em nome do ambiente

No início de 2020 acelerava o processo de substituição de plásticos e especialmente a consciencialização em optar por materiais recicláveis ou biodegradáveis.

Começaram a aparecer os primeiros sacos reutilizáveis para frutas e legumes nos supermercados, assim como os talheres descartáveis em madeira, os cotonetes em bambu ou cartão e, na hora do café, o pauzinho em madeira ou a clássica colher de metal já substituíam em muitos locais o estranho estilete de plástico. Também os guardanapos em papel reciclado apareciam em muitos serviços de restauração. Era muito interessante e gratificante observar estas modificações de hábitos a se instalarem aos poucos.

Mas veio a pandemia e com a paragem de tudo também este processo sofreu certamente um hiato, senão um retrocesso. Haverá metas a atingir, mas dadas as circunstâncias em que vivemos não sei se estarão neste momento em cima da mesa como sendo importantes.

Por outro lado…

…a pandemia levou a um aumento de resíduos de todo o género, acrescido agora das máscaras e luvas descartáveis, o que significa mais lixo, muito dele perigoso.

Mais grave é a falta de sensibilidade dos que deitam esses resíduos para o chão. Em zonas costeiras já se verifica um evidente aumento da poluição, uma vez que esses equipamentos são facilmente levados pelas chuvas até ao mar.

As circunstâncias que vivemos não podem ser desculpa para agressões ambientais. Todos os dias, confinados ou não, temos os poder de escolher a atitude ou o gesto mais correcto e equilibrado.

Para isso basta um pouco mais de atenção na hora de comprar e especialmente reforçar o cuidado na hora de deitar fora, fazendo-o apenas para o local certo, aquele que é o menos prejudicial para o planeta.

experimentações #12

#agosto 79 (2)a

 

As preocupações com o ambiente e os efeitos da poluição no planeta estiveram presentes em alguns desenhos da minha juventude.

Essa abordagem poderia ser relativamente pacífica e esperançosa, como  revela acima ou, pelo contrário, bastante explosiva e sem dar qualquer credibilidade à raça humana.

Diria mesmo que deveria estar num dia de grande revolta com a humanidade quando fiz o desenho que se segue…

 

Julho 79 ab

(Dulce Delgado, lápis de cor/grafite sobre papel, Julho e Agosto 1979)
 

o acordo de paris

 

Para reavivar a memória, entra esta sexta-feira em vigor o Acordo de Paris para as mudanças climáticas, aqui sucintamente explicado:

 

 

Se a postura de cada um é fundamental no cumprimento deste acordo, mais importante será a postura e as políticas dos países signatários do documento. Portugal também assinou, pelo que seria interessante um acréscimo no seu empenhamento. Como?

Deixo algumas sugestões:

  • Impedindo definitivamente a prospecção de petróleo no nosso país, para evitar a hipótese de produzirmos…aquilo que queremos combater;
  • Um forte e bem planeado investimento no transporte público, o que actualmente está longe de suceder. Como acontece noutros países, a existência de uma boa e funcional rede de transportes implicaria certamente  menos carros a circular nas cidades;
  • Incentivando a capacidade inventiva, a apetência nacional para a novidade, o know-how que já existe e obviamente os recursos da indústria nacional, para a produção e comercialização de um veículo movido a energia solar, a nossa fonte de energia por excelência;
  • A promoção e desenvolvimento dos modos suaves (andar a pé e de bicicleta);
  • Realizar campanhas de incentivo ao uso de menos embalagens, impondo regras, nomeadamente às grandes superfícies que usam e abusam desses materiais. Apesar de recicláveis, a sua produção gasta energia e é poluente;
  • E outras possibilidades, que neste momento cada um poderá estar a pensar!

 

Somos um povo aberto à novidade e de adaptação fácil. Desde sempre. Podemos resmungar um pouco de início, mas rapidamente compramos lâmpadas de baixo consumo para as nossas casas ou esquecemos os sacos grátis que eram dados no supermercado, por exemplo.  Com inteligência, a nossa classe política poderia aproveitar esta característica nacional e levar-nos a contribuir de uma forma muito mais concertada para objectivos positivos para a  sociedade, para o ambiente e para o bem estar de cada um. O nosso país é apenas um cantinho neste enorme planeta, mas podemos ser grandes quando nos empenhamos numa causa, desde que ela tenha por base a solidariedade e o coração.