a chuva…

 

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… finalmente chegou e instalou-se nos nossos dias. Dizem os especialistas que ficará ainda por algum tempo… para já, talvez uma semana ou um pouco mais… o que é muito pouco, sabemos; contudo, pode ser que prolongue a sua estadia: afinal, há muito que não era tão bem recebida por todos nós!

Com ela, regressaram imagens e sensações já um pouco esquecidas…

… a tranquilidade que sinto ao vê-la escorregar suavemente nos vidros da janela… gota aqui… gota ali…;

… como é bom estar neste lado, no lado do aconchego, a observar a sua dança selvagem com um vento que de vez em quando sopra furioso e destemido;

… quão agradável é estar protegida no interior de um carro em andamento (com alguém que o guie por mim, obviamente!), enquanto observo e fotografo os efeitos da chuva nos vidros e as imagens deformadas que eles oferecem;

… o arejamento que permitem as “janelas” de céu muito azul que de vez em quando rasgam as nuvens cinzentas em tempo de chuva, como se fosse a própria terra que necessitasse urgentemente de respirar através delas;

… gosto dos momentos em que o sol e a chuva se juntam e, de imediato, passa em “rodapé” no meu pensamento aquele provérbio que sempre dizíamos em crianças em situação semelhante “A chover e a fazer sol, estão as bruxas a comer pão mole”;

… agrada-me a ideia que durante uma chuvada e depois de tanto tempo de secura, existe um “sentimento” de alegria na terra/substrato e nas plantas que nela crescem. E de imaginar que o mostram da única forma que a natureza lhes permite, ou seja, a terra emanando o seu cheiro e as plantas abanando ao vento!

… como sabe bem respirar a “limpeza e a frescura” do ar depois de uma boa chuvada! Ou ainda, como os olhos gostam das cores brilhantes e saturadas pela água da chuva, que aqui e ali faz nascer poças que espelham o céu e o deixam naturalmente penetrar na intimidade da terra;

… e por último…

… a chuva desperta a “meteorologista” escondida que existe em mim! Graças às tecnologias actuais e às imagens via satélite disponibilizadas no site do IPMA, gosto de acompanhar as movimentações e a intensidade das manchas nebulosas que passeiam pela atmosfera. E ir comparando essa evolução com a chuva real que a natureza nos presenteia.

 

Esta, é a versão prosaica da chuva, a que me apetece escrever hoje.

A outra…ficará para um próximo post!

 

 

 

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a nuvem

 

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Sempre
em movimento,
percorreu o mundo
ao lado do vento.

No céu espalhou beleza,
foi chuva
sombra
e tempestade,
vivendo em pleno
a sua liberdade.

Agora deseja parar
e ficar,
apenas naquele lugar.
E do alto do céu azul
apreciar a beleza da terra,
de dia
pelo sol afagada
de noite,
no escuro aconchegada.

Sem pressa,
quer seguir com o olhar
as aves a voar,
os aviões a riscar o ar
ou as ondas a rolar no mar.
E feliz,
acenar aos ventos e nuvens,
que continuam a viajar.

Sonha apenas sentir
outro modo de estar,
porque a vida,
só é plenamente entendida,
quando no outro lado
somos capazes de nos colocar!

 

 

(Dulce Delgado, Maio 2017)

 

 

 

carícia

 

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O desejo de a tocar
e sentir
era imenso,
mas era densa
a barreira
que impedia tal agir.

Sem desistir,
tentou dissuadir
aquele húmido
e disforme cinzento,
que soturno
e enorme,
negava o seu intento.

Mas quem ama nunca desiste!

Então insistiu,
brilhando com tanta energia
e ardor,
que as negras nuvens
não resistindo ao calor,
evaporaram
ou sumiram.

Delirante,
finalmente o sol acariciou a terra,
a sua mais bela amante!

 

(Dulce Delgado, Dezembro 2016)

 

cuidar

 

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Agora que o frio chegou, o corpo agradece o aconchego, sendo muito agradável sentir os pés quentes e confortáveis.

Os pés são uma fantástica e complexa estrutura a que normalmente não damos muita atenção. Eles são pacientes e muito perseverantes, aguentando os milhões e milhões de passadas de uma vida, suportando o nosso peso e as cargas que transportamos e, muitas vezes, sendo ainda violentados em nome da moda.

Tão importante como isso, é o facto de serem o nosso ponto de contacto com a terra e com as suas energias o que, só por si, é uma razão mais do que suficiente para merecerem uma atenção muito especial.

Assim, é bom de vez em quando olharmos para eles de uma forma diferente, dar-lhes o devido valor, mimá-los e tratá-los melhor do que o habitual, proporcionando-lhes conscientemente uns momentos de conforto e de relaxamento. Em suma, mantê-los saudáveis e sentirmo-nos gratos por isso!

O desenho… é apenas uma forma pessoal de mostrar essa gratidão!

 

 

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Esta pequena animação da autoria do ilustrador e animador inglês Steve Cutts revela, em pouco mais de três minutos, o impacto negativo e a repercussão que teve o aparecimento do homem sobre o planeta que habitamos.

Abstraindo algum exagero próprio de um filme deste tipo, é bastante clara a forma como a sua evolução e “sabedoria” destruiu e deixou marcas irreversíveis nesta bela terra que o acolheu.

Vale a pena ver e pensar um pouco.