eclipse

 

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Gosto de olhar para o céu e de apreciar o que ele me oferece, seja para alimentar a minha vertente de meteorologista ou aquela parte de mim mais sensível, “aérea”, criativa e que me leva facilmente a divagar.

As nuvens, as tonalidades do céu, o ciclo do Sol, a noite e as estrelas, ou a Lua nas suas fases, provocam-me naturalmente momentos de paragem e de quietude. Por vezes de reflexão mais profunda, dependendo da “fase” em que me encontro.

Ontem, perante a perspectiva de um eclipse de Lua total e a previsão de um céu sem nuvens, aliei-me ao evento de alma e coração, aproveitando o facto de minha casa ter uma ampla vista para oriente. Montei então a máquina fotográfica no tripé e acompanhei este momento astronómico, tendo em conta as limitações do equipamento que possuo.

Mas isso era realmente o menos importante, porque em qualquer jornal ou noticiário de hoje aparecerão imagens lindíssimas e perfeitas da Lua e do seu eclipse total. O que me agrada mesmo é o facto de ter presenciado atentamente algo que, com estas características já não se repetirá no meu tempo de vida, e de o ter registado passo a passo, o que ainda não acontecera nos meus sessenta anos de existência.

As imagens registam, mas a memória não esquecerá. E neste tempo de vida do eclipse, à medida que o sol ia iluminando a Lua pensei em muita coisa. E pensei na minha vida…na vida de cada um de nós… e na importância de tentarmos transformar e/ou sublimar em Luz aqueles lados mais escuros que nos constroem. Passo a passo… como a sequência de imagens que ontem captei.

 

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Marte, o planeta vermelho, foi o guardião da Lua nesta aventura, apenas especial para o humano olhar. Subiu o horizonte perto dela e, muito brilhante, manteve-se a seu lado após o eclipse.

Tranquilamente, a Lua, Marte e este pontinho de terra que nos abriga continuarão as suas rotas neste infinito espaço. E nós, mais ou menos tranquilos, continuaremos as nossas vidas.

 

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Que este seja um tranquilo fim-de-semana!

 

 

 

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obrigada!

 

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Como flui o tempo….em tempo de férias!

Agora que esse período terminou e o trabalho, as responsabilidades e este espaço me esperam, verifico que foram muitos os que comentaram o último post que publiquei a fim de me desejarem um bom descanso.

Considerando que não gosto de deixar comentários sem resposta e que não tem sentido estar a responder individualmente passados tantos dias, faço-o através destas palavras… escritas por umas mãos bastante escurecidas pelo sol… sob um olhar em que ainda não se dissipou um agradável filtro em tons de céu, mar e amplos horizontes… e por uma mente que, neste momento, ainda não lhe apetece voltar à realidade e ao dia-a-dia…

É com esta verdade que agradeço os vossos comentários, certa que em breve partilharei convosco um pouco do meu olhar/sentir sobre os lugares que me receberam.

Muito obrigada a todos!

 

 

olá verão!

 

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A repetição dos ciclos da natureza marca o tempo da nossa vida. Entre um solstício e outro passam seis meses…até ao seguinte outros seis….o que na prática significa um ano que fluiu em nós como um vento, por vezes brisa, por vezes vendaval.

Hoje, no hemisfério norte, damos as boas vindas a um novo Verão e ao dia com mais horas de luz do ano. Para outros será o oposto. E para os que vivem nos extremos norte e sul desta belíssima esfera viajante do espaço, haverá respectivamente 24 horas de sol ou 24 horas de sombra.

Nesse instante que acontece precisamente às 11h 07m de hoje, os sensores da pele e da retina de quem habita nos quatro “cantos do mundo” estarão a receber informações totalmente diferentes. A relatividade da vida está aqui bem expressa: todos estamos certos, sentindo sensações diferentes ou até opostas!
Que bom seria que esta constatação fosse bem mais ampla e abrangesse outros campos que separam a humanidade! Ou que a diversidade fosse tão naturalmente aceite!

