2020

 

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E assim nasceu o primeiro dia do ano na região de Lisboa, envolto em neblinas e com nevoeiro sobre o rio Tejo. No céu, muitas linhas de aviões, de caminhos para novos lugares, de mudança, e sempre, sempre de esperança.

Que este novo tempo permita mais senso a este mundo do qual todos fazemos parte, e a nível individual a concretização dos desejos surgidos nos instantes que uniram o ultimo dia de 2019 ao primeiro de 2020. Agarremos essas sensações com energia, seja qual for o campo em que se manifestem… e continuemos este caminho, em paz e com saúde! Será esse certamente o maior desejo de todos nós.

Pessoalmente creio que não pensei muito e limitei-me a apreciar o momento, partilhado com alegria sob um belíssimo fogo de artifício. Afinal já cheguei a 2020! Se quando era jovem o ano 2000 era algo bem longínquo, esta data é um marco. Como será no futuro cada ano e cada década que a vida saudavelmente me queira oferecer!

Contudo, os pensamentos mais organizados e de balanço surgidos nos últimos dias aliam-se agora à vontade de fazer pequenas mudanças, nomeadamente num contexto mais criativo, campo onde se insere este blog.

O que será diferente?

A ideia de iniciar cada publicação com uma fotografia ou desenho da minha autoria como sucedeu na maioria dos 460 posts já editados será mantida. Mas pretendo igualmente mostrar essas formas de expressão individualmente, com pouco ou nenhum texto de acompanhamento.

Esta decisão resulta da constatação de que tenho muitas imagens que aprecio (algumas já publicadas no Instagram), assim como desenhos, aguarelas, registos de viagens e colagens que os anos viram nascer. Ao publicar esse material terei mais alguma disponibilidade para voltar a treinar a mão e o olhar de uma forma mais consistente, algo a que a existência deste blog e o acompanhamento de outras páginas veio tirar muito tempo. Mas que para mim é tão importante como continuar com este espaço.

Na prática significa apenas partilhar um pouco mais do passado para ter mais tempo para crescer e construir o futuro. Criativamente falando, obviamente!

Assim, para além da tipologia de publicações já vossa conhecida, surgirão neste Discretamente as séries

.  instantes #1…. #2….#3…, com fotografias

. experimentações #1…. #2….#3…., com desenhos, aguarelas, colagens e tudo o que mais possa surgir.

Serão estas as pequenas mudanças para este novo tempo!

 

Desejo um excelente 2020 para todos!

 

 

 

 

tristeza

 

preto

 

Ao longo dos quase três anos deste blog, tenho tentado manter a mesma linha que o levou a nascer: partilhar sentires, momentos, lugares e alguma da criatividade que comigo nasceu, mas de uma forma tendencialmente doce, positiva e discreta, porque é essa a forma que tenho de estar comigo e de me enquadrar no mundo. Acredito, com humildade, que as energias daí nascidas são boas e que o mundo precisa das nossas melhores energias. Tento apenas contribuir com uma ínfima parte.

Contudo, sendo uma cidadã do mundo, é óbvio que há situações que geram outro tipo de energias menos simpáticas. Em resposta, não as alimento com raiva, porque esse é um sentimento que não quero dentro de mim; também não as alimento dando continuidade de uma forma quase irracional em redes sociais, como vemos amiúde; e, de uma forma geral, não as alimento com grandes conversas porque, seja em que campo for, há sempre pessoa preparadas e especializadas para falar, escrever e debater esses temas mais polémicos com competência e seriedade. Eu nada acrescentaria de novo.

Hoje, porém, vou desviar-me um pouco dessa linha de conduta, sendo certo que a energia emocional com que escrevo não é doce nem mesmo positiva. É de tristeza, incompreensão e, não obstante estar ciente que estas palavras nada acrescentam, preciso de as escrever.

Fazendo a ponte…

Apesar de vestir amiúde o preto, porque gosto dessa cor e nunca a associei a luto ou a dor, hoje vesti uma peça desse tom conscientemente e por uma causa. É um preto/negro solidário, porque esta noite mais uma mulher foi morta em Portugal pelo seu companheiro, exactamente no dia de luto nacional pela violência doméstica.

Estamos na décima semana do ano de 2019 e esta última vítima foi a 12ª a morrer no meu país. A continuar este ritmo, serão o dobro do ano anterior. Caberá ao estado e às suas instituições agir rapidamente sobre a situação, esperando que esse agir seja firme, real e com efeitos a curto prazo, pelo menos na actuação a ter com casos já referenciados. Não será tolerável que as acções recentemente divulgadas e ainda em fase embrionária não sejam desenvolvidas com rapidez e rigor. Vamos aguardar, mas todos sabemos que algo tem que ser feito.

Como ser humano, revolta perceber que as situações de violência existem porque o senso, o chamado bom senso deixou de existir e foi completamente engolido por sentimentos doentios, irracionais e até capazes de matar quem, em certo momento, se escolheu para partilhar a vida ou mesmo ter filhos.
É difícil imaginarmos o leque de emoções que este tipo de acontecimento/violência deverá gerar ao longo da vida dos protagonistas, especialmente das vítimas: haverá amor e ódio, ilusão e desilusão, alegria e dor, confiança e terror. E haverá o viver ou o morrer.

Todas as vítimas foram mulheres. Doze homens do meu país preferiram alimentar o seu orgulho masculino e matar por ciúme, amor ou ódio. Preferiram escolher a cadeia e muitos anos sem liberdade a aceitar que as situações e os sentimentos mudam, e que as suas companheiras não são objectos nas suas mãos.

A realidade nua e crua mostra que às mãos desta ignorância e de tanta falta de educação vão morrendo seres humanos que, um dia, sonharam e desejaram um futuro de paz e de comunhão com os seus parceiros.
E infelizmente, mais se seguirão.

Se por um lado é necessário actuar de imediato em algumas frentes, creio que será na família e na escola que estará a solução para este problema, mesmo que os efeitos sejam a médio ou longo prazo. Sensibilizar os jovens, será a chave.

Então que esse papel seja assumido com empenho pelo estado e pela sociedade no geral, e por todos nós em particular no nosso pequeno circulo de acção. Será a solução para uma meta a atingir. Sem desvios nem recuo.

Hoje, o meu preto, é mesmo de luto.