o rei e o jacarandá

 

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Discretamente e ano após ano, o lilás dos jacarandás passa por este espaço a fim de partilhar a ambiência vivida na cidade de Lisboa neste período de transição entre a Primavera e o Verão. Estou certa que até o mais desatento lisboeta será atraído por tanta beleza e magnetismo espalhada pelas ruas da capital.

Foi um instante que me levou a este detalhe surpresa na Praça do Rossio, também denominada Praça D. Pedro IV, monarca cuja estátua encima uma coluna colocada no seu centro. A copa deste jacarandá isolou e elevou a figura, destacando-a sobre o coração da cidade. Então, lá bem no alto e observando em redor…

…foi fácil imaginar este rei de liberais ideias e dois títulos, mais precisamente D. Pedro IV em  Portugal e  D. Pedro I no Brasil, a recordar e a pensar…

…sobre a sua voluntariosa, dinâmica e intensa vida amorosa

…talvez sobre este pequeno e aventureiro país que o viu nascer e onde morreu

…quiçá sobre o estado do mundo em geral

…ou sobre o Brasil em particular, país onde viveu quase toda a sua vida e que levou à independência

…talvez recordando o famoso grito que deu junto ao rio Ipiranga

…ou, simplesmente pensando com alguma tristeza: “Brasil… Brasil…onde tu chegaste!”

 

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Um aspecto geral da Praça D. Pedro IV ou Praça do Rossio – Lisboa

 

 

o que é nosso

 

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No complexo contexto económico em que vivemos a solidariedade entre países é importante, mas neste momento é fundamental que todos apostemos um pouco mais no recanto onde nascemos. Como portuguesa, creio que apostar naquilo que é fabricado e produzido em Portugal nunca foi tão urgente como agora. Este é o nosso terreno, tem as nossas raízes e precisa de nós. Como tal, nunca serão demais os alertas que nos orientem para uma mudança de paradigma na forma de comprar/adquirir produtos.

Tudo começa no acto de verificar a etiqueta/rótulo antes de comprar, assim como na opção pelo comércio local/pequeno comércio, em regra mais associado a produtores de proximidade. Mas não só. Os tempos mudaram e outras formas de comércio são agora banais, pelo que muitos produtores e fabricantes nacionais apostaram e/ou reforçaram a venda dos seus produtos por meios digitais. Vejamos alguns exemplos:

 

Não vivendo o corpo só de alimentos, são muitas as áreas de actividade em que é possível apostar no fabrico nacional. Seguem-se alguns exemplos:

 

Longe de mim fazer qualquer publicidade neste blog. Apenas estou focada no termo made in Portugal e estas marcas são representativas desse princípio. Muitas outras poderão ser encontrados na plataforma afabricaportuguesa, apenas acessível através do Instagram e que abrange diversas áreas

O mesmo tipo de pensamento deverá acompanhar os portugueses que este ano pretendem e podem fazer férias, dando preferência ao nosso país e ao seu enorme potencial. Dessa forma estaremos directamente a contribuir para a manutenção de muitos postos de trabalho. Não será essa uma boa premissa a ter em conta no momento de desfrutar as nossas férias?

 

(Apesar deste espírito em “apostar no que é nosso” já estar presente em muitos portugueses, relembrar e actuar em conformidade é o mínimo que todos podemos fazer)

 

 

 

 

 

 

o navegador

 

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Timoneiro de uma barca com raízes em terra firme, o infante D. Henrique recorda ao nosso olhar e memórias o espírito de procura, de aventura, de conquista e de superação que está na genética dos portugueses, desde que a vontade tenha energia suficiente para ir à luta.

Eu sou uma portuguesa um tanto acomodada e o meu mundo algo restrito, familiar e de pequenas conquistas. Contudo, sempre que aprecio na beira-Tejo este grande monumento/escultura liderado simbolicamente pelo espírito aventureiro deste homem, sinto muito orgulho no potencial deste país tão pequenino em dimensão e do tanto que ele já deu ao mundo. Eu sei que isto daria uma longa conversa, eventualmente controversa, mas não desejo ir por aí.

