pensamento ao vento

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O vento
levou-me um pensamento…

…que logo procurei
no instante de um olhar.

Um pedaço
voava no céu,
outro nadava no mar.

Tentei resgatá-los
no tempo de um respirar,
na esperança de os unir
e o pensamento voltar.

Impossível.

Com o original partido
e no éter meio perdido…
…logo outro me veio habitar!

 

(Dulce Delgado…no Dia Mundial do Vento!)

 

 

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sopro

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Intenso,
o vento sopra
na profundidade do meu ouvir,
na pele da minha face
e na frescura desse sentir.

E ecoa na mente…

…entre pensamentos soltos
deste viver,
energias livres
de história
ou raízes.

O que lhes diz?

Nada…
…apenas os afaga
e com eles dança feliz!

 

(Dulce Delgado, Março 2019)

 

 

 

boas-vindas

 

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Os passageiros que nesta quarta-feira aterraram no aeroporto de Lisboa antes do nascer do sol, foram recebidos de uma forma singular.

A dispersão de nuvens pelo vento “derramou” numa faixa de céu e sobre os aviões que aí passavam um véu fluído de luz, minúsculas gotas de água e energia.

Seria apenas um banal fenómeno atmosférico resultante do interagir de alguns elementos da natureza, mas…..porque não o ver e sentir como algo especial, como uma espécie de graça, bênção, ou algo do género?

Ou como uma forma diferente de dar as boas-vindas e desejar uma boa estadia?

Ou um bom dia?

Ou…apenas uma boa aterragem…

Foram esses os pensamentos que nasceram do meu sentir perante tão magnífica visão.

E silenciosamente, tudo isso desejei aos desconhecidos daquele avião!

 

 

 

frio sentido

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Frio
e desafiante,
o vento de Inverno
penetra os poros
e a pele
que a roupa não protege.

Com ternura
ajusto o casaco ao corpo,
aconchego as zonas expostas
e penso…

…este,
também é o papel da Mãe-Natureza…

…tocar
…alertar
…ousar despertar o sentir,
e naturalmente,
levar-nos a reagir!

 

(Dulce Delgado, Janeiro 2019)

 

 

memórias

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De memória em memória
desenhamos uma linha
de imagens
momentos
lugares
e sentimentos.

Linha
etérea e fugidia
nascida dos meandros
do tempo,
guardiã daquela memória
que deu início à nossa história.

Ilusório será pensar
que as imagens
do passado,
se agarram à linha do tempo
para sempre aí ficar.

Mas não.

Como um vento
de outono
que leva as folhas pelo ar,
também um sopro de tempo
traz o passado ao presente,
e com ele,
os momentos de alegria
as mágoas
a inquietação
os sentimentos de culpa
e talvez…
…talvez o sábio perdão!

Com o passar dos anos,
pode essa linha do tempo
tentar voar com o vento
e fugir,
ou apenas desvanecer.
Mas uma ponta
é sempre nossa,
como um cordão virtual
umbilical,
que une a vida que nos foi oferecida
com a vida por nós vivida
e aquela que iremos ceder.

Um dia,
em paz ou inquietação.

 

 

(Dulce Delgado, Fevereiro 2018)