subtilezas de um copo…

 

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Um copo cheio…meio cheio…meio vazio…vazio..

Tanto faz. Por agora, interessa o copo.

Associemos a ele um carácter humano e uma existência mais ou menos transparente consoante a vontade de partilhar ou não o seu conteúdo.

Pode ser um copo grosseiro e resistente daqueles que saem imunes de uma queda, ou um copo frágil e sensível que ao mínimo toque fica com marcas e danos irreversíveis.

O facto de ser elegante e de belo porte, ou apenas básico e de uso comum, nada significa quanto ao que pode conter. Um copo de cristal, para muitos o mais perfeito, é beleza exterior porque anima o olhar e o tacto. Porém, pode conter um péssimo vinho ou um desagradável espumante, daqueles que quebram a boa energia a qualquer tchim tchim. Por outro lado, um copo sem estatuto pode proporcionar um momento grandioso de satisfação se, na circunstância certa, conter uma deliciosa bebida ou uma água puríssima e fresca, daquelas que alimentam o corpo e a alma.

Contudo, seja na nossa vida ou na durabilidade de um copo, um imprevisto indesejável pode levar a uma quebra. Sem retorno. O fim do tchim tchim à vida.

Neste divagar…

…tudo é tão relativo na transparência de um copo, como na opacidade da nossa dura, frágil, mas bela existência. Porque o que é ou aparenta ser, pode ser ou não. Tudo pode estar certo no lugar certo, certo no local errado, ou simplesmente tudo errado. Não há normas para a vida, apenas inúmeras hipóteses a serem conjugadas de preferência com algum equilíbrio, o objectivo porque sempre lutamos.

Neste estar, em cada “copo-vida” mistura-se realidade, desejos, sentimentos, emoções e muito, muito mais, em intensidades e proporções variáveis. Depois, ou “bebemos” esse conteúdo de forma impessoal e insípida sem perceber bem o seu sabor, ou exigimos a nós próprios o tempo, a disponibilidade, a sensibilidade e a persistência para degustar o nosso “copo” com mais ou menos moderação, mas sempre com a devida atenção.

Aprecie-mo-lo… de preferência com o espírito do “copo meio cheio”!

 

 

 

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carícias ondulantes

 

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Rasga o barco a superfície do rio…

Na água, um arrepio
branco
de espuma
penetrante
e frio.

Mas em breve
surgirá novo sentir…

…porque as ondas
divergentes e ondulantes
nascidas desse frio,
são carícias que percorrem
a pele do rio…

…doce
e lentamente…

…até desaparecerem
no azul,
no meu olhar
e no vazio!

 

 

(Dulce Delgado, Agosto 2018)