nevoeiro de verão

 

nevoeiro-praia

 

Manhã de Setembro…Praia de Santo Amaro de Oeiras…

 

O nevoeiro
apareceu em onda gigante
a partir do horizonte.
Em breve engoliu
o farol do Bugio,
e de cinzento vestiu
o céu
o mar
e o meu olhar.

Na praia,
procurei no céu
o azul que se escondia,
e no mar,
as velas do barco
que o olhar já não via.

Figuras esbatidas
percorriam a beira mar,
visão invulgar
que o olhar absorvia,
pela magia
e beleza sem par.

Muitas ondas
depois
recuou o nevoeiro,
deixando um azul
ténue e rasteiro.
Sem pressa,
retomou a praia o seu lugar,
envolta agora
num manto
quente,
abafado,
mudo e sem ar.

E eu afastei-me
sem pena
nem dor.
Aquele Verão incolor,
fora lindo
refrescante
profundamente envolvente
e bem mais inspirador!

 

(Dulce Delgado, Setembro 2016)

 

 

nevoeiro no tejo

 

Branco e húmido,
o nevoeiro deslizou pelo rio
e a sua pele,
sem forma,
docemente afagou as margens.

Curioso,
penetrou em cada lugar
num olhar breve,
efémero
entre o ser
e o dissipar.

Com memória
de outras viagens
e saudades de um reencontro,
carinhosamente
e como velhos amigos,
abraçou a ponte
e o Cristo-Rei,
que suspenso no ar
ficou a pairar!

 

(Dulce Delgado, Junho 2016)