Voltando ao tema de hoje, e ao Verão…

…nos últimos dias, uma irrequieta e instável Primavera foi surpreendida por um calor repentino, abafado, tropical e que deixou o ar quase irrespirável. O corpo não apreciou tão brusca mudança e relaxou. O cérebro, pelo contrário, activou as sinapses e os processos do pensamento mas, curiosamente, orientando-os apenas numa direcção: vontade de férias e de descanso!

Sendo o Verão um tempo de energias positivas, simbolicamente um tempo em que a luz supera as trevas, que essa imagem seja nossa mentora mesmo quando cansados e precisando urgentemente de parar e de descansar. Que se reflicta nas pequenas coisas, no detalhe, na vontade de sentir, de estar, de partilhar. De dar algo.

É esse o desejo que me acompanha hoje…aqui… neste cantinho europeu… neste recanto do mundo…neste Universo infinito em que somos apenas um ínfimo ponto….

…e neste dia em que o Verão decidiu nascer cinzento, ventoso e chuvoso em Portugal!

 

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A vida é sempre uma surpresa!

Para uns, que seja um bom Verão…e para outros um Inverno de aconchego!

 

 

 

 

fogo e água

 

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O dia nasceu fogo na região de Lisboa. Nasceu vibrante, esmagador e pousou esta imagem no meu olhar, que agora deixo a repousar neste post .

Mas a água “controla” o fogo, mesmo no céu. Em pouco tempo, as nuvens muito cinzentas tudo cobriram e a chuva, por vezes intensa, continuou a cumprir maravilhosamente o popular ditado Em Abril águas mil.

Entre água e fogo chegará o fim-de-semana. E assim permanecerá, para alimentar todos os gostos e partilhar connosco o seu descanso.

Que seja um tempo tranquilo!

 

 

 

 

a chuva…

 

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… finalmente chegou e instalou-se nos nossos dias. Dizem os especialistas que ficará ainda por algum tempo… para já, talvez uma semana ou um pouco mais… o que é muito pouco, sabemos; contudo, pode ser que prolongue a sua estadia: afinal, há muito que não era tão bem recebida por todos nós!

Com ela, regressaram imagens e sensações já um pouco esquecidas…

… a tranquilidade que sinto ao vê-la escorregar suavemente nos vidros da janela… gota aqui… gota ali…;

… como é bom estar neste lado, no lado do aconchego, a observar a sua dança selvagem com um vento que de vez em quando sopra furioso e destemido;

… quão agradável é estar protegida no interior de um carro em andamento (com alguém que o guie por mim, obviamente!), enquanto observo e fotografo os efeitos da chuva nos vidros e as imagens deformadas que eles oferecem;

… o arejamento que permitem as “janelas” de céu muito azul que de vez em quando rasgam as nuvens cinzentas em tempo de chuva, como se fosse a própria terra que necessitasse urgentemente de respirar através delas;

… gosto dos momentos em que o sol e a chuva se juntam e, de imediato, passa em “rodapé” no meu pensamento aquele provérbio que sempre dizíamos em crianças em situação semelhante “A chover e a fazer sol, estão as bruxas a comer pão mole”;

… agrada-me a ideia que durante uma chuvada e depois de tanto tempo de secura, existe um “sentimento” de alegria na terra/substrato e nas plantas que nela crescem. E de imaginar que o mostram da única forma que a natureza lhes permite, ou seja, a terra emanando o seu cheiro e as plantas abanando ao vento!

… como sabe bem respirar a “limpeza e a frescura” do ar depois de uma boa chuvada! Ou ainda, como os olhos gostam das cores brilhantes e saturadas pela água da chuva, que aqui e ali faz nascer poças que espelham o céu e o deixam naturalmente penetrar na intimidade da terra;

… e por último…

… a chuva desperta a “meteorologista” escondida que existe em mim! Graças às tecnologias actuais e às imagens via satélite disponibilizadas no site do IPMA, gosto de acompanhar as movimentações e a intensidade das manchas nebulosas que passeiam pela atmosfera. E ir comparando essa evolução com a chuva real que a natureza nos presenteia.

