entre pais… e filhos

 

Somos filhos
somos pais,
pais dos filhos sempre seremos
estranho é,
sermos pais dos nossos pais!

Avança o tempo
rápido e indiferente…
…pelos filhos,
que seguem a sua vida
mas ficam no pensamento;
…por nós,
nesta bela, doce, mas difícil corrida;
…e pelos nossos pais,
que os anos simplesmente
fazem voltar para trás!

Num ápice,
somos pais
de duas gerações,
uma cheia de idade
e vinda do passado,
outra olhando um futuro
inseguro,
mas replecto de intenções
e de algumas ilusões.

Como filhos,
é tempo de cuidar dos pais,
entrando num novo filme
em plena meia-idade,
um tempo deveras diferente
no corpo,
na energia
e na paciência,
que arduamente
luta pela sobrevivência.

Eu sei que à minha frente,
tenho apenas meio-tempo
porque o tempo ficou para trás.

Por isso…
…preciso tanto de acreditar
que o cansaço deste poema
ocupa um pequeno espaço,
apenas
um ínfimo espaço,
que os dias do meu meio-tempo
ajudarão a superar!

 

 

(Dulce Delgado, Março 2017)

 

superação

 

paraol2

 

 

 

 

Nadar apenas com um braço…
Saltar em altura com uma única perna…
Correr ou nadar sem visualizar a pista…
Jogar voleibol sentado…

 

Ao percepcionar este tipo de imagens nos Jogos Paraolímpicos que estão a terminar, sinto-me estranha. Ou melhor, sinto-me incapacitada de compreender o trabalho, o esforço, a força de vontade, a resistência e a persistência necessária a estes atletas para praticarem certas modalidades, tendo em conta as suas limitações. E ainda chegarem a este evento!

O facilitismo que a nossa integridade física nos concede, deixa-nos a milhas de distância de outras realidades. Nós, que somos os primeiros a ser facilmente invadidos por aquela preguiça que nos impede de ir uma ou duas vezes por semana fazer uma actividade física, apesar de não termos qualquer impedimento nem precisarmos de ajuda para tal. É tudo tão fácil para nós comparativamente com estes atletas!

Olhar para certas imagens dos Jogos Paraolímpicos é uma lição de vida, uma emoção que se instala e que nos faz sentir “pequenos” perante tamanha força de vontade.

Admiro todos os atletas em geral pelo esforço e exigência do seu trabalho, mas admiro profundamente os atletas paraolímpicos pelas dificuldades que enfrentam, pela capacidade de as superar e por persistirem em cumprir os seus sonhos. A seu lado, estarão os treinadores e todos os envolvidos em questões logisticas, num trabalho único de empenhamento que não pode nem deve ser esquecido.