frio sentido

img_2691ab

 

Frio
e desafiante,
o vento de Inverno
penetra os poros
e a pele
que a roupa não protege.

Com ternura
ajusto o casaco ao corpo,
aconchego as zonas expostas
e penso…

…este,
também é o papel da Mãe-Natureza…

…tocar
…alertar
…ousar despertar o sentir,
e naturalmente,
levar-nos a reagir!

 

(Dulce Delgado, Janeiro 2019)

 

 

Advertisements

óbvia mente

 

obvio a

 

Óbvio?
O que é o óbvio?

O meu olhar?
O teu sentir?
Aquele agir?
Este pensar?

O meu óbvio…
…ou o teu óbvio?

Adoro
a incerteza
e a subjectividade do Óbvio!

….

 

 

(Dulce Delgado, Dezembro 2018)

 

 

as voltas da mente…

 

IMG_4842

 

Penso…
nisto
naquilo
no além…

Para quê pensar
aqui,
neste lugar?

Ajuda o meu respirar?
Melhora o meu olhar?
Impede o dia de terminar
neste tão belo lugar?

Não!

Então,
hoje não quero pensar,
mas apenas estar
aqui,
a apreciar!

Quero…mas não consigo…

…porque a mente abre o postigo
salta do escuro abrigo
e começa a saltitar,
aqui,
em mim
no fundo do meu olhar
a desfocar o sentir
e a paz deste lugar!

Talvez…
…pôr a mente de castigo?

 

 

(Dulce Delgado,  Setembro 2018)

 

 

 

…60!

 

4bl

Dançam as nuvens
as árvores
e um bando de pássaros…

O ar é o palco
A música é o vento
A valsa, o movimento
E o meu olhar, um abraço!

 

Este pequeno poema que escrevi algures na década de noventa, é um dos que mais aprecio.

De certa forma é um poema sem tempo, pois reencontro-me sempre que o leio, o que me leva a sentir que ele foi passado, é presente e será futuro. Essa intemporal-idade que me transmite é uma boa razão para o partilhar neste dia em que cumpro 60 anos de vida, seis décadas de imensos olhares e sentires, de dificuldades e vitórias, de muitas alegrias, mas igualmente da estranha sensação de que tudo passou rápido demais.

Sei que o tempo que me será oferecido será seguramente bem menor que o já vivido. Seja ele qual for, enquanto o puder fazer em consciência será para abraçar, para envolver com o olhar e partilhar em palavras, imagens ou desenhos, não só com os que estão fisicamente mais perto, mas igualmente com os outros que, através deste blog ou não, vão acompanhando o meu sentir nesta aventura que é a Vida.

Fá-lo-ei da melhor forma possível e sempre tentando descobrir/aprender algo de novo todos os dias, seja em mim, seja nos outros, seja no mundo onde me situo ou na natureza que me envolve. E depois partilhar isso. Porque a vida, mesmo com todas as dificuldades com que nos presenteia, não merece outra forma de estar.

Obrigada por estarem presentes nesta simbólica data da minha vida!

 

 

(Dulce Delgado, 7 Maio 2018)

 

 

 

sentir… pensar…

 

IMG_5114

As horas de luz crescem a olhos vistos neste Inverno já maduro.
O tempo frio alterna com o primaveril, tal como nuvens mais ou menos cinzentas e densas vão coabitando com o céu azul.

Alguma chuva tem caído no norte do país e alimentado a terra e as barragens, situação que aconteceu muito esporadicamente no centro e no sul, onde a natureza continua afogada em secura. Apesar da pequena dimensão do país na globalidade do planeta, a distinção entre norte e sul é notória em imensos aspectos. E no clima também, para desespero de todos aqueles que precisam urgentemente que a chuva caia e prepare os terrenos para as novas sementeiras.

Se por um lado apetece sentir na pele os dias primaveris e soalheiros, por outro a sua presença é dolorosa, porque sabemos o que tal pode significar na dinâmica deste nosso solo pátrio. E em nós, que o habitamos.

Como em muitos momentos e situações da nossa vida, estamos perante o querer e o não querer, perante a emoção que pende para um lado e a racionalidade que pende para o outro.

Que fazer? Sentir… ou pensar?

Sentir o prazer do sol… talvez “culpabilizando-nos” por o estarmos a fazer?

Ou pensar…negando a vontade de o sentir e “acalmando” os problemas de consciência?

 

 

 

talvez…

 

IMG_8457a

 

Gosto da sublime ideia de que existe algo, talvez uma energia…talvez uma luz …talvez um anjo…talvez uma estrela…que nos acompanha, protege, alerta e orienta em determinados momentos.

Por vezes estará perto, muito perto de nós; noutros, ficará bem mais longe, apenas a “observar”… um pouco à maneira dos “anjos” do filme As Asas do Desejo de Wim Wenders. Mas gosto de imaginá-los como energias transparentes ou luminosas….

…dissolvidas na luz que entra na janela e inunda uma casa…

…voando na aragem sentida de um vento que não existe…

…na sensação de uma presença ausente…

…naquela forte intuição que nos ajuda a decidir…

…na intranquilidade que nos leva a procurar…

…nas situações de perigo em que um efémero segundo nos salva…

…naquele inexplicável sentimento de alegria…

…na estranha repetição de determinados sinais…

…no inesperado abanão que nos desperta de um adormecimento acordado…

 

Qualquer sentir é discutível, porque é apenas pessoal.

Para alguns de nós, a vivência e a experiência dá a esses sentires determinada explicação; para outros, a explicação estará noutra razão; nos mais cépticos, provavelmente não haverá explicação; e noutros, o sentir nem chega a ser sentido ou a ser razão.

A verdade, é que todos estamos certos.