o trilho

Neste trilho que é a Vida, qual passadiço de muitos momentos e elementos justapostos…

…sobrepostos
…quebrados
…instáveis
…frágeis
…fugidios
…escorregadios
…estabilizados
…seguros
…fluidos
…harmoniosos
…emocionantes
…belos

…nós seguimos. E caminhamos.

Sós.

Sós com as nossas escolhas…

…desvios
…indecisões
…arrependimentos
…certezas
…dúvidas
…tropeções
…feridas
…conquistas
…vitórias
…superações

Há um trilho que, indiscutivelmente, é só nosso.

(Dulce Delgado, Fevereiro 2021)

ria formosa

 

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O seu nome é Ria Formosa, mas não é uma verdadeira ria nascida na foz de um rio. Resultou de movimentações arenosas provocadas pelos ventos e marés ao longo do tempo, de que resultou um vasto cordão dunar com seis aberturas para o mar e que abriga no seu interior uma ampla zona lagunar/sapal que é diariamente exposta à dinâmica das marés.

Apesar de ter vivido os primeiros dezassete anos da minha vida no Algarve, pouco conhecia da geografia desta área. Nos últimos anos percorri alguns trilhos dispersos na região, mas sem o espírito de aprofundar as suas características. Agora, depois de alguns dias de férias e de exploração, posso partilhar um pouco do que aprendi, vi e senti.

A Ria Formosa situa-se na metade mais oriental da província localizada mais a sul de Portugal, estende-se por cinco concelhos (Loulé, Faro, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António), abrange sessenta quilómetros da costa sul e é formada por duas penínsulas nos extremos (Ancão a ocidente e Cacela a oriente), e por cinco ilhas-barreira localizadas entre estas (Barreta ou Deserta, Culatra, Armona, Tavira e Cabanas).

ria                 Imagem retirada de  http://evrest.cvtavira.pt/study-sites/

 

Esta área foi classificada como Parque Natural da Ria Formosa em 1987, com o objectivo de preservar e conservar as suas características e interesse biológico. Nessa altura foi necessário arranjar uma legislação de compromisso e não demasiado restritiva, uma vez que algumas das ilhas são habitadas durante todo o ano. Além disso, no Verão são palco de relevantes fluxos turísticos e a actividade piscatória assim como a cultura de marisco em viveiro são muito importante na economia das populações.

Possui um grande número de habitats, como dunas, areais, salinas, lagoas, sapal, áreas agrícolas, matas, etc., assim como flora e fauna característica, sendo muito procurada pelas aves durante todo o ano e intensamente em tempo de migrações.
Esta última vertente, que muito nos agrada, associada ao facto de possuir vastas zonas de areais e praia, foi mais do que suficiente para nos seduzir a explorá-la nestas férias.

Sendo este primeiro post essencialmente informativo, gostaria de referir que a Sede e o Centro de Interpretação Ambiental do parque se localizam em Marim, perto de Olhão. Ele está integrado num percurso de poucos quilómetros que abrange alguns habitats (mata, lagoas, salinas e sapal) e passa por vários locais de interesse, como observatórios de aves, ruínas romanas, um moinho de maré ou uma antiga barca utilizada na pesca do atum.

Deixo-vos com algumas imagens desse trilho…

 

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…terminando com o olhar frontal (e talvez de saudação!) de um dos imensos exemplares do caranguejo “boca-cava terra” que habitam os sapais da Ria Formosa.

Deixo ainda algumas informações práticas sobre os acessos a cada uma destas ilhas. Assim:

Ilha da Barreta/Deserta – apenas a partir da cidade de Faro

Ilha da Culatra – a partir das cidades de Faro e de Olhão

Ilha da Armona – a partir de Faro e de Olhão para a parte ocidental da ilha, e a partir da vila da Fuseta, para a parte oriental da ilha;

Ilha de Tavira – a partir da cidade de Tavira para a ponta oriental da ilha; da vila de Santa Luzia para a praia da Terra Estreita; da zona de Pedras d’el Rei para a conhecida praia do Barril (através de um pequeno comboio); e da vila da Fuseta para a ponta ocidental da ilha.

