ioga sentido

 

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(Este post complementa outros publicados com esta temática, em especial ioga III )

 

Como resiste à realidade e ao dia-a-dia, o bem-estar geral sentido após uma aula de ioga?

Diria simplesmente que a duração desse período está directamente relacionada com o tempo de prática desta actividade que, no meu caso, tem perto de dezoito anos, pelo que não estou a falar sem conhecimento de causa.

Nos primeiros tempos, o bem-estar sentido era efémero. Bastava o trânsito no trajecto para casa ou a ideia de uma ida ao supermercado, para terminar com a “magia” da aula de ioga. Digamos que era demasiado vulnerável e rapidamente absorvido pelos meandros dos momentos seguintes.

Porém, à medida que os anos foram passando, a sensação foi-se alterando progressivamente. É certo que foi muito lentamente, mas começou a suceder o processo inverso, ou seja, o bem-estar da aula de ioga, começou a “absorver” e a resistir à realidade dos dias e da vida. Digamos que foi calmamente integrado a todos os níveis e formando uma espécie de “almofada” que atenua as dificuldades, os choques, as irritações, etc, etc. No geral, tudo é sentido, olhado e compreendido com outra postura, relativizando as situações e tentando dar-lhe o devido valor. Ou colocando-as no lugar que devem ocupar.

Isto não significa que se fique imune ao que nos rodeia ou a pairar por aí. Nada disso. Antes pelo contrário. Significa sim, que se está muito mais atento e com uma maior consciência do mundo em que estamos integrados e, simultaneamente, uma maior consciência do nosso corpo e das suas capacidades e limites. Também as “dores e resmunguices” que ele sempre nos oferece são percepcionadas e aceites de uma forma mais consciente e dialogante. Para quê nos zangarmos, se é ele que nos permite estar neste mundo? Temos é que o ir tratando o melhor possível, ter cuidado com o que lhe damos de alimento e levá-lo ao médico quando realmente não o entendemos.

Para concluir, eu diria que a prática continuada de ioga permite uma harmonização geral com esta vida que nos foi “emprestada”. Nesse sentido, temos que a tratar o melhor possível, tentando transformar/sublimar as energias menos boas que todos possuímos em algo de melhor, para que um dia, quando ela nos for retirada, possa continuar calmamente o seu caminho e a sua evolução.

 

 

 

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perspectivas

 

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A corda revela
…força… presença…ser… estar… matéria… corpo… espaço que se ocupa… realidade… consistência… objectivos…

a sombra
…ausência de luz… não presença… vazio… o que não se mostra… obscuridade… cegueira…indiferença… o lado mais negro…

o reflexo…
…influência… imagem… desejo escondido… o que não é físico… luz interior… esperança… irrealidade… sonho… ilusão…

 

Três perspectivas que fazem parte da Vida de cada um de nós…perspectivas que ora confluem, ora divergem, ora se equilibram ou desequilibram…

…e que, simbolicamente, estavam ali perante o meu olhar…num passeio à beira-mar!

 

 

 

 

outono aqui…primavera além…

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Entre nós e a natureza existem paralelismos, mas igualmente formas muito diferenciadas de adaptação. Diria que a energia-vida que nos alimenta é a mesma, mas a sua elasticidade permite manifestações por vezes opostas. Isto vem a propósito do equinócio de hoje no calendário astronómico e das alterações que entretanto ocorrem.

No hemisfério norte, onde resido, inicia-se o Outono. Os dias mais frescos começam a tocar a nossa pele e a provocar aquele primeiro arrepio que sempre nos surpreende. Os seguintes levam-nos a ir buscar um agasalho e, com o avançar dos dias, progressivamente a roupa mais quente irá proteger-nos e substituir o calor do sol. Isto significa que, para retermos e pouparmos energia, tapamos o nosso corpo, sendo com mais ou menos camadas de roupa que enfrentaremos o frio que o Outono e o Inverno nos irão oferecer.

Mas na natureza o processo pode ser oposto, como se constata em muitas espécies do reino vegetal. Vejamos as árvores, nomeadamente as de folha caduca, que enfrentam o frio e os rigores do Inverno perdendo as suas folhas, ou seja despindo-se, num processo assaz interessante e bem diferente do nosso.

Nesse grupo de árvores, à medida que os dias começam a ficar mais curtos e com menos horas de sol, reduz-se a produção de clorofila, o pigmento verde existente nas folhas e responsável pela captação da luz e produção da energia que a planta necessita. Com menos energia, as folhas começam a ficar amarelas e a adquirir aqueles tons outonais que alimentam e deliciam o nosso olhar. Entretanto, a própria planta produz uma substância que se vai acumular na base das hastes de cada folha, que tem como função destruir as células dessa zona e assim impedir a passagem da água. Sem ela, a folha seca, cai, o que acontece progressivamente com toda a folhagem.

Despida e sem folhas, o objectivo de “poupar” está cumprido, porque a área que permitiria perder os elementos vitais foi drasticamente reduzida. Ficam os troncos, bem mais resistentes ao frio e ao gelo, e capazes de guardar o potencial energético da árvore até à próxima Primavera.

Em suma, a natureza despe-se…e nós adicionamos roupa…duas estratégias de sobrevivência opostas e algo incongruentes, se considerarmos que o mecanismo adoptado pela natureza parece muito mais inteligente e genuíno do que o nosso.

