a rotunda das papoilas

 

1ab

 

Por muito criativas que sejam os milhares de rotundas de circulação rodoviária existentes neste país, nenhuma até agora me cativara o suficiente a ponto de lhe dar duas voltas a pé para apreciar e fotografar o espectáculo que me oferecia. 

Esta rotunda tem meia dúzia de árvores plantadas, vivendo o restante espaço da dinâmica das estações do ano. Diria que é um círculo de terra gerido pela natureza onde naturalmente ela expõe a sua criatividade, sem qualquer interferência humana.

Este ano a Primavera pintalgou-a de várias cores, mas é o vermelho das papoilas que impera fortemente.

 

2ab

 

3ab

 

Hoje vou olhar apenas para estas flores silvestres e para a sua cor, beleza, força, simplicidade e fragilidade. E para a atracção que exercem sobre muitos de nós, atracção que eu penso vir exactamente desse misto de sentires quase opostos que nos proporciona, como é a força da cor versus a fragilidade da flor.

Primeiro atrai-nos pela cor, pelo vermelho da paixão e das emoções fortes. E depois pela  fragilidade com que reage a qualquer aragem e pela aparente vulnerabilidade. Essas sensações desencadeiam naturalmente uma vontade de aproximação e de protecção… originando em nós um olhar bastante emocional e afectivo.

 

5a

 

A par da cor e da fragilidade, também a expressividade é evidente. Manifesta-se especialmente nas hastes que seguram os botões das futuras flores, exprimindo um misto de submissão e saudação ao olhar que nelas pousa. Como se tivessem a dizer um tímido e silencioso olá…

 

6a

 

7a

 

O próprio nascimento da flor é quase “humano” e muito “orgânico”. As pétalas nascem amarrotadas, frágeis, inseguras e quase pedindo que cuidemos delas.

 

8a

 

9a

 

Será a própria brisa/vento a que são tão sensíveis que as ajudará a desabrochar, a alisar …e a fortalecer a personalidade. E então, em plena maturidade, brincam com o sol, abrem-se para os insectos e dançam ao sabor do vento que as abana… inclina… quase dobra…mas não quebra. Orgulhosamente elas resistem, continuando a alimentar muitos olhares e também o nosso imaginar.

Foi tão fácil encontrar uma papoila-borboleta a voar!

 

10a

 

Terminado o tempo da dança e desta estação do ano, o vento levará uma pétala…outra cairá…e outras secarão E ficará a essência, materializada no ovário e nas sementes, qual útero que as próximas estações ajudarão a abrir…a dispersar…e que daqui a um ano  voltarão certamente a dar cor e beleza a este lugar!

 

IMG_1861

 

Como complemento, falta dizer que esta rotunda situa-se no extremo oeste da Avenida de Portugal, em Carnaxide, nos arredores de Lisboa.

Ontem voltei a visitá-la, tem ainda mais papoilas e está simplesmente magnífica! E hoje, neste Dia da Mãe, algumas vieram à pouco ter comigo pela mão da minha filha. Para tentar secar e guardar com todo o carinho!

 

 

 

 

vida de kiwi…

IMG_5827

Alinhadas em redor do centro e como sempre vestidas de negro, as sementes de kiwi convivem numa ambiência verde natureza. Será que conversam?
Não sei! Não faço a mínima ideia que assuntos interessam às sementes de um kiwi!

Bem…não faço ideia, mas posso imaginar……talvez…

… questões familiares, uma vez que são uma família numerosa vivendo em espaço reduzido

… problemas relacionados com o amadurecimento do fruto, algo bastante problemático nesta espécie

… talvez a qualidade das suas propriedades vitamínicas e alimentícias

… aspectos de identidade e de nacionalidade… porque muitos kiwis são migrantes e grandes viajantes!

… insegurança emocional, derivada de muitos não os apreciarem

… o facto de nunca se sentirem realmente desejados como uns morangos ou umas cerejas…porque o seu fruto está disponível durante todo o ano…

… ou ainda, o estranho aparecimento no seio da família de kiwis amarelos, vermelhos e baby…

Sim…este é apenas um post nascido do olhar…

…mas tendo o hábito diário de comer um kiwi (muito rico em vitaminas e outros nutrientes), sempre fico fascinada com o interior deste fruto…sendo por isso muito fácil aliar a imaginação a esse deliciado olhar!!

 

 

 

tipuana

 

img_6481

 

img_6478

Lisboa tem imensas tipuanas espalhadas pela cidade.

No Jardim 9 de Abril, localizado na Rua das Janelas Verdes, existe um magnífico exemplar desta espécie oriunda da América do Sul. É uma árvore que vejo diariamente, há muitos anos, assistindo por isso ao desenrolar das estações na sua enorme copa.

Admiro a sua imponência e os seus elegantes ramos, e gosto muito de a ver replecta de flores que, ao caírem, pintam o chão de amarelo e de alegria.

Porém, aprecio ainda mais os seus frutos/sementes que aparecem no Verão e que começam a cair neste final de Outono. Em forma de “pássaro”, estas estruturas aladas descem num rodopio até ao solo, numa viagem muito dinâmica e alucinante. Gosto de as observar nessa aventura… e de imaginar o que sentiriam, se tivessem tal capacidade.

Todos os anos recolho um desses “pássaros” e pouso-o num placard junto da minha secretária, onde já se encontram outras gerações dessas sementes.

São elegantes, engraçados, fazem companhia e, por vezes….. quase que os ouço cantar!

 

tipuana