio Tejo transformado num mar de nuvens e de ondas.

No horizonte estendia-se o perfil da serra da Arrábida, e à esquerda, o Cristo-Rei e o pilar sul da ponte 25 de Abril saíam do denso nevoeiro para procurar o céu azul e assistir ao nascer do sol.

Apesar do ar frio que entrava pela janela aberta, esta imagem aqueceu a intranquilidade com que, por esta ou aquela razão, por vezes acordamos para o dia.

Respirei fundo e pensei: “Tal como o nevoeiro se dissipará dentro de algumas horas, tudo passa na nossa vida!”

Essa é a grande verdade!

Por isso… que seja um belo dia!

 

 

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o navegador

 

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Seiscentos anos depois, o Infante D. Henrique, de cognome O Navegador e o grande impulsionador dos descobrimentos portugueses, enfrentou impávido e sereno um “monstro” disforme chamado nevoeiro, que esta manhã se formou no rio Tejo antes do nascer do dia.

Não resisti a  captar esta imagem, não apenas pelo simbolismo, mas pelo profundo respeito e admiração que tenho pelos portugueses daquela época. Nas piores condições, eles enfrentaram os “monstros”, interiores e exteriores, para seguir o sonho de descobrir o que estava para além da linha do horizonte.

Algumas horas depois, já apaziguado, este “monstro” dissipou-se, continuando o Infante a sua eterna tarefa de perscrutar o além.

 

Deste modo, e em tons de nevoeiro e de descobertas…desejo a todos um excelente fim-de-semana!

 

 

 

hoje

 

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O dia de hoje nasceu húmido e colorido na região de Lisboa, como revela esta imagem que a janela de minha casa permitiu ao primeiro olhar da manhã.

Bancos de nevoeiro descansavam nos vales e uma nuvem horizontal, com vontade de ser diferente das restantes, pontuava o espaço e fazia nascer uma nova paisagem e uma nova linha do horizonte.

Respirei fundo e agradeci. Certamente que com este prelúdio, será um dia bom!

 

 

sobre passadiços

 

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De elemento a elemento se faz uma construção… e de tábua a tábua se constrói um passadiço em madeira, aqueles belos caminhos suspensos, ou não, que permitem apreciar a beleza de certos locais sem colidir com a sua sustentabilidade e preservação.

Apreciando as potencialidades desses equipamentos de engenharia mais ou menos complexa, já lhes dediquei um post no início deste blog. Hoje volto ao tema porque um recente período de férias permitiu-nos explorar e percorrer duas dessas estruturas, muito diferentes na construção, mas igualmente no esforço que exigem, na paisagem que as envolve e nos estímulos que oferecem aos nossos sentidos. Refiro-me aos passadiços do Paiva e aos passadiços da Barrinha de Esmoriz, ambos localizados a norte de Portugal.

Os primeiros “adaptaram-se” às encostas do rio Paiva, um rio de montanha afluente do Douro e um dos menos poluídos da Europa. É um percurso exigente pelo declive, mas que revela uma beleza muito própria que será certamente maior noutra altura do ano (na Primavera, por exemplo), em que o verde estará mais presente assim como o caudal do rio mais forte.

Neste trajecto é fundamental que a atenção seja dividida entre a paisagem e o nosso andamento porque, não obstante ser seguro e estar bem construído, nem sempre a linearidade do passadiço coincide com o grande recorte e heterogeneidade das encostas onde se adapta. Apesar da(s) protecção(ões) lateral(ais), esconde perigos para adultos mais distraídos… e para crianças, sendo da responsabilidade de quem as acompanha estar muitíssimo atento.
No total, este equipamento acompanha 8,7 quilómetros do percurso do rio. Nos extremos do passadiço existe um serviço de táxis com um preço fixo, que permite um cómodo voltar ao local de partida a todos os que não pretendem percorrê-lo novamente. Neste site, encontram toda a informação e podem efectuar a reserva de bilhetes, adquiridos pelo valor simbólico de 1 euro!

 

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Já a linearidade do passadiço da Barrinha de Esmoriz/Lagoa de Paramos, permite um passeio em total tranquilidade. Fácil para o corpo e suave para o olhar, estende-se por mais de oito quilómetros de sapal, canavial e dunas, e integra várias derivações que permitem o acesso a praias existentes na área. Atravessa o esteiro por uma elegante ponte, único local em que esse equipamento é um pouco mais elevado, destacando-se por isso na paisagem.

 

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Possui um observatório de aves, mas tem vários locais propícios à visualização de uma grande variedade de passeriformes, o que nos deu um prazer redobrado.

 

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Se os primeiros foram transpostos num dia cheio de luz e com um belo céu azul, este último foi percorrido sob um céu cinzento e algum nevoeiro. Mas vimos nesse facto uma complementaridade interessante pela diversidade de sentires e olhares que ambos nos permitiram. Porque em tempo de férias, especialmente… “se nada podes fazer a um dia cinzento…então aproveita-o simplesmente!” E foi isso que fizemos com alegria!

Termino com uma sugestão: explorem estes espaços, pois ambos proporcionam excelentes passeios!

 

 

nevoeiro de verão

 

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Manhã de Setembro…Praia de Santo Amaro de Oeiras…

 

O nevoeiro
apareceu em onda gigante
a partir do horizonte.
Em breve engoliu
o farol do Bugio,
e de cinzento vestiu
o céu
o mar
e o meu olhar.

Na praia,
procurei no céu
o azul que se escondia,
e no mar,
as velas do barco
que o olhar já não via.

Figuras esbatidas
percorriam a beira mar,
visão invulgar
que o olhar absorvia,
pela magia
e beleza sem par.

Muitas ondas
depois
recuou o nevoeiro,
deixando um azul
ténue e rasteiro.
Sem pressa,
retomou a praia o seu lugar,
envolta agora
num manto
quente,
abafado,
mudo e sem ar.

E eu afastei-me
sem pena
nem dor.
Aquele Verão incolor,
fora lindo
refrescante
profundamente envolvente
e bem mais inspirador!

 

(Dulce Delgado, Setembro 2016)

 

 

nevoeiro no tejo

 

Branco e húmido,
o nevoeiro deslizou pelo rio
e a sua pele,
sem forma,
docemente afagou as margens.

Curioso,
penetrou em cada lugar
num olhar breve,
efémero
entre o ser
e o dissipar.

Com memória
de outras viagens
e saudades de um reencontro,
carinhosamente
e como velhos amigos,
abraçou a ponte
e o Cristo-Rei,
que suspenso no ar
ficou a pairar!

 

(Dulce Delgado, Junho 2016)