experimentações #21

Não sei a data exacta das colagens que hoje partilho, mas creio que as posso situar entre 1992 e 1993.
A primeira, construída com a estrutura de uma folha, ao representar algo que se quebra/afasta, relaciono-a com uma separação que então ocorreu na minha vida pessoal; e a segunda, ao juntar colagem e pintura estará, tal como a anterior, na linha de outras realizadas naquele período.

A partir de então deixei naturalmente de fazer colagens, seguindo novos rumos nas minhas experimentações. Mas continuo a considerar que são uma técnica muitíssimo interessante, criativa e com imensas possibilidades.
Talvez um dia ainda volte a elas!  

(Dulce Delgado, esqueleto de folha, papel, aguarela/guache e tinta da China sobre papel, 1992/1993?)

experimentações #20

Ainda no âmbito das colagens…

…partilho hoje estes três trabalhos, sendo os dois últimos técnicas mistas uma vez que foram complementados com tinta/pintura.

Em comum têm o círculo, forma que muito aprecio por diversas razões, mas que aqui aparece associada ao planeta que habitamos e à problemática ambiental, algo que já nessa época me preocupava e preenchia alguns dos meus pensamentos.

(Dulce Delgado, papel, aguarela e tinta-da-china sobre papel, 1992/93)

experimentações #19

Continuei pelas colagens durante mais algum tempo, técnica que sempre encarei como uma forma de brincar com o papel e a que poderia associar uma mensagem, ou não.

As três colagens de hoje reflectem esse jogo entre a tesoura e o papel, neste caso com o chamado papel de lustro. Muitos destes recortes foram aleatórios e fui aproveitando inclusivamente os excedentes que iam ficando. Depois era juntá-los ou encaixá-los de uma forma que me agradasse esteticamente.

O resultado foi esta série de três colagens bastante experimentais, que em comum têm as cores …e a diversão que me proporcionaram!

 
(Dulce Delgado, papel de lustro sobre papel, 1993)

experimentações #18

O papel sempre foi o suporte preferido nas minhas experiências criativas. Em muitos momentos não o utilizei apenas como uma base, mas também como intermediário para chegar a algo.

No primeiro desenho, pequenos retângulos de papel foram utilizado como máscara, preservando algumas zonas de receber tinta; no segundo, um papel foi pintado, cortado e posteriormente colado noutro papel de suporte; e no terceiro, temos o exemplo de uma colagem pura, em que todas as formas foram recortadas de folhas de revistas e posteriormente coladas, permitindo um novo contexto e significado.

Gosto muito da versatilidade do papel e do seu fácil manuseio. Tudo se pode fazer com ele desde que haja criatividade e vontade. Até um papel amarrotado tem uma beleza muito própria. Basta pensarmos que duas folhas nunca se amarrotam do mesmo modo, sendo por isso peças e formas únicas que são palco de jogos de luz/sombra sempre diferentes.

(Dulce Delgado, papel, aguarela e tinta da china sobre papel, 1992)

experimentações #10

 

#10 - Julho78ab

 

#10 - Junho 78 ab

 

Continuei a busca por algo que eu não sabia bem o que era… e que foi expressa em muitos desenhos realizados por volta dos meus vinte anos, como mostram os dois exemplos acima.

Entretanto, acompanhava-me uma imaginação um tanto“pueril” e infantil que me levava a penetrar em mundos bastante mágicos e fora da realidade e dos dias…

 

#10 - Agosto 78ab

 

Como sempre acontece, apenas a idade e as experiências vividas nas décadas seguintes me ajudaram a chegar a algumas das respostas que então procurava…e ainda a perceber que a realidade e a imaginação têm muito pouco em comum.

 

 

(Dulce Delgado, lápis cor/grafite sobre papel, 1978)

 

 

 

 

 

experimentações #9

 

julho 78a

 

A cor foi alternando com o preto e branco, da mesma forma que em mim habitavam dois mundos em confronto: um  imaginário leve, etéreo, algo transcendente e infinitamente belo… e a realidade do mundo em que vivia, repleta de injustiça, egoísmo, sofrimento, pobreza e de uma violência absurda que me revoltava e que eu não entendia.

Mais do que a qualidade artística das formas ou da ingénua simplicidade do traço e da anatomia humana, creio que o mais interessante é a expressividade que, apesar disso, as  figuras conseguem transmitir

 

março 78 (2)a

 

(Dulce Delgado, tinta da China, aguarela e lápis sobre papel, 1978)

 

 

 

 

experimentações #8

 

set 77abc

 

E um dia, naturalmente, a vontade de cor espreitou e quebrou a hegemonia do preto e branco. Peguei nos guaches e saiu esta controlada composição geométrica, sem perspectiva e essencialmente um belíssimo treino de mistura de cores e de busca de tonalidades.

Mas a cor só espreitou, ainda não ficou…

 

(Dulce Delgado, guache sobre papel, Setembro 1977)

 

 

 

experimentações #5

 

junho 77 mais leve a

 

Deixei os contrastes extremos entre o preto e o branco, iniciei um longo período de exploração da grafite e do carvão. Coincidiu com uma época de muitas experiências, de conflitos internos, de confronto de ideias e essencialmente de procura de algum equilíbrio…uma busca que depressa percebi que seria para toda a vida.

Os três desenhos que partilho, realizados sobre um papel com muita textura e até um tanto agreste, reflectem de certa forma os sentimentos, as movimentações interiores e os confrontos dessa época.

 

julho 77 (2) - mais leve

 

agosto 77 (3)a mais leve

 

(Dulce Delgado, carvão e lápis sobre papel, 1977)

 

 

a agenda…

agenda

No primeiro dia de Janeiro de 2018, vivi mais uma vez o ritual da nova agenda. Em papel, como gosto. Agenda escolhida com cuidado, com espaço suficiente para registar o que o futuro gostará de saber, seja algo emocionante ou inquietante…

…há dados que se mantêm todos os anos, como aniversários e outras datas que a memória poderia esquecer. Mas outros existem que a agenda recebe, com surpresa, e curiosa de entender;

…uma agenda do passado tem sempre razão porque, quando era presente, recebeu verdades neutras ou cheias de emoção;

…aconchegada entre agendas guardo numa gaveta uma boa parte da minha vida. Um recanto de memórias que não voaram com o tempo, muitas vezes úteis, por vezes inúteis, mas sempre uma fonte de histórias;

…estranho… é não saber se uma agenda chegará ao fim… ou se haverá uma próxima esperando por mim!

 

Voltando a esse dia e a esse ritual que aprecio …

…diria que preparar uma agenda para um novo ano é um momento solitário vivido num dia essencialmente de alegria e de convívio. É um tempo partilhado com algo que receberá diariamente a minha atenção e o meu olhar, passará pelas minhas mãos e guardará alguma da minha energia. Tranquilamente e sem contestar;

…é uma forma objectiva e peculiar de dar as boas-vindas ao “tempo novo” e “em branco” que me é oferecido, mesmo sem ser pedido;

…revela-se como um dos momentos interessantes de olharmos a nossa Vida como algo especial e bem mais abrangente que os 365 dias que supostamente temos pela frente. Porque, sendo cada um de nós um pequeno microcosmos e um pouquinho da energia que forma este Todo, material e imaterial, temos o dever e a obrigação de tentar o mais possível estar em sintonia com as energias e com a “agenda” deste tão amplo Universo.

 

Que outro sentido e objectivo poderiam ter o Tempo, e a nossa Vida, senão esse?