carícias ondulantes

 

IMG_9775ab

 

Rasga o barco a superfície do rio…

Na água, um arrepio
branco
de espuma
penetrante
e frio.

Mas em breve
surgirá novo sentir…

…porque as ondas
divergentes e ondulantes
nascidas desse frio,
são carícias que percorrem
a pele do rio…

…doce
e lentamente…

…até desaparecerem
no azul,
no meu olhar
e no vazio!

 

 

(Dulce Delgado, Agosto 2018)

 

 

 

Advertisements

viagem…

IMG_5352

A vida passa algemada
entre sonhos de grandes viagens…

…como o rio corre apertado
cansado das suas margens…

…como eu vivo neste lado
sonhando com outras paragens!!

 

 

(Dulce Delgado, Março 2018)

 

 

 

o navegador

 

IMG_4655ac

 

Seiscentos anos depois, o Infante D. Henrique, de cognome O Navegador e o grande impulsionador dos descobrimentos portugueses, enfrentou impávido e sereno um “monstro” disforme chamado nevoeiro, que esta manhã se formou no rio Tejo antes do nascer do dia.

Não resisti a  captar esta imagem, não apenas pelo simbolismo, mas pelo profundo respeito e admiração que tenho pelos portugueses daquela época. Nas piores condições, eles enfrentaram os “monstros”, interiores e exteriores, para seguir o sonho de descobrir o que estava para além da linha do horizonte.

Algumas horas depois, já apaziguado, este “monstro” dissipou-se, continuando o Infante a sua eterna tarefa de perscrutar o além.

 

Deste modo, e em tons de nevoeiro e de descobertas…desejo a todos um excelente fim-de-semana!

 

 

 

dois tempos

 

IMG_1340

 

Esta imagem conta uma história, para além das histórias incógnitas de cada uma das pessoas que nela aparecem.

Entre a inauguração desta ponte sobre o rio Tejo que ocorreu em 1966 e a inauguração em 2016 do Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia (MAAT), cuja fachada aparece parcialmente à esquerda, passaram cinquenta anos na história da cidade. Nasceram duas gerações de cidadãos, saímos de uma ditadura para uma democracia, o país aprendeu a respirar e a explorar o seu potencial, e Lisboa, sempre na vanguarda desse processo, acompanhou com grande disponibilidade essa abertura ao mundo.

Nesta imagem, a ponte e o museu, o passado e o presente, estão em profunda harmonia. Sente-se na cumplicidade das linhas que “desenham” ambas as estruturas, no rio que justifica a sua presença nestes locais ou, ainda, na forma como atraem o nosso olhar, que se deleita com tal elegância.

A luz que tudo envolve, não é passado nem presente, é eterna presença.

É simplesmente a luz de Lisboa!