a praia

Entre a tarde e a noite
de um dia de Verão,
a praia fluia
num tempo sem intenção.

Enorme
deserta
maré vazia…
reflexos na areia,
cheiro a maresia!

Templo de gaivotas
em tempo de liberdade,
elas e eu
talvez a felicidade!

(Dulce Delgado, poema antigo, não datado…mas sempre actual!)

azáfama

Deixar o nosso olhar acompanhar a dinâmica do exterior de um formigueiro não é de todo um tempo perdido nem o estar perante algo indiferente. Sempre sinto esses momentos como uma lição de vida e um relembrar de valores que o egoísmo dos dias tende a esbater em nós.

Na sua pequenez, as formigas são enormes, intensas, fortes, persistentes, focadas, cooperantes, solidárias, inteligentes, etc, etc, no sentido mais restrito destas palavras e da dimensão destes minúsculos seres. Revelam-nos isso em poucos minutos, seja na forma de procurar e transportar alimento para a sua comunidade, seja no modo como lidam entre si e na entreajuda que é tão natural na espécie.

Sempre me questiono como o conseguem com tanta eficiência, como comunicam com tanta eficácia e como aparentemente não se distraem nem se cansam?

Este tempo de azáfama para as formigas é, para muitos de nós, um tempo de férias e de descanso.

Seja qual for o lado em que nos situemos – trabalho ou férias – tentemos que ele seja focado, inspirador e bem aproveitado!

Imagens captadas junto de um formigueiro situado no promontório do Cabo Espichel (Sesimbra)… ou seja, de um formigueiro com vista para o Atlântico!

calor…

…anestesia o pensamento
…trava as ideias
…cansa as palavras
…adormece o olhar
…amolece os gestos
…sufoca o respirar
…retarda o andar
…impede a acção


…e derrete totalmente a vontade de trabalhar!

Com calor ou fresco…que seja um fim-de-semana a gosto de cada um!🤗

(Dulce Delgado, Agosto 2021)

verão

Olho amiúde para o céu….sol….lua…ou estrelas que este meu olhar abarca….e ainda para este chão que me recebe e onde me agarro por umas raízes invisíveis e penso:

Como pode esta “bola gigante” – e ainda por cima ligeiramente achatada e inclinada – que roda sobre si a 460 m/segundo (na zona do equador) e circula em volta do sol a uns incompreensíveis 30 Kms/segundo……não perder o “tino” e a orientação e, com uma precisão impressionante permitir calcular os fenómenos/ciclos daí resultantes e que se repetem dia-a-dia, mês-a-mês, ano-a-ano…

…como o nascer e o pôr-do-sol … os eclipses… ou as estações do ano…

Foi precisamente às 04h 32m da madrugada de hoje que começou mais um Verão neste hemisfério norte onde estão as minhas virtuais raízes. Significa que esta metade do planeta terá o seu dia mais longo, que vai receber mais intensamente os raios solares e que naturalmente iremos adaptar os nossos dias e o nosso corpo a essa circunstância. Assim como a nossa mente, que logo desliga um pouco da rotina e entra de certa forma em “tempo de férias” e de vontade de descanso.

Somos simultaneamente assistentes e participantes desta harmonia/sintonia do Universo, algo pouco consciencializado pela maioria de nós na rotina dos dias, mas algo imenso e quase mágico que, só por si, deveria ser suficiente para que o termo ”respeito” estivesse na base de todas as nossas atitudes e decisões.

E neste respeito incluo o que deveremos ter com esta “bola gigante” em todas as vertentes com ela relacionadas….mas igualmente o respeito entre nós, humanidade que a habita, porque realmente não somos mais do que uma ténue “poeira” espalhada sobre ela.

Essa é uma verdade que esquecemos vezes demais.

A todos, neste dia de solstício, desejo o melhor Verão (ou o melhor Inverno)!

planta-melancia

Como fruto sazonal, a melancia escolhe a altura certa do ano –  a Primavera e o Verão – para partilhar a sua cor, alegria, fresquidão, paladar e poder de hidratação…com quem a aprecia!

Em minha casa porém, tenho “sempre” esse fruto através da Planta-melancia ou Begónia-melancia (Peperomia argyreia), uma planta nativa da América do Sul mas que aprecia o nosso clima temperado.

Algumas das suas folhas mais circulares são imitações perfeitas de uma melancia riscada, tão perfeitas que, durante todo o ano me alimentam o olhar…o paladar da imaginação …e silenciosamente me levam à frescura de uma fatia de melancia!

Dá para perceber que sou uma fã incondicional de melancia!🍉

continuidade

Terminou o Verão e diluem-se no Outono os últimos instantes com sabor a praia. São momentos maravilhosos pela luz apaziguadora desta época do ano, pela tranquilidade que transmitem ao corpo e pelo amplo espaço que os areais com poucos visitantes permitem ao olhar. Tudo é paz. Ali não entram as incongruências do mundo.