As verdadeiras razões da publicação deste post são duas: a primeira é o facto de hoje fazer anos que nasceu o infante D. Henrique, de cognome o Navegador (4 Março 1394); e a segunda, o desejo de partilhar num contexto mais emocional e não isoladamente esta fotografia que tirei recentemente, de que gosto muito e em que o infante é um dos intervenientes.

Na verdade…

…gosto da imponência deste lugar-monumento reflectido num espelho da cidade

… gosto da solidão visual daquele desconhecido que corre à beira-mar numa tímida e fria manhã de Inverno, mas em plena sintonia com a solidão do timoneiro da barca

… gosto de relembrar a emoção que senti perante esta imagem

….e gosto de pensar que 626 anos depois estou a recordar alguém que foi fundamental na história do meu país.

 

Este é portanto o dia certo para a imagem certa.

 

 

 

 

 

ponto de luz

 

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Lisboa é apenas um ponto neste mundo.

Um ponto de um mundo simultaneamente belo e cheio de absurdos, de um mundo gerido por alguns leaders voluntariosos, perigosos, que não respeitam acordos assinados, sem noção dos efeitos das suas acções e com uma evidente falta de bom senso.

Entretanto o sol continua a nascer todos os dias.

Eu tenho a felicidade e o privilégio de tranquilamente poder apreciar esse momento neste ponto do mundo, no meu país, em segurança e em paz.

Muitos não.

 

(Lisboa, hoje)

 

 

 

 

harmonias

 

 

Harmonizar continentes, países, raças, sexos, ideias e sentimentos faz parte do imaginário de muitos de nós. Porém, neste mundo um tanto “cor-de-rosa” em que habito, isso é simples através da música e de algumas vozes que se harmonizam em duetos, como as que hoje partilho.

– No video inicial, Robert Plant, ex- Led Zeppelin e Alison Krauss, cantora country e violinista, juntaram o Reino Unido e os EUA no álbum Raising Sand (2007). Umas das faixas intitula-se Your long journey, um tema antigo e já cantado por outros artistas. Mas as suas vozes harmonizam na perfeição!

 

– Também Vanesa Martín, espanhola, se aliou no final de 2017 ao angolano Matias Damásio e em conjunto cantaram Porque queramos vernos, um dos temas que integra o álbum Munay, editado por esta cantora em 2016.

 

 

– E por último, sugiro o tema Naturalmente Naturalmente incluído no álbum Já É (2015) do artista brasileiro Arnaldo Antunes, aqui cantado em parceria com a portuguesa Manuela Azevedo, um dos elementos do grupo Clã.

 

 

E assim, discretamente, talvez o mundo tenha ficado um pouco mais harmonioso neste domingo à tarde….

 

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No início deste blog, em 2016, partilhei um post com alguns temas igualmente cantados em dueto. De certa forma, o post de hoje complementa esse, pelo que seria interessante passarem por ele e ouvirem as parcerias aí incluídas e que também aprecio bastante.

 

 

 

 

entre pais… e filhos

 

Somos filhos
somos pais,
pais dos filhos sempre seremos
estranho é,
sermos pais dos nossos pais!

Avança o tempo
rápido e indiferente…
…pelos filhos,
que seguem a sua vida
mas ficam no pensamento;
…por nós,
nesta bela, doce, mas difícil corrida;
…e pelos nossos pais,
que os anos simplesmente
fazem voltar para trás!

Num ápice,
somos pais
de duas gerações,
uma cheia de idade
e vinda do passado,
outra olhando um futuro
inseguro,
mas replecto de intenções
e de algumas ilusões.

Como filhos,
é tempo de cuidar dos pais,
entrando num novo filme
em plena meia-idade,
um tempo deveras diferente
no corpo,
na energia
e na paciência,
que arduamente
luta pela sobrevivência.

Eu sei que à minha frente,
tenho apenas meio-tempo
porque o tempo ficou para trás.

Por isso…
…preciso tanto de acreditar
que o cansaço deste poema
ocupa um pequeno espaço,
apenas
um ínfimo espaço,
que os dias do meu meio-tempo
ajudarão a superar!

 

 

(Dulce Delgado, Março 2017)