o arrepio

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Encosta-se o Outono
à minha pele
na fresquidão dos dias…
…e provoca um arrepio!

Depois sorri
com as cócegas desse meu arrepiar…
…gostou de sentir
uma pele a lhe tocar!

 

 

(Dulce Delgado, Outubro 2018)

 

 

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carícias ondulantes

 

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Rasga o barco a superfície do rio…

Na água, um arrepio
branco
de espuma
penetrante
e frio.

Mas em breve
surgirá novo sentir…

…porque as ondas
divergentes e ondulantes
nascidas desse frio,
são carícias que percorrem
a pele do rio…

…doce
e lentamente…

…até desaparecerem
no azul,
no meu olhar
e no vazio!

 

 

(Dulce Delgado, Agosto 2018)

 

 

 

areia na pele

 

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Que história contariam estes grãos de areia agarrados à minha pele?

Uma história infinita
impossível
intemporal
ou talvez genial?

Que pena os grãos de areia não contarem histórias!

Porém,
todos os grãos de areia que se agarram a uma pele têm algo mais para
“contar”, porque tiveram o privilégio de sentir o calor e a energia humana, o que significa…

…que fomos um novo episódio para a sua longa e imensa história!

É simplesmente isso que devemos pensar… sempre que a areia se agarra à nossa pele e é difícil de sair!

 

 

 

olá, primavera!

 

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O calendário da natureza vive da passagem das estações e hoje, no hemisfério norte, mais uma vez iremos assistir à chegada da Primavera, evento que ocorrerá exactamente às 16 horas e 15 minutos.

Para a receber condignamente, as abundantes chuvas com que Março nos tem presenteado deram uma pequena trégua, estando previsto o reaparecimento do sol a partir do meio da manhã, para quebrar a humidade e o cinzento das últimas semanas.

Na natureza, voltam a expandir-se as energias do renascimento e da procriação entre espécies. E será o tempo da sedução, do namoro e dos afectos sentidos e partilhados. O tempo do Amor.

Hoje detenho-me nesta última palavra, ou não seja a imagem que escolhi o detalhe de um vaso de “amores-perfeitos” que me foi oferecido por uma amiga de infância da minha filha, uma bióloga com a natureza no sangue, que os elegeu como forma de agradecer uma lembrança dada pelo seu casamento. Eles são o simbolismo de um amor, estão plenos de vigor e, visivelmente felizes, partilham a sua beleza com a vista da minha janela.

Gosto da ideia de começar a Primavera com estes “amores-perfeitos” por perto, apesar de não acreditar em amores perfeitos. Acredito em amores trabalhados, amores construídos e amores partilhados no dia-a-dia. Com risos e com momentos difíceis. Com verdade e respeito. E com muitas palavras ditas, porque há palavras que não devem ficar guardadas sob pena de se transformarem em mágoas. E acredito nos momentos de felicidade sentidos nos amores imperfeitos!

Nesta renascida Primavera, a trilogia “amor-sentir-energia” irá manifestar-se em cada um de nós de acordo com a passagem do tempo pelas nossas vidas, ou melhor, consoante o número de Primaveras já vividas. Nos mais novos, estará mais presente na vitalidade dos corpos, dos afectos e dos sentidos. Na minha idade, eu diria que ela entra pela pele e pelo olhar, alimenta o fervilhar das ideias que querem ser, intensifica a vontade de partilha, reanima a necessidade de viver mais intensamente o exterior e a natureza, e como consequência, o gosto em observar a vida em ebulição que nela renasce em cada recanto.

Que mais poderemos querer?

 

Por tudo isto, que seja essencialmente um tempo de descoberta e de renovação!

(Para outros, que este equinócio se revele um refrescante e aconchegante Outono!)

 

 

 

mãos…

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… que unem e separam
afagam e agridem
oram,
são fé e devoção
gratidão
calor
paixão
e quanta sensação!

São pele
que procura pele,
gestos
que acompanham palavras,
amor
que protege e embala,
e acção
pura acção,
que tudo materializa
e dá vida à invenção.

Uma mão,
talvez a nossa…
…pode ser a paz
doce
e eficaz,
que outra mão precisa
e juntas,
ser prazer e união!

 

(Dulce Delgado, Abril 2017)

 

Imagem retirada de http://lifestyle.sapo.pt/moda-e-beleza/corpo-e-estetica/artigos/maos-como-novas

 

a nossa pele

 

Talvez pela grande sensibilidade que a minha sempre demonstrou, gosto de perceber a pele, esse extenso órgão-fronteira que nos liga ao mundo através de um vasto número de  terminações nervosas, sendo por isso o nosso maior receptáculo de estímulos.

