porque não?

 

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Diz-me o pensar
para não olhar,
por ser desagradável
o que pode encontrar.

Mas ele teima
em procurar
nos meandros da realidade,
um recanto sem encanto
onde apenas depositar
um sentir
doce e de paz,
desejoso de germinar,
crescer,
e de algo transformar.

Será ilusão
este estranho acreditar
que resiste ao pensar?

Será ilusão
este sopro de silêncio
sentido no coração?

Talvez sim…
…talvez não…

Então…
…porque não apenas tentar?

 

 

(Dulce Delgado, Junho 2018)

 

 

 

 

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memórias

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De memória em memória
desenhamos uma linha
de imagens
momentos
lugares
e sentimentos.

Linha
etérea e fugidia
nascida dos meandros
do tempo,
guardiã daquela memória
que deu início à nossa história.

Ilusório será pensar
que as imagens
do passado,
se agarram à linha do tempo
para sempre aí ficar.

Mas não.

Como um vento
de outono
que leva as folhas pelo ar,
também um sopro de tempo
traz o passado ao presente,
e com ele,
os momentos de alegria
as mágoas
a inquietação
os sentimentos de culpa
e talvez…
…talvez o sábio perdão!

Com o passar dos anos,
pode essa linha do tempo
tentar voar com o vento
e fugir,
ou apenas desvanecer.
Mas uma ponta
é sempre nossa,
como um cordão virtual
umbilical,
que une a vida que nos foi oferecida
com a vida por nós vivida
e aquela que iremos ceder.

Um dia,
em paz ou inquietação.

 

 

(Dulce Delgado, Fevereiro 2018)

 

 

 

poema ao novo tempo

 

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Quero um poema
puro
simples
e humano,
para receber o Novo Ano.

Quero-o límpido
diáfano
de luz,
doce de sentir
e fácil de espalhar,
com o meu
o teu
e o nosso olhar.

E com ele sermos faróis
fontes de luz
e de paz,
capazes de iluminar
as névoas que sempre
pairam
neste imenso habitar.

Não,
não é utopia,
apenas um desejo
semente
a receber um novo tempo,
para cultivar com amor
regar
e cuidar em cada dia!

 

Que 2018 revele o que profundamente desejam para vós e para o mundo!

 

 

(Dulce Delgado… no último dia de Dezembro de 2017!)

 

 

 

 

feliz natal!

 

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Esta bola de Natal que me ofereceram recentemente é curiosa, pois a ideia que lhe está subjacente é muito interessante e estimula a imaginação.

Sendo uma esfera transparente que se abre ao meio, tudo permite colocar no seu interior, dependendo apenas da criatividade de cada um. É suficientemente versátil para guardar objectos decorativos associados a esta época, mas igualmente doçuras, pequenos brinquedos, fragmentos da natureza, etc, etc.

Contudo, no momento de a pendurar na árvore, optei por nela guardar algo invisível, transparente e luminoso. Não é uma ideia…nem um sonho em espera…mas apenas um desejo simples e adequado a estes dias do ano:

…que seja uma época vivida em paz, com saúde, ternura, verdade, tolerância e solidariedade;

…que a esperança e a atitude sejam mantidas, apesar das dificuldades da vida;

…que cultivemos com empenho aquele desejo de sermos um pouco melhores porque, se todos o tentarmos, será um passo positivo no nosso caminho individual…

…e talvez melhoremos a energia desta esfera gigante e por vezes tão pouco transparente que habitamos!

 

Um doce e Feliz Natal para todos os meus leitores!

 

 

 

 

conforto… aconchego…

 

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Aquele calor inspirador
que nos abraça,
ou o doce
odor,
que das paredes
extravasa.

A quietude de uma paz
interior,
ou a asa,
que no ar esvoaça
e nos protege com amor.

Conforto… aconchego…

Para alguns,
uma fria
distante
e dolorosa miragem.

Para outros,
a doce aragem
que ampara como um amigo,
e ajuda a perceber
o valor
de um porto de abrigo!

 

 

(Dulce Delgado, Novembro 2017)

 

 

 

de olhos fechados

 

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De olhos fechados…
…não há mar
céu
ou areia
a entrar no meu olhar.

Fica a brisa a me tocar…
…e o sol,
a luz do sol
nas pálpebras a vibrar
a entrar sem entrar,
pintando imagens sem forma
intensas como o fogo,
quentes,
fortes e tão presentes,
que as agarro neste divagar.

Aqui,
neste lugar,
é tão fácil sentir a paz
que a brisa suave me traz,
e o poder da luz solar
num profundo,
mágico
e intenso afagar!

 

 

(Dulce Delgado, Outubro 2017)

 

 

 

estranho mundo

 

Este mundo,
tão belo quanto imundo
somos nós,
milhões e milhões de seres
homens e mulheres
unidos pelo amor
separados pela dor.

Da partilha ao terror,
o mundo é palco
e actor
de uma triste encenação,
onde metade quer a paz
que a outra metade desfaz,
sem princípios
nem razão.

Em nome de um Deus
tudo vale,
friamente,
sem emoção nem compaixão.

Não,
nenhum Deus quereria
destruição
morte
ou aversão.
E nenhum Deus mataria
pela crença ou religião.

Ódio
dinheiro e poder,
são a fé e o deus
que muitos estão a querer,
num fanatismo
duro, cruel e atroz,
que mata gente
inocente
e sem voz!

Por vezes
doí-me o mundo
e o coração.
Porque há dias
e momentos,
em que é difícil aceitar
que a paz
é apenas uma ficção,
sem sentido
incapaz
e uma profunda desilusão.

 

 

(Dulce Delgado, Maio 2017)