por vezes…

 

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…as circunstâncias que nos cercam envolvem-nos uma teia de pensamentos, receios e até culpabilizações sem sentido.
Facilmente ficamos enredados nesses meandros, desfocados da realidade, esquecendo que somos luz e iluminamos outros e, mais importante ainda, que uma Luz maior sempre nos envolve.

São os momentos sombra. Que passam, como tudo na vida.

 

 

 

 

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memórias

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De memória em memória
desenhamos uma linha
de imagens
momentos
lugares
e sentimentos.

Linha
etérea e fugidia
nascida dos meandros
do tempo,
guardiã daquela memória
que deu início à nossa história.

Ilusório será pensar
que as imagens
do passado,
se agarram à linha do tempo
para sempre aí ficar.

Mas não.

Como um vento
de outono
que leva as folhas pelo ar,
também um sopro de tempo
traz o passado ao presente,
e com ele,
os momentos de alegria
as mágoas
a inquietação
os sentimentos de culpa
e talvez…
…talvez o sábio perdão!

Com o passar dos anos,
pode essa linha do tempo
tentar voar com o vento
e fugir,
ou apenas desvanecer.
Mas uma ponta
é sempre nossa,
como um cordão virtual
umbilical,
que une a vida que nos foi oferecida
com a vida por nós vivida
e aquela que iremos ceder.

Um dia,
em paz ou inquietação.

 

 

(Dulce Delgado, Fevereiro 2018)

 

 

 

riscando o céu…

 

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Uma linha entre tantas que sulcam os céus.

Como um traço de giz, o rasto de cada avião divide o “céu” que nos envolve em duas metades, o que não deixa de ser um pensamento interessante. Porém, mais admirável, é o facto desses traços resultarem da capacidade humana de voar e… de nos céus desenhar!

Em cada avião vai um pequeno mundo de homens e mulheres, de raças, culturas e idiomas diferentes. Gente simples e complexa, gente que viaja em busca de algo, seja novo, desconhecido ou pela vida já concedido.

Mas cada um desses seres transporta o seu próprio mundo, construído de pensamentos, sentimentos e sensibilidades, onde se misturam desejos e frustrações, prazer e dor, alegria e tristeza, tranquilidade e ansiedade, certezas e dúvidas. Rancores talvez. E sentirá certamente amor, porque esse toca a todos… seja de que forma for…mesmo que seja com ar de dor!

Quase certo será ali viajar o receio e algum medo…afinal a terra firme está bem longe! Nele haverá um rol de emoções vividas na intimidade de cada consciência, momentos pessoais que colam o corpo e a energia ao assento, seja coxia seja janela. Tantas emoções como o número de viajantes que o acaso, ou não, juntou naquele avião, naquela viagem, e que, com ternura, eu guardei nesta imagem.

Olhando daqui… somos tão frágeis, iguais, pequenos e vulneráveis!

 

 

passagem de peões…

 

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Como peões ou como condutores, as faixas de atravessamento são locais a que associamos um maior cuidado e atenção, tendo sempre como base um número bastante restrito de acções: olhar, parar, atravessar e prosseguir.

Nelas se cruzam peões entre si, condutores com condutores e peões com condutores, numa troca mais ou menos silenciosa de energias e de humores. Basta estar um pouco mais atento para nos apercebermos de:

– variados graus de distracção
– olhares de apreciação e de sensualidade
– indiferença
– paciência ou impaciência
– acenos de agradecimento
– olhares e sorrisos que iluminam quem os recebe
– olhares de recriminação ou de condenação
– surpresa
– falta de respeito
– irritação
– cansaço
– pressa
– gestos de provocação
– impropérios mais ou menos desagradáveis
– situações de embaraço
– situações caricatas e que fazem rir
– pedidos de desculpa
– etc.

 

Tendo isto em conta e ainda que gosto de encarar os pensamentos como formas vivas, animadas, humanizadas, energéticas, moldáveis e mais ou menos coloridas…

…um dia destes, ao olhar com mais atenção para a dinâmica dos poucos metros quadrados de uma passagem de peões, imaginei todos esses humores, pensamentos e energias a “flutuar” e disputando entre si uma entrada em cena:

…que condutor tão cuidadoso! Merece um belo sorriso!
…tens que pedir desculpa!
…aquele condutor está num dia difícil…vai sair asneira!
…vou fazer com que aqueles peões “choquem”… e se olhem nos olhos…
…hum…que visão interessante!…
…vai, vai ter com aquela senhora idosa, ela precisa de ajuda…
…não me apetece parar o carro…vou fazer que não vejo…e passar à frente daquele peão!
…doí-me a perna…não consigo atravessar mais depressa…tenham paciência…
…mais peões? Já chega de paragens por hoje! Quero-me despachar!
…estás com pressa…agora esperas!
…por favor, agradece-lhe com um aceno, não custa nada e é simpático!

…etc, etc.

 

Sim…eu sei que este é um post sem sentido… nem finalidade… quase absurdo…mas por vezes apetece escrever as coisas absurdas que nos passam pela cabeça!

 

 

Imagem retirada de:
http://rr.sapo.pt/noticia/59669/o_vermelho_nao_e_uma_ordem_para_muitos_peoes

 

 

 

ao mar do meu olhar…

 

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…neste Dia Nacional do Mar!

Este poema é um “mar-divagar” pessoal e nada diz sobre a real importância deste elemento na vida de todos os portugueses. O mar é a nossa história, o nosso percurso e estou certa que será uma parte fundamental do nosso futuro.
Pretende-se apenas que, neste dia, cada um relembre o seu próprio Mar!

 

Mar,
de longo e infinito olhar
onde é fácil imaginar
aquele lado da vida
que a vida não nos quer dar.

Horizonte de poesia
que me leva a passear,
deixando os pensamentos
profundos
ou em fragmentos,
pelas águas navegar.

Uns mergulham nas ondas
e ficarão sempre a nadar,
outros preferem voar
levados por um véu de água
que se evapora no ar,
e muitos,
felizes e sem mágoa,
diluem-se na branca espuma
que na areia vai descansar.

Tranquilamente,
percorro a beira-mar…

…talvez a procurar
um pensamento
meu,
escondido numa concha,
morando no coração
de um búzio,
ou dormindo na areia
que os meus pés estão a pisar!

 

(Dulce Delgado, Novembro 2017)

 

 

sombra ausente

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Somos gente,
matéria e sopro de vida
em corpo de sangue
quente,
gente de fé
de pensamento
e de tanto sentimento!

Mas somos sombra
igualmente,
sombra parceira da luz
elástica
fresca
e transparente,
sombra eterna
que nos persegue
ao ritmo do movimento.

Sombra
sempre anulada
pelo brilho de um espelho,
face única
e transcendente
onde a sombra fica ausente
e a luz
é permamente.

Face de viva magia
fronteira do aparente,
lugar imagem…
lugar miragem…
mas sempre lugar de viagem
ao outro lado da gente!

 

 

(Dulce Delgado, Setembro 2017)