pelo nevoeiro de sintra…

 

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Numa recente incursão pela Serra de Sintra, esta recebeu-nos da forma que mais aprecia: envolta em nevoeiro!

Apesar de eu não ser uma forte adepta da humidade e do frio associados a esse estado meteorológico, nesta serra tão próxima das minhas emoções ele transforma-se em magia para o olhar e preenche-o de tal forma que se torna belo, envolvente e acolhedor.

Ao atenuar os detalhes e as cores, o nevoeiro valoriza as formas e a sua expressividade…

 

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Mas os detalhes estão ali, agarrados aos troncos das árvores, na textura dos blocos graníticos ou no coberto vegetal do solo. Basta olhar…

 

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E na base de toda esta vida está a água, sempre o elemento água, que de uma forma mais ou menos visível está bem presente nesta altura do ano.

 

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Estas poucas imagens, das imensas que aqui poderiam estar, foram obtidas na periferia do Santuário da Peninha, local que fica relativamente perto do cabo da Roca, o ponto mais ocidental da Europa Continental.

Espero que as apreciem!

 

 

 

árvores com história

 

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Estando a ocorrer mais uma vez a votação online para a eleição da árvore portuguesa do ano, não poderia deixar de o mencionar neste blog. A ideia é escolher a árvore com a história mais interessante, o que não significa que seja a mais bonita. Posteriormente a vencedora irá participar no concurso europeu Tree of the year 2019. Recordo que em 2018 Portugal venceu este evento com o sobreiro assobiador de Águas de Moura (Marateca, Palmela).

A imagem inicial deste post pertence a uma das árvores a concurso. É uma Tuia-gigante, talvez sem a história mais bonita mas é sem dúvida imponente e vive há cento e cinquenta anos no Parque da Pena, na Serra de Sintra. Escolhi-a simplesmente porque entrou no meu olhar há mais de quatro décadas e, desde então, sempre que a visito consegue deslumbrar-me com a sua mística, expressividade e elegância. Diria que a escolha desta imagem foi feita com o coração!

A votação racional… termina no próximo dia 21 de Novembro. Mesmo que não votem, vale a pena conhecer estas histórias da natureza!

 

Imagem retirada de https://portugal.treeoftheyear.eu/Trees/Tuia-gigante

 

 

 

sintra…

 

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Existem lugares que ficam connosco. Para sempre. Mesmo que a sua dinâmica se altere com a passagem do tempo, guardamos a emoção sentida, o que nos deram, o que neles deixamos. No fundo, guardamos a sua energia e, estou certa, também esses lugares guardarão num qualquer recanto, um pouco de nós.

Sintra e a sua área envolvente, é um desses lugares de memórias e de emoções. Aí passei vivências únicas na minha juventude, fiz amigos que se mantêm, namorei, casei, vivi, e os meus filhos passaram parte da sua infância.

A Sintra que tenho na memória, não é seguramente a Sintra de hoje, em que prevalece a vertente turística e com ela uma visão bem mais economicista da região.
Retenho uma Sintra ao natural, espontânea, com portões mas sem barreiras. Recordo a naturalidade e a facilidade com que tantas vezes subíamos ao castelo apenas pelo prazer de ver o pôr-do-sol, ou como os verdes e as neblina tinham um cheiro que nos invadia, que era único e que não se esquece; recordo os atalhos e os caminhos não sinalizados que nos chamavam e que sentiamos envoltos numa certa magia; recordo as pequenas plantas selvagens que colhi num muro e que depois de colocadas em terra, se tornaram nos primeiros vasos de uma paixão que hoje persiste; lembro com emoção e quase com um arrepio, os penedos que eram escalados em aventuras mirabolantes pela energia de uma juventude pouco alimentada pela racionalidade, mas bastante permeável à força que a serra transmitia; e lembro ainda uma serra onde se fazia campismo no meio do nada apenas pelo prazer de estar isolado, entre verdes, silêncio e nevoeiro.

Na minha juventude, Sintra foi um modo de estar, uma filosofia e um forma diferente de pensar a vida. Ela foi ainda o som de uma guitarra e o calor de uma lareira em redor da qual a amizade e as grandes conversas eram acompanhadas por chá quente e torradas, ou pelas castanhas, assadas e saboreadas no momento.

Mas Sintra também era a humidade que se sentia nos lençóis ou o cheiro a mofo que as casas detinham. Sintra era o frio e o desconforto, mas igualmente o aconchego e a energia.

Afastei-me da sua área geográfica há mais de vinte anos. Porém, quase todos os dias e sempre que o ângulo o permite, o meu olhar procura o contorno da serra como se fosse um elemento da família. Gosto de a ver límpida, nítida e cheia de luz, mas também tapada pelo nevoeiro ou com um manto de nuvens descansando nos seus montes, como se um nevão a cobrisse de branco.

Continua bonita, com um perfil único e de matizes que variam todos os dias. Persistem os recantos encantadores e é sempre um lugar a que volto. Mas a envolvência humana e agitada que vive na actualidade dificilmente permite senti-la como nos tempos em que era “a nossa serra”. Agora é preciso procurar muito mais para tentar encontrar a calma e a  magia que emanava noutros tempos.

Sintra e a sua serra evoluíram…e eu envelheci. Porém, os seus lugares e a sua energia estarão sempre no meu caminho. Até ao fim.

 

 A fotografia é da autoria de José Oliveira, com quem partilhei Sintra e a serra durante muitos anos. Hoje, este perfil continua a fazer parte do seu olhar de todos os dias. Obrigada por partilhares comigo este post!