experimentações #8

 

set 77abc

 

E um dia, naturalmente, a vontade de cor espreitou e quebrou a hegemonia do preto e branco. Peguei nos guaches e saiu esta controlada composição geométrica, sem perspectiva e essencialmente um belíssimo treino de mistura de cores e de busca de tonalidades.

Mas a cor só espreitou, ainda não ficou…

 

(Dulce Delgado, guache sobre papel, Setembro 1977)

 

 

 

experimentações #5

 

junho 77 mais leve a

 

Deixei os contrastes extremos entre o preto e o branco, iniciei um longo período de exploração da grafite e do carvão. Coincidiu com uma época de muitas experiências, de conflitos internos, de confronto de ideias e essencialmente de procura de algum equilíbrio…uma busca que depressa percebi que seria para toda a vida.

Os três desenhos que partilho, realizados sobre um papel com muita textura e até um tanto agreste, reflectem de certa forma os sentimentos, as movimentações interiores e os confrontos dessa época.

 

julho 77 (2) - mais leve

 

agosto 77 (3)a mais leve

 

(Dulce Delgado, carvão e lápis sobre papel, 1977)

 

 

a agenda…

agenda

No primeiro dia de Janeiro de 2018, vivi mais uma vez o ritual da nova agenda. Em papel, como gosto. Agenda escolhida com cuidado, com espaço suficiente para registar o que o futuro gostará de saber, seja algo emocionante ou inquietante…

…há dados que se mantêm todos os anos, como aniversários e outras datas que a memória poderia esquecer. Mas outros existem que a agenda recebe, com surpresa, e curiosa de entender;

…uma agenda do passado tem sempre razão porque, quando era presente, recebeu verdades neutras ou cheias de emoção;

…aconchegada entre agendas guardo numa gaveta uma boa parte da minha vida. Um recanto de memórias que não voaram com o tempo, muitas vezes úteis, por vezes inúteis, mas sempre uma fonte de histórias;

…estranho… é não saber se uma agenda chegará ao fim… ou se haverá uma próxima esperando por mim!

 

Voltando a esse dia e a esse ritual que aprecio …

…diria que preparar uma agenda para um novo ano é um momento solitário vivido num dia essencialmente de alegria e de convívio. É um tempo partilhado com algo que receberá diariamente a minha atenção e o meu olhar, passará pelas minhas mãos e guardará alguma da minha energia. Tranquilamente e sem contestar;

…é uma forma objectiva e peculiar de dar as boas-vindas ao “tempo novo” e “em branco” que me é oferecido, mesmo sem ser pedido;

…revela-se como um dos momentos interessantes de olharmos a nossa Vida como algo especial e bem mais abrangente que os 365 dias que supostamente temos pela frente. Porque, sendo cada um de nós um pequeno microcosmos e um pouquinho da energia que forma este Todo, material e imaterial, temos o dever e a obrigação de tentar o mais possível estar em sintonia com as energias e com a “agenda” deste tão amplo Universo.

 

Que outro sentido e objectivo poderiam ter o Tempo, e a nossa Vida, senão esse?

 

 

 

para além do papel…

 

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HuskMitNavn é um artista dinamarquês adepto de várias técnicas baseadas na ilustração, sendo especialmente conhecido como street artist.

Essa versatilidade permite-lhe trabalhar com vários materiais e em escalas variadas, sendo contudo no papel, que desenha, rasga e dobra, que a sua imaginação extravasa e nos leva para uma dimensão onde habita a simplicidade e o humor, mas igualmente a mensagem mais realista, como bem revela a imagem acima.

Seguem-se algumas obras em papel da sua autoria, uma pequena amostra da criatividade que o anima.

 

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Qual de vós não esboçou um sorriso ao ver estas imagens?