Ilha de Cabanas, a partir da vila de Cabanas

São ainda muitos os operadores privados que complementam esta rede oficial de transportes para as ilhas-barreira, seja para deslocações simples ou para a realização de circuitos turísticos.

 

Em breve, voltarei a partilhar convosco outros aspectos deste Parque Natural.

 

 

 

 

passadiços

 

Não me vou debruçar sobre as estruturas construídas na envolvente do rio Paiva e no último ano tão largamente divulgadas por bons e maus motivos, simplesmente porque ainda não as conheço. Passeei por aquela região no verão que antecedeu a sua construção mas não sei quando a ela voltarei, sendo certo que, quando isso suceder, será para os percorrer em toda a sua extensão. Para já, limito-me a ir conhecendo as estruturas desse tipo que estão mais perto de Lisboa.

Os passadiços em madeira sobre zonas ambientalmente sensíveis são uma inovação relativamente recente e advêm não só de uma maior consciencialização para as questões ambientais, mas igualmente como resposta ao pouco cuidado que muitos demonstram ao pisotear zonas frágeis e em risco, caso dos cordões dunares, zonas de costa, sapais, etc.  Por outro lado funcionam também como chamativos turísticos, ou como locais agradáveis para a prática de actividade física ao ar livre e em ambiente natural. associados a estas finalidades, eles vão aparecendo por todo o país, esperando-se que sejam usufruídos por muitos e respeitados por todos.

Na zona de Lisboa e arredores é possível que existam outros que ainda desconheço. Não obstante, fica aqui uma referência a alguns que permitem uns agradáveis passeios:

– Junto à costa ocidental, na base da serra de Sintra e perto da praia do Guincho, encontram-se vários passadiços que permitem visitar o sistema dunar Areia-Guincho. Formam três percursos que acompanham as ondulações da duna da Cresmina e que, associados a um pequeno centro de interpretação, permitem conhecer a dinâmica natural da zona.

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– Um pouco mais a este, na zona de Murches e no limite do Parque Natural Sintra-Cascais, situam-se as Penhas do Marmeleiro, integradas no parque urbano com o mesmo nome. É uma área arejada, algo agreste por ser escarpada, mas muito bonita. Integra um circuito de passadiços, escadas e miradouros, que oferecem amplas vistas sobre a região. Com um espírito explorador, outros passeios são possíveis para além dos limites destas estruturas.

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– Perto da Póvoa de Santa Iria, ou seja, numa área adjacente ao estuário do Tejo, encontra-se um consistente e largo passadiço em madeira, denominado Trilho do Tejo. Foi construído sobre uma área de sapal e dá acesso a outros trilhos de terra, como o trilho da Verdelha e o do Forte da Casa. Toda esta zona, para além de proporcionar um agradável passeio de vários quilómetros, tem potencialidades ornitológicas a explorar.    A paisagem e as cores que o passadiço e os trilhos proporcionam na Primavera são fantásticos, o que já não deve acontecer durante a época mais quente, em que toda a vegetação deve estar seca. Não tem qualquer sombra, pelo que deve ser evitado nas horas de mais calor.

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– Por último e para além destes, não posso deixar de referir o conhecido percurso existente no Parque das Nações e que liga a torre Vasco da Gama (agora Myriad, Sana Hotel) à foz do rio Trancão. Possui diversas áreas de passadiços em madeira, que infelizmente estavam muito degradadas da última vez que os percorri. Entretanto passou algum tempo, pelo que espero que essa já não seja a realidade actual.

Bons passeios!

 

  • Se conhecerem outros no distrito de Lisboa partilhem-nos, pois gostaria de saber.