mãos…

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… que unem e separam
afagam e agridem
oram,
são fé e devoção
gratidão
calor
paixão
e quanta sensação!

São pele
que procura pele,
gestos
que acompanham palavras,
amor
que protege e embala,
e acção
pura acção,
que tudo materializa
e dá vida à invenção.

Uma mão,
talvez a nossa…
…pode ser a paz
doce
e eficaz,
que outra mão precisa
e juntas,
ser prazer e união!

 

(Dulce Delgado, Abril 2017)

 

Imagem retirada de http://lifestyle.sapo.pt/moda-e-beleza/corpo-e-estetica/artigos/maos-como-novas

 

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a nossa pele

 

Talvez pela grande sensibilidade que a minha sempre demonstrou, gosto de perceber a pele, esse extenso órgão-fronteira que nos liga ao mundo através de um vasto número de  terminações nervosas, sendo por isso o nosso maior receptáculo de estímulos.

Indirectamente, este tema já esteve presente num anterior post (editado a 29 Maio 2016), quando falei dos constituintes dos produtos cosméticos, assunto que me interessa especialmente. Hoje partilharei alguns aspectos fisiológicos deste complexo orgão, que este curto vídeo explica de uma forma bastante simples.

 

 

Como é mencionado, a camada mais superficial, a epiderme, é constituída por uma série de células que se organizam como “tijolos” e que estão em constante processo de nascimento/descamação. Entre essas células existe um cimento agregador, essencialmente formado por lípidos/ácidos gordos. Quando ele existe em quantidade e qualidade, a evaporação da água dessas células ou proveniente das camadas subjacentes será menor, pelo que a pele, seja qual for o seu tipo, se mantém mais hidratada e saudável.

Uma pele oleosa, por exemplo, produz mais sebo do que outras mas pode estar desidratada. São processos diferentes, porque este sebo provem das glândulas sebáceas que se encontram nas camada inferiores da pele e sai para o exterior através de canais junto à inserção dos pêlos. Isto significa apenas que, à partida, essa pele estará mais protegida e poderá, por exemplo, ter menos rugas, porque a sua barreira lipídica natural exterior está mais activa e retarda a evaporação da água. Mas se o organismo não estiver suficientemente hidratado, esta pele também pode estar desidratada.

Hidratar a pele, não é mais do que impedir que a água nela existente se evapore. Mas esta hidratação deve ser vista sob dois pontos de vista: a interior e a exterior.

A primeira é proporcionada pelo organismo através dos alimentos, principalmente frutas e legumes, e pela quantidade de líquidos que ingerimos. Todos sabemos que o ideal seria 1,5 a 2 litros por dia, regra que não é fácil de seguir…. mas, ao ser cumprida, leva a uma melhoria do estado geral do organismo e da pele. Também determinados alimentos ricos em ácidos gordos essenciais melhoram a quantidade e qualidade do tal cimento agregador. Porque se ele for melhor, a barreira fica fortalecida e a evaporação será menor.

A hidratação externa, por sua vez, mais não é do que reforçar através de produtos adequados essa barreira natural e, obviamente, também esse cimento lipídico, a fim de diminuir a perda de água. Se uma pele for mais seca os produtos deverão ter uma componente oleosa mais forte, mas esta deverá ser mais moderada se a pele for de natureza oleosa.

Se seguirmos estes princípios, estamos teoricamente a cuidar da nossa pele. O problema está no tipo de produtos a escolher para esses cuidados diários. Os caminhos são tantos como as centenas de marcas que existem no mercado. Cabe a cada um escolher, não apenas pela publicidade, mas especialmente pela origem e composição, sem nunca esquecer que temos uma pele porosa e que tudo o que nela colocamos é absorvido e entra em circulação.

Deixo-vos com um site em francês que considero muito interessante, não só pela forma simples como tudo o que está relacionado com a nossa pele é explicado, mas também pelas dicas que contem sobre produtos, muitas vezes naturais e geralmente associados a agricultura biológica. O link está  direccionado especificamente para uma página que contem um vídeo sobre a hidratação da pele, mas muitos outros assuntos com interesse poderão ser nele encontrados.

 

 

a pele do planeta

 

A crosta terrestre é a pele do nosso planeta. Tem texturas diferenciadas, sendo mais macia ou fina em determinadas zonas e rugosa ou espessa noutras. Como “ser vivo” que é, reflecte em larga escala o que se passa num organismo, apresentando aqui e ali alguma vulnerabilidade e mais sensibilidade e, noutras áreas, maior resistência e dureza. É activa, dinâmica e está em constante adaptação. Possui ainda, tal como nós, um sistema circulatório que a alimenta, zonas mais quentes, outras mais frias, etc.

Essa pele é vasta, imensa, mas o nosso olhar percepciona-a apenas numa ínfima dimensão. Apesar de sabermos que ela contem algumas maravilhas geológicas – que observamos em grutas ou museus temáticos – raramente perdemos tempo a olhar para as texturas que a constituem. Frequentemente passamos ao seu lado e nada vemos porque, na prática, não estamos disponíveis para esse olhar.

O Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina é apenas um ponto na superfície do planeta. Mas esse ponto, essa faixa junto ao mar é extremamente rica em pormenores, texturas e olhares, revelando uma poesia muito própria. Encontramo-la nos vastos areais, na dinâmica do mar e das ondas, no céu azul ou cheio de neblinas, mas especialmente na diversidade das rochas e pedras que o cobrem. É neste último ponto que incide este post: nas texturas da “pele” daquela região.

Deixo-vos aqui uma pequena amostra da riqueza geológica que ela nos oferece.

 

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cosmética

 

Viver com uma pele alérgica e muito reactiva não é fácil. Depois de muitos anos a experimentar produtos indicados por médicos ou por profissionais da área da cosmética mas sem resultados evidentes, cansei-me e resolvi mudar de rumo, entrando no mundo dos produtos com certificação biológica, opção que se tem revelado muito positiva e bem aceite pela minha pele. Esse facto levou-me nos últimos meses a um aprofundamento do assunto, sendo certo que sou apenas uma iniciada a dar os primeiros passos no mundo da cosmética biológica e natural.

Desse encontro, gostava de partilhar aqui alguns aspectos, pois estou certa que serão desconhecidos para muitos.

Inicialmente, o que me interessou foi tentar perceber o que difere nas composições de um produto dito normal e num produto biológico, acção apenas possível através da análise dos rótulos que todos possuem.

Após muitas pesquisas na internet e consulta de livros, comecei a compreender o que está inscrito na chamada lista INCI (International Nomenclature of Cosmetic Ingredients), de utilização obrigatória em todos os cosméticos que circulam na União Europeia. Essa lista, indica os ingredientes por ordem decrescente de quantidade, ou seja, o primeiro indicado (muitas vezes a água) é o que existe em maior percentagem e o ultimo em menor. Normalmente os cinco ou seis primeiros ingredientes dessa lista representam cerca de 70% da fórmula, sendo que constituintes em quantidade inferior a 1% não são de afixação obrigatória.

A grande diferença está na origem dos produtos utilizados. Num cosmético normal a maioria dos componentes são de origem sintética, derivados do petróleo, ou óleos naturais transformados em laboratório, ou seja, produtos nocivos para a pele e também para o ambiente. Isto não se passa com os produtos biológico cujos componentes são naturais, de origem vegetal e cultivados sem aditivos químicos. Estes passam também por processos de transformação como prensagens a frio ou destilação, mas que mantêm as suas propriedades.

Na internet, como já referi, existe muita informação sobre este assunto. Basta procurar. De qualquer forma, para que este alerta fique mais completo, vou apenas nomear algumas dessas substâncias nocivas que encontrarão em muitos dos rótulos que certamente terão em casa e que aplicam diariamente na vossa pele ou cabelo:

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  • No campo dos surfactantes, um dos mais conhecidos é o famoso Sodium Lauryl (ou Laureth) Sulphate (SLS), que entra nos shampoos, mas também em todos os detergentes que temos em casa e que usamos na loiça, na roupa ou no chão;
  • Considerados perturbadores endócrinos são todas as substâncias terminadas em -paraben e -phtalate, mas também o phenoxiethanol, os filtros solares benzephenone ou o oxybenzone;
  • Todos os ingredientes que aparecem com letras maiúsculas (PEG, PPG, EDTA, DEA, TEA, MEA, etc);
  • Os produtos derivados dos óleos minerais petroquímicos, caso do Petrolatum, cera microcristalina e Paraffinum liquidum;
  • Os silicones, que nada trazem à pele e fazem tanto mal ao ambiente, como são todos os produtos terminados em -one, -cone  ou -oxane;
  • BHT, BHA ,Triclosan, entre outros, são substâncias irritantes para peles sensíveis. O último indicado aparece em muitas pastas dentífricas;
  • Um perfume ou fragrância numa lista INCI que não for seguido de um asterisco, significa que é um produto sintético.

Refiro novamente que todos estes produtos, para além de pouco saudáveis fazem mal ao ambiente, na medida em que são milhões e milhões de pessoas a usá-los diariamente. Ou seja, são despejados na natureza produtos que não são naturais, mas sim de origem química e poluentes.

Numa perspectiva essencialmente ambiental, gostaria ainda de mencionar um outro produto, o óleo de palma ou de dendê. Não é nocivo, mas a sua plantação está a destruir a um ritmo impressionante florestas antigas e a pôr em risco a vida selvagem aí existente. É plantada no Brasil, mas principalmente na Indonésia e na Malásia. Está presente na maioria dos sabonetes, mas também em muitos cremes. Ao tentar evitá-lo, estamos todos a ajudar este planeta.

Para terminar este post, gostaria ainda de chamar a atenção para as “ratoeiras” que actualmente existem no mercado dos produtos chamados naturais. Uma embalagem mais apelativa (com predominância de tons verdes, imagens de plantas, frutos e afins) ou a palavra bio, pouco significam. Muitas vezes é marketing. É fundamental olhar para a lista INCI, especialmente para os seis primeiros ingredientes (mas aconselho a lê-la na totalidade…), ou verificar se tem uma etiqueta de certificação BIO: Cosmebio, Ecocert, Agriculture bio em EU, Nature et Progrés e Mention Slow Cosmétique entre outras.

Voltarei a este assunto brevemente porque, sendo a pele um orgão tão importante no nosso corpo, merece toda a nossa atenção.