Indirectamente, este tema já esteve presente num anterior post (editado a 29 Maio 2016), quando falei dos constituintes dos produtos cosméticos, assunto que me interessa especialmente. Hoje partilharei alguns aspectos fisiológicos deste complexo orgão, que este curto vídeo explica de uma forma bastante simples.

 

 

Como é mencionado, a camada mais superficial, a epiderme, é constituída por uma série de células que se organizam como “tijolos” e que estão em constante processo de nascimento/descamação. Entre essas células existe um cimento agregador, essencialmente formado por lípidos/ácidos gordos. Quando ele existe em quantidade e qualidade, a evaporação da água dessas células ou proveniente das camadas subjacentes será menor, pelo que a pele, seja qual for o seu tipo, se mantém mais hidratada e saudável.

Uma pele oleosa, por exemplo, produz mais sebo do que outras mas pode estar desidratada. São processos diferentes, porque este sebo provem das glândulas sebáceas que se encontram nas camada inferiores da pele e sai para o exterior através de canais junto à inserção dos pêlos. Isto significa apenas que, à partida, essa pele estará mais protegida e poderá, por exemplo, ter menos rugas, porque a sua barreira lipídica natural exterior está mais activa e retarda a evaporação da água. Mas se o organismo não estiver suficientemente hidratado, esta pele também pode estar desidratada.

Hidratar a pele, não é mais do que impedir que a água nela existente se evapore. Mas esta hidratação deve ser vista sob dois pontos de vista: a interior e a exterior.

A primeira é proporcionada pelo organismo através dos alimentos, principalmente frutas e legumes, e pela quantidade de líquidos que ingerimos. Todos sabemos que o ideal seria 1,5 a 2 litros por dia, regra que não é fácil de seguir…. mas, ao ser cumprida, leva a uma melhoria do estado geral do organismo e da pele. Também determinados alimentos ricos em ácidos gordos essenciais melhoram a quantidade e qualidade do tal cimento agregador. Porque se ele for melhor, a barreira fica fortalecida e a evaporação será menor.

A hidratação externa, por sua vez, mais não é do que reforçar através de produtos adequados essa barreira natural e, obviamente, também esse cimento lipídico, a fim de diminuir a perda de água. Se uma pele for mais seca os produtos deverão ter uma componente oleosa mais forte, mas esta deverá ser mais moderada se a pele for de natureza oleosa.

Se seguirmos estes princípios, estamos teoricamente a cuidar da nossa pele. O problema está no tipo de produtos a escolher para esses cuidados diários. Os caminhos são tantos como as centenas de marcas que existem no mercado. Cabe a cada um escolher, não apenas pela publicidade, mas especialmente pela origem e composição, sem nunca esquecer que temos uma pele porosa e que tudo o que nela colocamos é absorvido e entra em circulação.

Deixo-vos com um site em francês que considero muito interessante, não só pela forma simples como tudo o que está relacionado com a nossa pele é explicado, mas também pelas dicas que contem sobre produtos, muitas vezes naturais e geralmente associados a agricultura biológica. O link está  direccionado especificamente para uma página que contem um vídeo sobre a hidratação da pele, mas muitos outros assuntos com interesse poderão ser nele encontrados.

 

 

a pele do planeta

 

A crosta terrestre é a pele do nosso planeta. Tem texturas diferenciadas, sendo mais macia ou fina em determinadas zonas e rugosa ou espessa noutras. Como “ser vivo” que é, reflecte em larga escala o que se passa num organismo, apresentando aqui e ali alguma vulnerabilidade e mais sensibilidade e, noutras áreas, maior resistência e dureza. É activa, dinâmica e está em constante adaptação. Possui ainda, tal como nós, um sistema circulatório que a alimenta, zonas mais quentes, outras mais frias, etc.

Essa pele é vasta, imensa, mas o nosso olhar percepciona-a apenas numa ínfima dimensão. Apesar de sabermos que ela contem algumas maravilhas geológicas – que observamos em grutas ou museus temáticos – raramente perdemos tempo a olhar para as texturas que a constituem. Frequentemente passamos ao seu lado e nada vemos porque, na prática, não estamos disponíveis para esse olhar.

O Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina é apenas um ponto na superfície do planeta. Mas esse ponto, essa faixa junto ao mar é extremamente rica em pormenores, texturas e olhares, revelando uma poesia muito própria. Encontramo-la nos vastos areais, na dinâmica do mar e das ondas, no céu azul ou cheio de neblinas, mas especialmente na diversidade das rochas e pedras que o cobrem. É neste último ponto que incide este post: nas texturas da “pele” daquela região.

Deixo-vos aqui uma pequena amostra da riqueza geológica que ela nos oferece.

 

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