Tendo em conta o descrito, perante o colorido que o Outono irá espalhar na paisagem e oferecer ao nosso olhar, pensemos um pouco na importância e na beleza do processo escondido que está a acontecer em cada árvore e em cada folha. Simultâneamente, porque não sentir alguma gratidão no gesto banal de ir buscar um agasalho mais quente e confortável, uma vez que isso significa que, também nós, estamos a iniciar um novo Outono nas nossas vidas?

Entretanto…na metade sul do planeta, o equinócio dará lugar à Primavera e os agasalhos voltarão progressivamente ao roupeiro. Na natureza reaparecerão as folhas nos troncos das árvores… folhas que irão captar a luz e produzir a energia necessária ao ciclo de reprodução que se aproxima e que naturalmente será cumprido.

Aqui…ou além… é constante e activa a adaptação da natureza a este planeta que vagueia pelo universo e onde nós somos apenas convidados. Recordando isso…desejo a todos uma vivência consciente e tranquila do Outono…ou da Primavera!

 

 

 

sombra ausente

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Somos gente,
matéria e sopro de vida
em corpo de sangue
quente,
gente de fé
de pensamento
e de tanto sentimento!

Mas somos sombra
igualmente,
sombra parceira da luz
elástica
fresca
e transparente,
sombra eterna
que nos persegue
ao ritmo do movimento.

Sombra
sempre anulada
pelo brilho de um espelho,
face única
e transcendente
onde a sombra fica ausente
e a luz
é permamente.

Face de viva magia
fronteira do aparente,
lugar imagem…
lugar miragem…
mas sempre lugar de viagem
ao outro lado da gente!

 

 

(Dulce Delgado, Setembro 2017)

 

 

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Nos verdes campos irlandeses nasce o trevo, símbolo oficial desse país e ao qual se associa a Boa Sorte. É com esse sentimento que hoje te ofereço estes shamrocks, como aí se denominam, colhidos em Junho de 2006 num lindíssimo prado localizado a noroeste do país.

Porque eles guardam a energia dessa terra mágica que hoje te recebe e com quem partilharás este aniversário, que a Boa Sorte seja tua companheira, hoje, e em todos os momentos da tua vida.

Sente-os como um abraço de mãe…que te envolve com o desejo que este dia seja plenamente vivido!

 

 

gaivotas

 

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Levantam e pousam
as jovens gaivotas
na superfície do mar.

Aprendizes do vento,
da liberdade
da sobrevivência
e da vida,
repetem ruidosamente
esse jogo de crescimento.

Mas tudo na vida tem o seu tempo.

É ainda nos pais
que procuram o alimento,
num estranho ritual
de sons
de movimentos
e disputado entre irmãos
de modo agressivo
e turbulento.

A vida e a natureza
entrando pelo meu olhar,
pura
dura
real,
mas sempre,
sempre a me cativar!

 

(Dulce Delgado, Agosto 2017)
(Fotografias de Jorge Oliveira)

 

 

experiência sushi…

 

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Degustar Sushi, está na moda. Isso é facilmente perceptível na quantidade de restaurantes que surgem com essa opção, mas igualmente pelo interesse que desperta em muita gente.

Apesar de já ter provado pontualmente essa especialidade, nunca o tinha feito no local mais apropriado. Contudo, porque os anos e as oportunidades passam rápido e, além disso, gosto de fazer experimentações para formar uma opinião, decidi que era altura de partilhar com alguém conhecedor dessa linha alimentar a minha primeira e verdadeira experiência sushi da vida. Como guia e orientadora tive a minha filha, uma grande apreciadora desses sabores orientais.

Não vou nomear o restaurante, porque ele não tem culpa do que eu vou dizer. Apenas posso referir que era muito agradável, bem decorado, com um serviço eficiente e atencioso, e bem cotado nos sites da especialidade.

Optamos por um “All you can eat”, que permitia experimentar várias espécies de sushi e sashimi, o ideal para esta situação, tendo em conta o objectivo da refeição.

Algum tempo depois, depositarem na mesa uma grande e lindíssima tábua cheia de iguarias com vários formatos, cores, texturas e harmoniosamente dispostas. A primeira sensação foi simplesmente não apetecer comer nem destruir tal empreendimento artístico, mas… era para isso que estávamos ali, pelo que, mais ou menos insegura peguei nos hashi e comecei sistemática e calmamente a provar tudo o que nos fora disponibilizado…com todo o tempo…muita conversa pelo meio….e tentando apreciar cada bocado com a devida concentração e atenção.

Com o passar do tempo, a tábua foi ficando vazia…nós suficientemente alimentadas…e eu, definitivamente consciente do que já “desconfiava”… sushi e sashimi não são a minha onda, tenham eles mais ou menos qualidade!

Na verdade, o que sinto sempre que coloco uma daquelas obras de arte na minha boca é algo que sei tratar-se de uma enorme “afronta” para a filosofia sushi: qual é a piada de ser comido frio? Quente seria muito melhor! Por alguma razão, os rolos mornos e estaladiços incluídos no pack, foram os que achei mais interessantes.

Ao verbalizar muito baixinho este sentir do corpo e dos sentidos..sou imediatamente alvo de risota…e quase “expulsa” da mesa, exagerando um pouco, obviamente. Mas, a verdade…é que é exactamente isso que o sushi desperta em mim!

Confesso: viverei até ao fim dos meus dias envolta numa nuvem de “culpa” por não apreciar sushi e afins…serei estigmatizada pelos apreciadores dessa iguaria como uma “pecadora”… mas, definitivamente… o sushi quentinho era muito melhor!