É possível que ainda retorne à praia neste Outono, mas a despedida formal, aquele ultimo banho de agradecimento está em mim. Frio e intenso. Faz parte de um silencioso e íntimo ritual que acontece anualmente, como o ponto final de uma frase….cujo tema reaparece todos os anos a fim de escrever mais um parágrafo.

Entretanto, a vida seguirá pelos nossos dias. É esse o maior desejo. E na natureza também. Sempre.

Nesta praia da despedida e em todas as praias, a areia será movida pelo mar e pelos ventos.. e as ondas voluntariosas e artistas continuarão a desenhar na beira-mar as suas emoções. Todos os dias, sem falhar.

Em linhas simples e belíssimos caminhos de nada!

outono

Despede-se hoje o Verão após uma semana meteorologicamente instável, reflectindo um pouco o espírito da estação que esteve entre nós. Foi um Verão algo desconfiado, intercalando o céu azul com o cinzento, as noites amenas com outras bastante frescas, e os raros dias sem vento com muitos de forte ventania. Com variações obviamente entre o norte e o sul do país, revelando o pólo meridional mais sintonia com o verdadeiro Verão.

Tais flutuações meteorológicas impõem uma verdadeira elasticidade mental de adaptação. Aliás, algo bem de acordo com os tempos instáveis que vivemos em que nada é realmente solto e natural, já que a preocupação e os pensamentos “laterais” pairam sobre nós como uma nuvem.

Mas nada disso é impeditivo do avançar do relógio do tempo e do fluir do tempo da natureza…

É nesta dinâmica que o Outono chegará hoje às 14h 31m ao calendário e aos nossos dias. Aos poucos a natureza fará as suas adaptações, começará a olhar para dentro, espalhará as suas cores de Outono, levará as folhas das árvores a viajar com o vento e talvez ofereça alguma chuva consistente.

E nós continuaremos igualmente a nossa adaptação a este estranho tempo que 2020 nos ofereceu, agora ainda mais atentos do que antes porque as circunstâncias actuais assim o exigem. Tentaremos não esquecer os gestos que começam a ficar esquecidos e reforçaremos as emoções que não precisam de gestos, através do cuidado, da atitude, da palavra, do detalhe. Pode parecer pouco, mas é bastante se for verdadeiro e genuíno.

Que seja um Outono (e uma Primavera no outro lado do mundo), ao desejo de cada um!

E cuidemo-nos. Cuidando de nós, também cuidamos dos outros!

lírio-da-paz

 

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Talvez pela proximidade com a minha filha grávida e com tudo o que isso implica, estou mais atenta do que nunca a fenómenos associados à procriação e ao aparecimento de novas gerações.  Tenho a sensação que encontro mais grávidas que em anos anteriores e, mais estranho ainda, é o facto de que tudo o que se assemelha com “barrigas” vir naturalmente ter com o meu olhar. Este será certamente o “síndrome de futura avó”…

Ao reparar que os meus Lírios-da-paz (Spathiphyllum wallisii) estavam “grávidos” de flores, resolvi fotografar esse desenvolvimento ao longo de duas semanas, tempo que decorreu entre a primeira e a ultima imagens que hoje partilho.

Entretanto… mais flores continuam a nascer a bom ritmo neste início de Verão. E eu, um tanto dispersa e aérea… continuo a vibrar com a ideia deste mesmo Verão fazer nascer um “rebento” na família!

 

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Por fim… mostrou a face e sorriu-me!

 

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um verão diferente

 

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Um tanto em contradição com a liberdade e com a vontade de exteriorização que o caracteriza, o Verão chegará hoje às 22 horas e 44 minutos de “máscara”, um tanto tímido, meio desconfiado e visivelmente inseguro quanto à forma como será vivido neste setentrional hemisfério.

Em conversa prévia com uma Primavera ainda bastante ressentida do choque vivido nos últimos meses, ele sabe que encontrará alguma contenção de gestos e atitudes, e um distanciamento que está longe da sua filosofia de vida, baseada na liberdade, na socialização, na proximidade, nos gestos fáceis, no convívio e…quantas vezes até no espírito “todos ao molhe e fé em Deus”.

Para uma grande maioria mais consciente, este será um Verão comedido e seguramente mais contido que os anteriores, seja pela forma menos calorosa de nos manifestarmos, seja pelo olhar ao canto do olho que daremos em muitos momento a fim de manter aquela segurança exigida e recomendável. Para outros porém, haverá excessos, pouco cuidado e obviamente  mais riscos associados.

O Verão percebeu durante esse diálogo entre estações que estará no seu tempo a possibilidade de se alcançar o desejado ponto de equilíbrio, como somatório de muitas atitudes conscientes e, claramente, de um desejado bom senso. Que esperemos exista.

Circunstâncias mais complexas encontrará o Inverno no hemisfério sul que hoje o recebe, já que o frio que sempre o acompanha será um factor adicional de risco. Então, que a sul como a norte, que o bom senso impere. Em prol de todos.

Que seja então o melhor Verão… ou o melhor Inverno, consoante a geo-localização do olhar que chegou a este ultimo parágrafo!