 

Esta, é a versão prosaica da chuva, a que me apetece escrever hoje.

A outra…ficará para um próximo post!

 

 

 

sentir… pensar…

 

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As horas de luz crescem a olhos vistos neste Inverno já maduro.
O tempo frio alterna com o primaveril, tal como nuvens mais ou menos cinzentas e densas vão coabitando com o céu azul.

Alguma chuva tem caído no norte do país e alimentado a terra e as barragens, situação que aconteceu muito esporadicamente no centro e no sul, onde a natureza continua afogada em secura. Apesar da pequena dimensão do país na globalidade do planeta, a distinção entre norte e sul é notória em imensos aspectos. E no clima também, para desespero de todos aqueles que precisam urgentemente que a chuva caia e prepare os terrenos para as novas sementeiras.

Se por um lado apetece sentir na pele os dias primaveris e soalheiros, por outro a sua presença é dolorosa, porque sabemos o que tal pode significar na dinâmica deste nosso solo pátrio. E em nós, que o habitamos.

Como em muitos momentos e situações da nossa vida, estamos perante o querer e o não querer, perante a emoção que pende para um lado e a racionalidade que pende para o outro.

Que fazer? Sentir… ou pensar?

Sentir o prazer do sol… talvez “culpabilizando-nos” por o estarmos a fazer?

Ou pensar…negando a vontade de o sentir e “acalmando” os problemas de consciência?

 

 

 

s. martinho

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Segundo a lenda, S. Martinho  de Tours foi uma altruísta alma quando há muitos séculos atrás rasgou ao meio a sua capa para proteger dois mendigos do frio. Por tão bondoso acto, Deus decidiu afastar as nuvens para que o sol aquecesse o seu corpo.

Então o sol, fazendo jus à tradição, foi sempre voltando nos dias de S. Martinho para nos brindar com “três” soalheiros e amenos dias que iluminavam outonos já acinzentados, frescos e chuvosos. Obviamente que este número era variável, mas sempre apareciam e eram bem recebidos.

Mas isto acontecia quando o clima deste nosso planeta era equilibrado. Entretanto…tanto o incomodamos que ele mudou de atitude, ficou alterado, confuso e deixou de ligar às tradições. No meu país, por exemplo, estamos a viver uma espécie de S, Martinho perene, apesar de estarmos a meio do Outono. Meses e meses sem chuva deixaram o país em seca extrema e numa situação muitíssimo preocupante. O céu apenas nos brindou com chuvas muito pontuais, algumas no momento certo de apagar alguns incêndios, mas persiste em continuar muito azul, sendo essa a previsão para os próximos tempos. Apenas o frio está a dar um ar da sua graça.

Diria que o S. Martinho se instalou confortavelmente neste recanto do sudoeste europeu, depois de nos visitar anos a fio apenas como turista.  Agora, parece que se tornou residente…

Por isso, tendo em conta este contexto e neste seu dia…

…peço encarecidamente ao S. Martinho de Tours que faça umas férias noutra região deste planeta, permitindo assim que as nuvens se aproximem e a chuva caia nesta Ibérica Península tão carente desse precioso liquido.

Precisamos que a chuva regue as nossas raízes, as nossas árvores, faça crescer a relva e as culturas dos nossos campos, alimentos vitais, quer para os animais quer para nós.

É ainda urgente que a precipitação tenha alguma continuidade de forma a encher as nossas barragens que estão praticamente vazias, assim como a restabelecer o nível dos aquíferos que alimentam o nosso solo e as nossas fontes naturais, agora quase esgotados.

Ao partir… deixaria o Outono ser, o Inverno acontecer e nós ficaríamos eternamente gratos!

 

Entretanto…enquanto o S. Martinho medita neste pedido que será certamente o de milhões de portugueses, apreciemos as tradições deste dia de convívio, de muitos petiscos e de castanhas assadas acompanhadas de água-pé ou jeropiga. E que em muitas regiões do país, a tradicional prova do vinho novo que hoje se realiza, revele um bom ano vinícola.

Que procuremos a alegria no meio da tristeza!